16 dez 2005 - 15h00

Dez anos depois, só o Atlético cresceu

Goiatuba, Barra do Garças, Novorizontino, Americano, Londrina, Mogi Mirim, Bangu, Sergipe, Central e Coritiba. A maioria desses clubes é praticamente desconhecida do público. Alguns estão até extintos do mapa do futebol atual. Mas, em comum, todos esses times tiveram participação decisiva no que o Atlético é hoje, tendo sido os adversários do Rubro-Negro na campanha vitoriosa no Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, em 1995.

Hoje, 16 de dezembro, faz exatos dez anos que o Atlético bordou a estrela prateada no peito, ao vencer o Central, de Caruaru, por 4 a 1 na Baixada. A história dessa conquista está gravada na mente de todos os atleticanos, que pela primeira vez na vida puderam perceber que o Furacão da Baixada podia sim ser o Furacão do Brasil.

3654 dias depois daquele 16 de dezembro de 1995, muita coisa mudou no Atlético. Hoje, enfrentar adversários com campos esburacados, estádios sem iluminação faz parte do passado. Até mesmo os confrontos contra os paranaenses Coritiba e Londrina passam a se resumir a jogos pelo Campeonato Estadual, já que nenhum dos dois clubes figurará na elite do futebol nacional em 2006. Enquanto nos últimos 3654 dias o Atlético foi conduzido no caminho das grandes conquistas, do trabalho, da modernização, os adversários de 1995 pararam no tempo.

Relembrar o que o Atlético fez nos últimos 10 anos é coisa que todo atleticano sabe de cor. Por isso, para comemorar a primeira década do título Brasileiro da Série B, a Furacao.com decidiu pesquisar onde estão os clubes que ajudaram o Atlético a construir esse caminho vencedor. Times que um a um foram vencidos pelo Rubro-Negro, que caminhava rumo à elite do futebol nacional, onde entrou pela porta da frente e seguiu em grande estilo, sempre figurando entre os principais clubes do país.

O resultado dessa pesquisa apenas comprova o quanto crescemos. É o lado bom de olharmos para trás e ver aonde estávamos, até para valorizar onde estamos hoje. Dez clubes ousaram impedir o Atlético de levantar a taça da Segundona de 1995, mas não conseguiram. Era uma vez os adversários da Segunda Divisão do Brasileiro de 1995…

Goiatuba: fundado em 05 de maio de 1970, o Goiatuba Esporte Clube foi o primeiro adversário do Atlético no Campeonato Brasileiro da Série B em 1995 e responsável por uma das poucas derrotas do Rubro-Negro naquela competição – venceu a estréia por 2 a 0. O clube nunca conseguiu ser uma referência no futebol de Goiás. Seu melhor momento foi em 1992, quando conquistou o Campeonato Goiano. Além disso, foi campeão da Segunda Divisão do Campeonato Goiano em 1984 e 1997. Em 2001, enquanto o Furacão conquistava seu principal título da história, a torcida do Goiatuba voltava a comemorar o modesto vice-campeonato da segunda divisão goiana. Em 2005, o Goiatuba foi eliminado na primeira fase do Campeonato Goiano, terminando na quarta colocação no Grupo A.

Barra do Garças: vice-campeão do estado do Mato Grosso em 1988, pouco se conhece sobre a história deste pequeno clube. Ganhou acesso à Série B em 1993, vencendo uma Seletiva estadual, e se manteve até 1995. No ano seguinte, o clube foi excluído da Série B, por haver dívidas com a Federação Estadual. Em 2002, o clube fechou suas portas, encerrando suas atividades. Hoje, a cidade de Barra do Garças é representada pelo Barra Esporte Clube, fundado em 1998. Este ano, o clube voltou às atividades profissionais e vai disputar em 2006 a primeira divisão do Campeonato Matogrossense.

Novorizontino: o Grêmio Esportivo Novorizontino nasceu em 11 de março de 1973, com o nome de Pima Futebol Clube, formado por funcionários de uma fábrica de calçados de Novo Horizonte, no interior de São Paulo. O momento de maior glória do clube aconteceu em 1990, quando foi vice-campeão paulista. Com problemas oriundos da má administração, o Novorizontino acabou sendo rebaixado para a 2ª divisão do Paulistão e obrigado a abandonar a Série-B do Brasileiro. Em 1999, sem dinheiro, o clube pediu licença à Federação Paulista de Futebol.

Americano: mais popular clube do interior do Rio de Janeiro, o Americano Futebol Clube foi fundado em 1º de junho de 1914, tendo uma história de muitas conquistas locais. Campeão das Taças Guanabara e Rio de Janeiro, em 2002, e vice-campeão estadual neste mesmo ano. Em 2005, o Americano disputou a final da Taça Guanabara, perdendo para o Volta Redonda. O clube disputou, ainda, a Série C do Brasileiro.

