1 fev 2006 - 22h25

Atlético bate o Cianorte de virada

Durante 115 minutos, a torcida atleticana sofreu. O jogo contra o Cianorte, que era para ser de festa pelo fato de contar com a ilustre presença do técnico Lothar Matthäus em um dos camarotes da Arena, acabou causando raiva e apreensão. Logo aos 2 minutos de partida, o goleiro Tiago Cardoso falhou e Bruno Batata abriu o marcador para o time adversário. Daí para frente, passaram-se mais 46 minutos da primeira etapa (contando com os três minutos de acréscimo), 17 minutos do intervalo e 42 minutos do segundo tempo até que o Furacão conseguisse passar à frente no marcador, com um gol salvador do zagueiro Paulo André.

O primeiro gol não foi motivo de tanta reclamação, mas a torcida começou a se irritar quando aos 15 minutos a zaga atleticana falhou e o lateral-esquerda Ninja surgiu livre para tocar na saída do goleiro e marcar o segundo do Cianorte. A sensação era de incredulidade. Como uma equipe que conta com jogadores talentosos e deveria estar extremamente motivada com a chegada de Matthäus poderia jogar tão mal a ponto de sofrer dois gols em poucos minutos de jogo?

Parecia que a ordem natural das coisas seria restabelecida quando, aos 18 minutos, o zagueiro Paulo André aproveitou uma cobrança de falta de Jancarlos e escorou de cabeça para o fundo da rede. Mas não houve tempo para pensar em uma virada. Aos 25 minutos, Sinval chutou, Tiago Cardoso deu rebote e o veteraníssimo atacante do Cianorte empurrou para o fundo do gol, marcando o terceiro. A essa altura, a torcida já era para que o primeiro tempo terminasse de uma vez para se evitar uma tragédia.

Nos minutos finais do primeiro tempo, o auxiliar técnico Vinícius Eutrópio, que comandou a equipe pela última vez antes de Matthäus assumir a função, resolveu corrigir o equívoco tático e substituiu David por Erandir. Era uma tentativa de fortalecer a marcação do meio-campo e dar maior sustentação à zaga, completamente exposta aos contra-ataques do Cianorte.

Após o fim da etapa inicial, uma cena chamou a atenção dos torcedores: antes de se dirigirem aos vestiários, os jogadores atleticanos se reuniram no gramado, fizeram uma rodinha e discutiram sobre a postura do time. Provavelmente, cobraram uns aos outros maior dedicação.

Finalmente a virada

É preciso se dizer que o Atlético não melhorou da água para o vinho no segundo tempo. O time não realizou uma exibição de gala, corrigindo todos os defeitos. De todo modo, os jogadores demonstraram muita vontade e a virada veio mais na base da raça do que da técnica.

O time retornou para a etapa final já com outra mudança: Cléo no lugar do novato Willian. Logo no início, o goleiro Danilo rebateu um chute de fora da área e Cléo aproveitou o rebote. Mesmo de costas para o goleiro, o atacante atleticano foi derrubado. Pênalti marcado. Alan Bahia cobrou bem e descontou. A torcida se animou, mas o time não acompanhou o ritmo e demorou mais de 20 minutos para empatar.

O terceiro gol atleticano foi o mais bonito da partida e saiu em jogada individual do lateral-direita Jancarlos. Ele carregou a bola pela direita, cortou os adversários e bateu forte no canto do goleiro Danilo. O jogador foi festejado pelos comoanheiros. A torcida já começava a esboçar um sorriso na Kyocera Arena. Lothar Matthäus, posicionado estrategicamente em um camarote na reta da Getúlio Vargas, deve ter respirado aliviado com a reação da equipe.

Mas a explosão de alegria dos 6 mil atleticanos só foi completa aos 42 minutos, quando Paulo André robou uma bola no meio-campo e se mandou para a área adversária. Depois de uma jogada confusa, a bola acabou sobrando para o zagueiro atleticano, que encheu o pé e virou a partida. Festa na Arena.

Com o resultado, o Atlético subiu para a terceira colocação do Grupo A e agora está a apenas dois pontos do líder Cianorte. A vitória veio. Agora cabe a Lothar Matthäus a tarefa de fazer a equipe voltar a jogar bem e a convencer a torcida.

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