1 jan 2006 - 18h12

2005, um ano de conquistas

No dia 6 de janeiro de 2005, a Furacao.com publicou uma reportagem cujo tema eram os pedidos de ano novo da torcida atleticana. A partir de uma consulta com torcedores, o site elaborou uma lista de dez proposições de novo ano, contendo as principais aspirações rubro-negras para 2005. Agora, um ano depois, é tempo de relembrar o que aconteceu nesta temporada. Conferir se os objetivos foram alcançados, se houve avanços em campos estratégicos e se o clube se fortaleceu no período dos últimos doze meses. Esse exercício de retrospectiva é importante para relembrar fatos marcantes da história atleticana, bem como para projetar os avanços do futuro.

Os pedidos de ano novo da Furacao.com no início de 2005 foram os seguintes: conclusão da Arena da Baixada, paz entre diretoria e torcidas organizada, ótima campanha na Libertadores da América, conquista do título do Campeonato Brasileiro, revelação de pelo menos um novo craque, conquista do título do Campeonato Paranaense, ampliação do CT do Caju, convocação de jogadores para a Seleção Brasileira principal, formação de um elenco consistente e manutenção da comissão técnica por toda a temporada.

Uma rápida lida dos itens permite concluir que o Atlético conquistou a maioria dos objetivos traçados para a temporada. De acordo com nossa avaliação, cerca de 70% das metas foram alcançadas. Isso nos permite afirmar que 2005 foi um ano de conquistas e avanços. O Rubro-Negro deu largos passos em caminho à sua evolução e ampliação de seu espaço no futebol brasileiro e sul-americano. Confira abaixo o que foi desejado, o que foi alcançado e o que falta alcançar em 2006:

1 – CONCLUSÃO DA ARENA DA BAIXADA
Principal desejo de dez entre dez atleticanos, a conclusão da Kyocera Arena (nome com o qual o estádio foi rebatizado durante a temporada) já surge no horizonte do clube. Em janeiro de 2005, quando as proposições foram elaboradas, a intricada disputa jurídica com o Colégio Expoente e o empresário Marcelo Gava parecia longe de um fim. Por isso, a resolução completa do problema em apenas um ano era mesmo praticamente impossível. Tanto assim que a própria reportagem da Furacao.com ponderou: "A questão está sendo discutida judicialmente, mas sempre existe a possibilidade de um acordo solucionar o caso. Não custa nada esperar que essa solução ocorra neste ano…" De fato, um acordo entre as partes resolveu a disputa. Às vésperas da decisão da Libertadores, o Atlético adquiriu a totalidade do terreno e o Expoente anunciou a desocupação total do imóvel para dezembro de 2006. O muro finalmente caiu e em uma partida (o Atletiba do Brasileiro) o estádio esteve completo, ainda que provisoriamente, com arquibancadas metálicas. Por isso, é possível considerar que a meta foi parcialmente atingida.

2 – PAZ ENTRE DIRETORIA E TORCIDAS ORGANIZADAS
Diferenças entre integrantes de torcidas organizadas e diretores do Atlético atingiram níveis altíssimos em 2004, culminando com destruição do patrimônio atleticano em sinal de protesto e medidas judiciais em face do clube. No início de 2005, a Furacao.com pediu a paz, destacando que o que todos pretendiam era o bem do Atlético e isso deveria ser suficiente para resolver eventuais diferenças de opinião. Durante a campanha da Libertadores, a direção liberou a entrada da bateria nos jogos e a disputa foi atenuada. Cessaram os gritos de protesto contra diretores durante os jogos e isso ajudou muito o time dentro de campo. O símbolo desse momento foi o discurso do conselheiro e vereador Mario Celso Cunha no intervalo do jogo contra o Cerro Porteño, um dos fatos marcantes do ano.

