18 dez 2005 - 23h56

Dez anos depois, Oséas relembra campanha vitoriosa

16 de dezembro de 1995. Relembrar este momento tão importante da trajetória do Atlético é também falar do atacante Oséas, que ao lado de Paulo Rink formou uma dupla de ataque das mais memoráveis da história do Rubro-Negro. Foi nessa época que o time resgatou o orgulho de ser atleticano, culminando na campanha vitoriosa no Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão.

Na última sexta-feira a nação atleticana comemorou exatos dez anos que o time bordou a estrela prateada no peito, ao vencer o Central por 4 a 1 na Baixada. A história dessa conquista está gravada na mente de todos os atleticanos, que puderam apreciar o futebol de Oséas, que foi o artilheiro da competição com 14 gols.

Decisivo para a conquista do título, o atacante chegou ao Atlético em agosto de 1995, como reforço para o time que disputava a 2ª divisão do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, o jogador manteve as boas apresentações com a camisa atleticana rendendo, inclusive, convocações para três amistosos da Seleção Brasileira. Já em 1997, foi negociado com o Palmeiras e depois atuou pelo Cruzeiro, Santos, Vissel Kobe, Internacional e Brasiliense, seu último clube.

Para relembrar a conquista atleticana, confira a entrevista feita pela Furacao.com com o jogador:

O que você recorda daquela conquista?
Em todos os períodos que passei em outros clubes, eu sempre digo que foi o Atlético que me projetou nacionalmente. Foi também onde eu conquistei meu primeiro título, um título para mim muito importante e com certeza para o Atlético também. Naquela ocasião tive a alegria de ser campeão e artilheiro da Segunda Divisão, um feito bastante difícil. Tínhamos um grupo muito bom, unido e graças a Deus deu tudo certo! Lembro bem quando chegamos de Mogi e os torcedores estavam lá no aeroporto, incentivando. Aquela torcida fanática mesmo, que em todos os jogos lotava o estádio, sempre nos incentivando do começo ao fim. Tudo isso foi fundamental e a gente guarda na memória.

Você veio do Uberlândia. Lembra como foi o primeiro contato com o Atlético?
É, eu jogava no Uberlândia. Agora não me recordo o nome da pessoa que me viu jogando lá, porque estava me destacando no Campeonato Mineiro e várias pessoas iam observar o meu futebol. Graças a Deus, tive a alegria de vir parar no Atlético, algo que foi muito bom. Foi assim que começou a minha trajetória no Atlético (nota: Antonio Carletto Sobrinho e José Carlos Farinhaque participaram da negociação, que contou com total aprovação de Borba Filho, ex-técnico atleticano e que havia trabalhado com Oséas).

No Atlético, você fez uma dupla famosa com o Paulo Rink. Como foi essa parceria, dentro e fora dos gramados?
Além da parceria com o Paulo Rink lá na frente, eu destaco também o Alberto. Nós, mesmo depois dos treinos, ensaiávamos várias jogadas. Ele chegava na linha de fundo e cruzava sem olhar, pois sabia que eu e o Paulo Rink estaríamos bem posicionados.

Na campanha de 95, em que momento o grupo do Atlético acreditou que poderia subir para a Primeira Divisão?
Nós começamos o campeonato numa situação muito difícil, jogando em campos muito ruins. Então nós passamos por muitas dificuldades. Mas aí começamos a perceber que nossa equipe era muito forte, pois sempre trabalhava em conjunto, sempre unidos e procurando a vitória, tudo com muita humildade. E, graças a Deus, todos nós fomos premiados naquela ocasião.

Você tinha uma identificação com a torcida do Atlético. Quando jogou aqui, era conhecido como o "Gullit da Baixada". Você lembra de algum momento especial?
Eu lembro que naquela época fizeram até bonés. Eu chegava no estádio e via os torcedores com eles. Isso marca, né? Além do mais, a própria torcida do Atlético me marcou bastante. Uma torcida vibrante, que incentiva do começo ao fim. Aí eu fui para o Palmeiras e quando jogava aqui, a torcida continuava gritando meu nome.

Da Baixada antiga para estádio para o atual, há muita diferença?
Não tenha dúvida. Aquele estádio era um Caldeirão mesmo! Até lembro de um jogo em que eu fiz o gol e subi no alambrado, contra o Coritiba. No momento do gol você acaba extravasando. Hoje o estádio do Atlético é um dos melhores do Brasil. Sempre comentam que com a minha negociação e a do Paulo Rink, o Atlético começou a crescer. Mesmo longe, eu sempre torci. Fiquei muito alegre mesmo quando o Atlético foi campeão brasileiro em 2001 e torci bastante na Libertadores. Nas nossas negociações, a gente imagina que também pudemos ter contribuído para a construção do estádio, a gente se sente um pouco parte disso.

Suas atuações pelo Atlético em 1996 lhe renderam convocação para três amistosos da Seleção Brasileira. O que você lembra desta época, principalmente a sua relação com o técnico Evaristo de Macedo?
O Atlético, como falei, foi um time onde eu tive muitas alegrias, onde tive o meu primeiro título, fui artilheiro do Brasileiro de 95 e ainda pude jogar na seleção. Então com o Evaristo foi fácil, ele é um treinador que tem muitas qualidades, conversa bastante e sempre contava as histórias de quando ele jogou na Espanha. Ele sempre me deu força, tinhas as horas de trabalho, mas de brincadeiras também. Nós tínhamos um grupo muito forte e um treinador idem.

E com o Pepe?
Foi muito bom também. Ele era mais sossegado, já o Evaristo conversava mais com a gente. Mas o Pepe é um grande profissional.

Você ainda tem contato com algum jogador daquela época?
Não tenho mais com muitos. O mais recente com quem tive contato foi o goleiro Flávio, que está no Paraná. Quando eu estava jogando fora, tive algum contato com o Paulo Rink, mas mesmo assim não tem como esquecer daquele grupo muito bom, forte e unido, pessoas que queriam realmente vencer. Algo que ficou muito marcante nas nossas vidas e carreiras.



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