15 jun 2005 - 1h36

A grande família atleticana

Na noite desta quarta-feira, o ritual será o mesmo na casa de um milhão de atleticanos espalhados por todo o planeta: concentração total e muitos pensamentos positivos enviados diretamente para o estádio Urbano Caldeira, em Santos. Na Vila Belmiro, dois mil torcedores terão a honra de representar toda a nação atleticana na partida mais importante da história do clube até aqui. E se a concentração é 100% para os torcedores do Atlético, nas casas das famílias dos jogadores o clima não é diferente. Afinal, são os atletas os maiores responsáveis para conduzir o Rubro-negro à inédita semifinal da Copa Libertadores da América. "Chegar até aqui já foi um mérito. Agora, cabe a vocês, dentro de campo, dar o melhor possível para ir adiante. A gente confia em vocês", sintentiza Miriam, madrasta do goleiro Diego.

Torcida via satélite

480 quilômetros separam Curitiba de Santos. Apesar da distância, Mirieli, esposa do volante Cocito, garante que a força da "torcida caseira" será a mesma. "Estaremos todos aqui em casa, unidos e torcendo muito pela TV para ajudar o Atlético a vencer", revela ela, que vai acompanhar a partida na companhia dos filhos Rafael, de 10 anos, e Letícia, de 3. "O Rafael entende mais, acha que o pai ganha tudo, é o herói. Ele torce bastante", diz. E se nos últimos dias o clima de tensão em torno da partida envolve toda a torcida do Rubro-negro, Cocito esboça tranqüilidade. "Ele está muito confiante, acreditando que dá para ganhar. Procuramos aqui em casa sempre dar apoio, incentivar. Ele está muito ligado para o jogo, fica pensando nas jogadas, no que pode fazer para ajudar o time", fala Mirieli, que deixa uma certeza a todos os atleticanos: não será por falta de torcida da família Cocito que o Atlético não sairá de Santos com a classificação.

Mesma força que promete transmitir Márcia, esposa do zagueiro Marcão. "A vitória é importante para o clube, para a torcida e para ele também", diz. "Por isso, eu procuro dar apoio, incentivar para que ele tenha ainda mais força para correr em campo atrás da vitória, que é o que todos nós mais queremos", completa, dizendo que tanto ela, quanto o pequeno Lucas, de apenas quatro meses, estão torcendo – e muito! – pelo Furacão de Marcão.

"Basta não sofrer gol"

"Pega tudo, Diego!". Esse é o recado de Toni, pai do camisa 1 do Furacão, para o filho. Afinal, se Diego não sofrer nenhum gol na noite de hoje, o Rubro-negro sai classificado da Vila Belmiro. E a fórmula de Toni para conseguir isso é a superação. "O Atlético não vai só contra o Santos, tem toda uma opinião pública também, que coloca o Santos já como semifinalista. Por isso, mais do que nunca, é hora de ser Atlético acima de tudo", revela.

E se não der para Diego defender, a torcida e o "olho" tiram as bolas na direção do gol. É o que promete o irmão do goleiro, Thiago: "Vá em todas as bolas, não desista em nenhum lance. Porque se faltar um pouquinho nós aqui com o olho, com a torcida, a gente tira".

Tranqüilidade acima de tudo

Essa é a receita que Kenia, esposa no meia Fabrício, procura passar a ele antes de cada partida. "Eu digo para ele confiar em Deus e ter tranqüilidade, que aqui a gente está na torcida", revela a mineira. O jogador costuma ligar para casa antes dos jogos, o que faz parte de um ritual do casal. "Temos um ritual antes dos jogos, ele sempre me liga. Quando é titular, eu falo para se esforçar e ter ânimo para continuar firme e forte. Quando começa no banco, conversamos que ele tem que reverter dentro de campo. Procuro passar tranqüilidade para ele", conta Kenia, que hoje ficará na torcida para que o marido ajude o Atlético a conquistar mais este importante passo em sua história.

Kenia, esposa de Fabrício, pede tranqüilidade

A mesma cabeça fria, o irmão do volante Ticão, Júnior, espera que o jogador tenha ao entrar em campo. "Ele tem que jogar com vontade, garra e a cabeça fresca. Se o time chegou onde está, é porque tem condições", afirmou Júnior, que acredita que a tranqüilidade é importante em um momento como este. "É um nível em que o jogador fica muito exposto, todo mundo vai assistir. Ele tem que mostrar o seu melhor, com vontade", completou.

Oeste atleticano

Engana-se quem pensa que a força para ajudar o Atlético vencer vem apenas de Curitiba. Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, está vestida de rubro-negro nesta quarta-feira. "Lógico que tem os que torcem contra, mas arrisco dizer que 99% da cidade torce hoje para o Atlético", contabiliza Antonio Donizete, pai do goleiro reserva Vinicius. Para a partida desta noite, ele manda o recado para o grupo: "Joguem com raça. Isso foi decisivo no primeiro jogo e será decisivo mais uma vez. E na vontade, eles não podem ser melhores que a gente".

Superstição e fé

Muitos acreditam que os dois sentimentos não caminham juntos. Este não é o caso de Cristiane, mãe do meia Fernandinho, que pode retornar aos gramados nesta noite. "Eu desejo que todos tenham fé e sorte para entrar com o pé direito", torce a fã número um do jogador. Enquanto o filho está longe, preparando-se para a partida, Cristiane garante que em sua casa, o clima é de concentração.

Christiane: na torcida pelo filho Fernandinho

"Quando ele está concentrado eu também fico, procurando mandar somente pensamentos positivos", afirmou confirmando que Fernandinho não vê a hora de entrar em campo. "Quando o médico deu a alta nós ficamos muito felizes e, ele ficou ansioso para jogar", completou.

O nosso recado

A partida desta noite é considerada a mais importante da história do Atlético. Até hoje, nenhum time paranaense havia chegado tão longe na Copa Libertadores da América. Assim como as famílias dos nossos jogadores, a Furacao.com deseja muita sorte à equipe que entra em campo e torce para que, independente do resultado, faça brilhar mais uma vez as cores rubro-negras e demonstre que "Rubro-negro é quem tem garra e não teme a própria morte".

Reportagem: Julia Abdul-Hak e Patricia Bahr, do conteúdo da Furacao.com



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