A bateria voltou a ser ouvida na Arena em 2005
[foto: GPP/arquivo]

3 – ÓTIMA CAMPANHA NA LIBERTADORES DA AMÉRICA
Não é preciso muito esforço de memória para saber que esse item foi atingido plenamente. No início do ano, a Furacao.com destacava que "a evolução rubro-negra passa por uma ampliação de horizontes, uma abertura ao mercado externo" e a disputa da Libertadores era um momento interessante para dar esse passo adiante. Pés no chão, a reportagem reconhecia as dificuldades da conquista de um título e contentava-se com a superação da campanha de 2000. Mas o Atlético é surpreendente e nos deu muito mais. Foi vice-campeão das Américas e não chegou ao título em função de não ter podido jogar a primeira partida da final na Arena. Mesmo assim, a campanha foi épica, cercada de episódios que ficarão para sempre na história do clube. Momentos de destaque: a classificação milagrosa na primeira fase, a emocionante disputa por pênaltis contra o Cerro, as sensacionais vitórias sobre o Santos, a goleada sobre o Chivas e a invasão atleticana a Porto Alegre, na final.

4 – CONQUISTA DO TÍTULO DO CAMPEONATO BRASILEIRO
A grandeza do Atlético coloca o clube sempre como um dos favoritos à conquista do Brasileirão. Por isso, afirmávamos que "o Atlético não pode almejar outra coisa que não o título nacional". Depois do vice-campeonato de 2004, esperava-se no mínimo uma campanha similar, com o clube sempre brigando pelas primeiras colocações. Porém, a disputa simultânea da Libertadores mudou os planos. As inesperadas derrotas no início da competição deixaram o Rubro-Negro na última colocação do campeonato por várias rodadas. Por isso, a campanha de recuperação da equipe acabou deixando uma boa imagem, especialmente em razão do desempenho do time jogando em casa, onde confirmou ser praticamente imbatível. No final das contas, o sexto lugar acabou ficando de bom tamanho. Apesar disso, o item não foi alcançado. Os momentos de destaque foram as duas vitórias nos Atletibas, a impiedosa goleada por 7 a 2 no Vasco, o melhor jogo da competição contra o Cruzeiro (5 a 4) e as boas vitórias contra os paulistas São Paulo (4 a 2) e Palmeiras (4 a 0).

5 – REVELAÇÃO DE PELO MENOS UM NOVO CRAQUE
Não há dúvidas de que o Atlético é um dos principais celeiros de craques do país. A revelação de jogadores extraordinários tornou-se tão comum que às vezes se torna banal e não é tão valorizada como deveria ser. Na matéria do início de 2005, a Furacao.com reconhecia que "manter a média de pelo menos um fora de série revelado por ano é algo quase impossível", mas mesmo assim sonhava com o surgimento de algum grande jogador. Dos talentos apontados na matéria (Evandro, Anderson Aquino, Ticão, Marcus Winícius e Ricardinho), apenas um se confirmou: o meia Evandro. Com muita categoria e habilidade, substituiu Fernandinho no meio-campo e fez algumas partidas brilhantes. No final do ano caiu um pouco de produção, mas demonstrou ótimo potencial. Anderson Aquino e Ricardinho tiveram poucas chances, mas devem ser melhor aproveitados em 2006. Os volantes Ticão e Marcus Winícius não jogaram tão bem quanto nos juniores e agora serão emprestados a outros clubes para adquirir experiência.

Jogadores comemoram o título estadual [foto: GPP]

6 – CONQUISTA DO TÍTULO DO CAMPEONATO PARANAENSE
Mais um item atingido pelo Furacão em 2005. O clube retomou a hegemonia estadual e sagrou-se campeão paranaense ao bater o Coritiba na decisão. Em 2004, a equipe fez excelente campanha, mas acabou caindo justamente na final. Em 2005, o erro não se repetiu. Novamente, o Rubro-Negro realizou a melhor campanha da competição. No primeiro jogo da final, perdeu por 1 a 0 para o Coritiba. Imediatamente, o técnico Casemiro Mior foi demitido e Edinho Nazareth assumiu o comando. Na grande decisão, na Kyocera Arena, o Furacão venceu no tempo normal por 1 a 0 e nos pênaltis por 4 a 2. Lima convertou a última cobrança rubro-negra e começou a mudar sua história no clube, tornando-se um dos melhores jogadores do ano.

