12 dez 2004 - 11h00

Folha publica reportagem sobre Ratinho

A Folha de S.Paulo publicou neste domingo uma longa reportagem sobre a incursão do apresentador Ratinho no futebol. O filho de Ratinho, Gabriel Massa, é um dos sócios da Massa Sports, ao lado dos irmãos Marcos e Naor Malaquias. A empresa gerencia as carreiras de Dagoberto, Washington, Fabiano, Rogério Corrêa e Marcão. Confira a reportagem da Folha:

Ratinho roeu a roupa do rei
por Fábio Victor

Sem alarde, mas com a mesma ousadia que marcou sua fulminante ascensão na televisão brasileira, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, embala e tumultua a vida do time que tenta hoje ser campeão brasileiro de futebol.

A Massa Sports, tocada por um filho de Ratinho e mais dois sócios, está investindo com avidez sobre o elenco do Atlético-PR, que para chegar ao título precisa vencer o Vasco e torcer por um tropeço do Santos contra o São Caetano. A empresa assessora meio time, agencia dois jogadores e está próxima a comprar os direitos do atacante Washington, artilheiro do Brasileiro-2004.

Tudo muito natural, não fosse o fato de que a direção do Atlético está irritada com o que considerou uma traição dos jovens e novatos empresários Gabriel Massa, 20, e os irmãos Marcos Malaquias, 30, e Naor Malaquias, 27.

O clube alega que fez um acordo com o grupo para que a Massa Sports resumisse sua atuação a serviços de assessoria particular aos atletas, o que os três negam.

O segundo passo da firma foi se tornar procuradora dos jogadores, o que significa receber percentuais vultosos em qualquer contrato assinado pelos clientes.

Gabriel e os irmãos Malaquias dizem que a amizade criada com os boleiros tornou natural o aprofundamento da relação profissional. "Eles têm uma confiança enorme na gente, porque descobriram que não os vemos só como cifrão", afirma o filho de Ratinho.

O primeiro que se tornou agenciado foi o atacante Dagoberto, em outubro. Um mês depois foi a vez do volante e capitão Fabiano. Além deles, a Massa Sports assessora os zagueiros Rogério Corrêa e Marcão, além de Washington.

No caso do artilheiro, o vínculo é mais forte. Primeiro cliente do grupo (os irmãos Malaquias trabalham para ele desde 1999), Washington estuda com a Massa Sports duas opções. A primeira é ser contratado pela empresa, que o negociaria com outros clubes. A outra é se tornar sócio dela.

"Acho interessante a idéia de eles comprarem meus direitos. Posso ser empresariado por eles, mas também gosto da opção de empresariar com eles", conta.

Ao saber das novas ligações entre os jogadores do clube com o pessoal de Ratinho, o homem-forte do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, se enfezou. Chamou os três empresários a seu escritório e passou um esculacho no grupo.

"Tentamos dialogar, mostrar que foi uma coisa natural, mas parece que o Petraglia não entendeu. Ele tem os interesses dele e luta por eles. Nós temos os nossos e também lutamos por eles", declara Marcos Malaquias.

Não foi a única rusga entre a Massa Sports e o Atlético. Quando Dagoberto lesionou o joelho, em outubro, a empresa levou o craque para ser operado nos EUA, por um especialista renomado. Queria dar garantia a um futuro comprador de que o atacante sofreria uma cirurgia impecável.

O médico do clube, Edilson Thiele, sentiu-se ofendido e entregou a carta de demissão de toda a sua equipe. A cúpula atleticana interveio, e ele voltou atrás.

Ratinho não quis dar entrevista. Informou, por meio de sua assessoria, que não dirige diretamente a Massa Sports, à qual emprestou seu nome, além de prestígio e dinheiro, para ajudar o filho.

Foi a fama do apresentador, aliás, que abriu caminho para fazer de jogadores do Atlético clientes da Massa Sports. Segundo eles, a grife foi um grande diferencial.

"Já conhecia e gostava dos meninos [os irmãos Malaquias], mas a postura do Ratinho pesou muito na escolha. É um cara sério, que tem credibilidade", explicou o volante Fabiano.

Até assinar com a empresa, ele não tinha empresário e cuidava dos próprio contratos.

Já Dagoberto tinha um procurador, Mário Henrique, que foi trocado pela equipe de Ratinho. No caso específico, o apresentador foi fundamental para a aquisição.

Carlos Massa foi conversar pessoalmente com o craque de 21 anos e fez a proposta. "O Ratinho tem um caráter muito grande, é muito honesto e sincero. Não foi difícil resolver", diz Dagoberto.

Quando o atacante lesionou o joelho, Ratinho foi visitá-lo em casa. Ofereceu seu jatinho particular para levá-lo aos EUA. Por motivos burocráticos (autorização de pouso naquele país), Dagoberto foi num vôo comercial, classe executiva, acompanhado de representantes da Massa Sports.

Os irmãos Malaquias, por motivos evidentes, também cobrem de louvores o novo parceiro. "Agora temos um nome forte e de confiança ao nosso lado. O Ratinho sempre quis trabalhar o futebol como coisa séria", declara Marcos, que se aproximou da família Massa há pouco mais de um ano, quando passou a cuidar do dinheiro de Gabriel.

Pau para toda obra

Outro fator de atração dos jogadores à Massa Sports foi o relacionamento descontraído que têm com os donos da empresa.

Os Malaquias começaram seu negócio oferecendo assessoria doméstica a atletas e mantêm o serviço até hoje: por uma taxa mensal (que varia de R$ 350 a R$ 1.000), resolvem problemas de toda ordem para os clientes, desde pagamento de contas até compra de móveis e eletrodomésticos.

Aqui entra um dado curiosíssimo: quando realizam uma compra por um valor menor do que o que o jogador despenderia, recebem um percentual sobre a economia feita. "Vou casar. Eles conseguiram ótimos descontos na mobília. Se fosse eu próprio comprar, cobrariam muito mais", explica o zagueiro Rogério Corrêa.

Washington esmiuça a lista de serviços: "Minhas contas vão todas para lá [a Massa Sports], são eles que pagam. Se vem um parente me visitar, eles buscam no aeroporto, levam para passear".

O escritório da firma na capital paranaense é uma espécie de lugar de relax dos jogadores. Vão lá para almoçar, bater papo, usar o computador, fazer churrascos.

"A gente cria uma cumplicidade, eles passam a fazer parte de nossa família", propagandeia Marcos Malaquias.

Em São Paulo, a sede da Massa Sports é no escritório de Ratinho, um andar completo de um luxuoso edifício empresarial, QG do Grupo Carlos Massa, holding que administra os vários negócios do apresentador do SBT.

Embora diga que sua entrada no futebol se resume ao presente dado ao filho, Ratinho não limitou sua ação à empresa.

A Massa Sports é o estágio final de uma cadeia montada por Ratinho para investir no futebol. O apresentador é sócio do clube Astral, que disputou o Paranaense de juniores, e da ONG Escola Brasileira de Futebol. A idéia é que os talentos revelados nos dois centros tenham suas carreiras administradas pela empresa.

Ironicamente, Ratinho não é torcedor do Atlético-PR. Em seu Estado natal, gosta do Paraná Clube. Torce também para o Palmeiras. Mas, com o novo negócio, tem ido a jogos do líder do Brasileiro na Arena da Baixada. E começa a fazer contatos com cartolas. Amanhã vai almoçar na Toca da Raposa com os irmãos Zezé e Alvimar Perrella, do Cruzeiro.

Será o primeiro de uma série de encontros que o apresentador pretende ter com cartolas para apresentar a empresa.



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