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27 jul 2005 - 14h55

Somos grandes. E fim de papo

Finalmente consegui confessar: há pouco tempo atrás em alguns jogos (sempre os mais importantes) eu não conseguia sequer colocar um rádio de pilha no ouvido. Não era por descaso, relaxo ou coisa melhor pra fazer. Simplesmente ficava nervoso mesmo e me recolhia a um canto para ficar isolado até tudo acabar. Discretamente procurava me manter atento aos rojões e somente vinha a saber do resultado após comprovadamente a partida haver terminado. A minha mais absoluta certeza era a de que eu era pé-frio e bastando que olhasse uma só vez em direção à partida, ou mesmo que simplesmente soubesse seu resultado, que pronto: levaríamos um gol!

Em meio a uma conversa de bar com outros atleticanos e depois de muita cerveja vermelha de Blumenau, confessei meu drama pessoal. Porém, a minha surpresa foi muito maior do que o constrangimento que sentia, pois ali, naquele momento, eu soube que não estava sozinho na minha tortura. Um a um meus amigos revelaram que por anos a fio também sofreram do mesmo mal. Restou claro, de vez por todas, que aquele incômodo descomunal do sentimento da mais profunda culpa diante de um empate ou derrota em eu havia “participado” de alguma forma do jogo não era minha responsabilidade e muito menos por conta do meu pé-frio.

Não sou muito velho, mas vivi com este sentimento por certamente uns 20 dos 35 anos da minha vida… 2/3, mais ou menos. Com a chegada da maturidade, talvez eu tenha conseguido me fortalecer e deixar esse desvio de conduta para trás. Pensando bem e hoje, mais maduro, analisando com a seriedade que o problema merece e que pelo que eu e muitos de minha geração passamos, percebi que a minha “doença” tinha uma causa primária, que há tempos não tem mais. Uma fortíssima instabilidade em nosso futebol, o que, convenhamos, hoje é coisa do passado. E me convenci que eu não era e nem sou um pé-frio!

Sentimentos. O simples (nem tão simples assim) fato de ter nascido atleticano faz com que cada um de nós guarde uma gama infinita deles com relação à essa condição.

Não é que o tempo passou e hoje eu percebo um novo “desvio” na minha profunda existência atleticana. É como uma nova “doença” que me atinge e se mostra tão forte quanto já me achei pé-frio. É o maldito sintoma de “quero ser grande”.

Como antes, percebo novamente que não estou sozinho. Sempre leio isso e com maior freqüência do que gostaria em textos de atleticanos que como eu freqüentemente brigam com alienígenas prepotentes em busca de reafirmar para tudo e todos nossa posição. O fato de que efetivamente somos muito “grandes”!

Isso me lembra a atitude de um menino de 10 anos. 12 talvez, o tempo esse que corresponde aos 2/3 da minha vida… o tempo que percebi que não ser mais um pé-frio.

Quem já passou sua fase de menino aprendeu com o passado o quão ridículo é essa atitude, no mínimo infantil. Não é o menino que diz que é grande. Em verdade o menino nasce ou não grande. E nosso Atlético-PR pertence ao primeiro grupo. O tempo é que se encarregará de mostrar a quem não quer acreditar que essa é uma verdade incontestável. Tudo tem seu tempo.

Com o perdão de nossos mais afoitos, não importa em nada agora somente querer impor a nossa grandeza ou gritar para que nos respeitem como grandes. Primeiro porque isso de nada adiantará, segundo porque só importa é o que nós somos. Grande é o nosso caminho e isso é certo (o quem aqui ninguém duvida). Tudo funciona como num ciclo qualquer. Meninos se tornam homens que se tornam idosos.

Acredito que acabamos de chegar no começo do auge de nossa vida. No início de uma fase pujante de maior vigor e que certamente perdurará por longos anos. É hora de vestir a camisa e centrar nossa atenção somente em nosso time, como sempre fizemos, aliás. Mas agora sem nos sentirmos pé-frio, mas vencedores, cada vez mais vencedores, e para sempre.

Envelhecer também será bom. Porém, sempre tomando cuidado para que isso não aconteça como aconteceu à todos aqueles que hoje se acham tão grandes que não suportam mais o peso da própria carcaça.

E percebam: todos os títulos estão a um só passo. Pouco tempo nos separa deles.



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