7 – AMPLIAÇÃO DO CT DO CAJU
As obras de ampliação do CT do Caju começaram no final de 2004. Portanto, esse "desejo" era o mais próximo de ser realizado durante 2005. A inauguração da nova parte do centro de treinamentos ainda não ocorreu na temporada passada, mas está marcada para as primeiras semanas de 2006. Com isso, é possível concluir que o item foi também atingido. Em novembro, a Furacao.com mostrou em uma reportagem (clique aqui para ler) que as obras estavam avançadas. Foram construídos um novo hotel, ampliando a capacidade para 284 leitos, um novo núcleo médico-desportivo e novos campos de treinamento, além de a piscina ter sido coberta. O projeto da diretoria é de que o CT do Caju fique em permanente ampliação. Mario Celso Petraglia já afirmou que o Atlético não pode parar de investir em patrimônio e, por isso, já está no planejamento a construção de um ginásio e de um campo coberto.

Novo CT do Caju: ampliação constante

8 – CONVOCAÇÃO DE JOGADORES PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA PRINCIPAL
Em 2003, o Atlético teve três jogadores convocados para a Seleção Brasileira: Adriano, Ilan e Kleberson. Em 2004 e 2005, o time fez melhores campanhas, mas não houve nenhum atleta chamado para a Seleção. A proximidade da Copa do Mundo da Alemanha dificultou a realização deste sonho, uma vez que Carlos Alberto Parreira só chamou os atletas já consagrados na Seleção, quase todos oriundos de times europeus. Após o Mundial e em 2007, é que haverá oportunidades aos novos craques. Para compensar, o clube teve novamente jogadores convocados para seleções de base. O meia Sammir integrou a Seleção Brasileira Sub-18 e os garotos Fernando, Raul e Choco estiveram constantemente servindo à Seleção Brasileira Sub-15.

9 – FORMAÇÃO DE UM ELENCO CONSISTENTE
Esse é um item complicado para avaliar. A matéria do início de 2005 pedia "contratações acertadas" e aproveitamento dos "talentos revelados pelas categorias de base". Houve algumas contratações que não deram certo (Etto, Maciel, Badé, Beto, Marín, Cleverson, Jairo, Rodrigo e Tavares), mas em compensação alguns reforços trouxeram muitos resultados (Lima, Aloísio, Danilo, Paulo André, Jancarlos, Ferreira e Finazzi). O aproveitamento de atletas oriundos no departamento de formação foi maior sobretudo no período de Antonio Lopes, responsável por lançar diversos jogadores dos juniores. Antes e depois, poucos foram aproveitados, com destaque para Evandro, Schumacher e Douglas. De todo modo, muitos já foram testados no profissional e certamente terão novas chances na próxima temporada. Pode-se considerar que o item foi cumprido parcialmente, com a inevitável negociação de alguns atletas, mas com a manutenção de bons jogadores para este ano.

10 – MANUTENÇÃO DA COMISSÃO TÉCNICA POR TODA A TEMPORADA
Foi o item mais desrespeitado dentre todas as proposições de ano novo. Começou logo com a demissão de Casemiro Mior, entre as duas partidas da final do Campeonato Paranaense, e prosseguiu com as saídas de Edinho Nazareth, Antonio Lopes e Evaristo de Macedo, ao final do ano. A ausência de manutenção de um técnico gerou prejuízos ao time, que perdeu tempo a cada nova contratação. Porém, o clube voltou a adotar uma política estabelecida em 2001, consistente na formação de uma comissão técnica do Atlético e não do técnico. O preparador físico Riva, os preparadores de goleiros Almir Domingues e Privati e os auxiliares Vinicius Eutrópio, Nilson Borges e Beto Médice formam uma comissão que já conhece bem o Furacão, os atletas e a metodologia de trabalho do clube. Com isso, há uma base formada para a chegada de um técnico, aumentando as chances de sucesso.



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