19 jan 2005 - 14h26

Opinião de Sérgio Tavares Filho

Agasalho
por Sérgio Tavares Filho

Eu não gostava de voltar às aulas. Sempre pedia mais uma semana de férias, mas nunca era atendido. Apesar disso, gostava de comprar os materiais escolares. Era tudo novo: caderno, caneta, lápis, mala e livros. Chegava em casa na esperança de não usá-los tão rapidamente, mas não tinha jeito…

O engraçado é que nas primeiras semanas de estudo, era tudo no capricho. O cuidado para não ter “orelhas-de-burro”, um risco na borracha ou um rasgo no uniforme. Depois do primeiro bimestre, era tudo mais largado.

Quem também deve ter sentido a mesma emoção foi o técnico Casemiro Mior. Ao receber o pacote contendo uniformes e materiais de treino do Atlético Paranaense, Casemiro voltou à infância. Ao desembrulhar o agasalho de comandante do Rubro-negro, o treinador sentiu o cheiro do novo, da borracha que estampa o símbolo do clube mais querido do Estado e a vontade de trabalhar pode ter animado ainda mais o profissional.

A missão dele não vai ser fácil. Desconhecido da mídia brasileira, o técnico vai ter que provar que não é mais um aventureiro do mundo da bola. Personalidade já mostrou que tem, ao falar que não se ofereceu para trabalhar em Curitiba e sim foi procurado pela diretoria atleticana. Um ponto para ele. Só que a responsabilidade do treinador cresce na medida em que vários testes com treinadores foram realizados sem sucesso no Centro de Treinamentos Alfredo Gottardi. Artur Neto, Flávio Lopes e Heriberto da Cunha são os exemplos mais recentes.

Ao Casemiro, sorte! Que ele cuide do novo uniforme com muito carinho, durando bem mais que um bimestre e tirando notas acima da média. O único vermelho permitido é o da nossa camisa.

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