Londrina: o Tubarão é um dos adversários ainda mais conhecidos da torcida atleticana até hoje, afinal, a equipe do Norte do Estado sempre cruza o caminho atleticano no Campeonato Paranaense. De 1995 para cá, o Tubarão conseguiu alguns suspiros no Estadual, sendo eliminado este ano pelo Atlético nas semifinais. No Brasileiro, porém, o clube caiu para a Terceira Divisão em 2004 e agora tenta ao menos retornar para a Segundona. Em compensação, ano que vem o LEC disputa a Copa do Brasil, tentando retomar o brilho do clube fundado em 1956 e que tem no currículo três Campeonatos Paranaense (1962, 1981 e 1992), além de ter sido campeão da primeira Taça de Prata, em 1980.

Mogi Mirim: o Mogi Mirim Esporte Clube tem um grande prestígio no futebol do interior de São Paulo. Porém, seu maior destaque é o de revelar (como, por exemplo, o atacante Rivaldo e o técnico Vadão, que implantou no Atlético em 1999 o famoso "Carrossel Caipira" já usado no Mogi). Este ano, o time terminou em 9º lugar no Campeonato Paulista e disputou a Terceira Divisão do Brasileiro.

Bangu: clube do famoso estádio Moça Bonita, o Bangu Atlético Clube foi fundado em 1904. O momento mais glorioso do clube foi em 1985, quando conquistou o vice-campeonato Nacional. Além disse, foi campeão carioca em 1933 e 1966. De 1995 para cá, o clube foi rebaixado para a Série C do Brasileirão, teve duas participações na Copa do Brasil (2003 e 2004) e hoje disputa a segunda divisão do futebol carioca.

Sergipe: o Club Sportivo Sergipe foi fundado em 1909 na cidade de Aracaju. De 1995 para cá, o clube conquistou quatro vezes o Campeonato Sergipano (1996, 1999, 2000 e 2003). Em nível nacional, o time participou de sete edições da Copa do Brasil e foi rebaixado para a Série C do Brasileiro.

Central: o Central Sport Club, da cidade de Caruaru, foi fundado em 15 de junho de 1919, ostentando o rótulo de mais popular e tradicional clube do interior de Pernambuco. Apesar disso, nem mesmo na elite do futebol estadual o clube figurar atualmente, tendo sido rebaixado em 2004. Em 1997, caiu para a Terceira Divisão do Brasileiro. Em 1995, o clube fez bela campanha na Série B e chegou ao quadrangular final. O último jogo do Atlético na competição foi justamente contra o Central e a goleada por 4 a 1 valeu o título ao Furacão.

Coritiba: vice-campeão da Segundona em 1995, o Coritiba subiu para a elite do futebol nacional na esteira do Atlético. Mas, ao contrário do Furacão, que sempre figurou como destaque na competição, o rival teve apenas duas boas campanhas nos últimos dez anos, terminado em sexto lugar em 1998 e em quinto lugar em 2003. Neste ano, a má campanha do clube culminou com o rebaixamento do Coxa para a Segunda Divisão, fazendo durar para o alviverde apenas dez anos o "sonho da Primeirona".

Para saber mais sobre a conquista do título da segunda divisão do Atlético e relembrar a trajetória do Rubro-Negro rumo ao título daquela competição, clique aqui.

Ficha técnica: Atlético 4 x 1 Central – 16/12/1995

Local: Joaquim Américo
Arbitragem: Lindonor dos Santos (GO)
Renda:

R$ 63.969,00

Público:

9.678

Gols: Oséas (25′ e 47′ do 1º tempo); Everaldo (4′), Alex (14′) e Paulo Rink (27′) 2º tempo
Atlético: Ricardo Pinto; Valdo, Jean, Luís Eduardo, Ronaldo; Alex, Leomar (Everaldo), João Antônio, Washington (Borçato); Oséas, Paulo Rink. Técnico: Pepe
Central: Vantuir; Carlão, Geraldo, Humberto, Valdo (Tingana); Romildo, Paulo César, Everaldo, Tuíca (Isaías); Jaílson (M.Santos), Marcos. Técnico: Ivan Gradim.


Últimas Notícias

Ao Sol e à Sombra

Gol de Matosas

É verdadeiramente impossível descrever o que se sente na primeira vez em que se entra em um estádio de futebol lotado, sobretudo quando se vive…

Brasileiro

Derrota em Porto Alegre

O Furacão fez boa partida, principalmente na primeira etapa, mas não reverteu em gols as chances e sofreu o castigo fatal aos 31 da etapa…

Ao Sol e à Sombra

Alex Mineiro

Parecia o caso de um jogador que seria lembrado como coadjuvante de uma equipe imparável. Um carregador de piano, invisível aos olhos dos leigos, que…