24 nov 2004 - 16h13

Colunista se emociona em gols de Washington

O jornalista Paulo Cesar Vasconcellos, da ESPN Brasil e do Diário Lance!, revelou em sua coluna publicada nesta quarta-feira que se emociona a cada vez que o atacante Washington marca um gol pelo Atlético e bate no peito para comemorar.

PC também destacou a bela campanha atleticana, mas ressalvou que ainda não se pode apontar quem será o campeão brasileiro. Confira o trecho da coluna que faz referência ao Furacão:

O Washington é um exemplo
por Paulo Cesar Vasconcellos

Entre os dramas e comédias que oxigenam este campeonato, a história do Washington é uma das mais bonitas. Trata-se de um personagem 100% brasileiro. Quando o vejo batendo no peito três vezes, após marcar mais um gol pelo Atlético Paranaense, fico emocionado. É curioso como os enredos de superação sempre nos tocam. O indecifrável elenco verde e amarelo, que me dá rasteiras e faz afagos, é capaz de colocar no Palácio do Planalto integrante daquela parcela condenada a ouvir não para educação, saúde e comida e tornar artilheiro da mais disputada competição de futebol do mundo um sujeito que os fatos tentaram empurrar para longe dos gramados.

O Washington é um exemplo de perseverança, tal e qual os atletas que disputaram as Paraolimpíadas. Vê-lo em ação, oportunista como nunca e preciso como sempre, dá a certeza de que o sujeito não pode, logo na primeira onda, achar que o mar está perigoso e apressar a volta para a areia. Pensei que a ausência do Dagoberto mergulharia o Atlético-PR em depressão profunda. Muita gente não tem idéia da qualidade deste jogador. Atuasse no Rio de Janeiro – vitrina estilhaçada e penhorada – ou em São Paulo – passaporte para a notoriedade instantânea – e o Dagoberto seria uma pedra no tênis do Carlos Alberto Parreira. Pois o time superou o luto pela contusão e muito desta recuperação passa pelos gols do Washington.

Seus companheiros, a cada gol marcado, sabem que não há espaços para lamento. Nunca o viram, depois de tudo que enfrentou e venceu, desanimado ou cabisbaixo. Dá lições no indolente e no soberbo. A cada rodada, o Atlético pavimenta o caminho em direção ao título. Impossível e precipitado cravar que o Atlético-PR será o campeão. Se o Rubro-Negro que vence e alegra colocar a faixa, o Washington só acrescentará mais um motivo para olhar 2004, sorrir, inclinar o corpo e dizer muito obrigado.



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