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2 mar 2006 - 11h03

Síndrome de Lakers

O Atlético fez um jogo ruim, com uma postura (ditada pelo técnico) ruim, contra um adversário ruim, arbitrado pior ainda. Poderia parar por aí, informar o resultado e encerrar a análise. Mas não, creio que a situação atual merece um comentário mais apurado.

O Atlético parece viver a “Síndrome de Lakers”. Refiro-me à situação do time californiano de basquete que conta com o técnico mais famoso dos Estados Unidos e o melhor jogador de toda a liga, mas não consegue jogar coletivamente e tampouco obter bons resultados.

Assim é o Atlético:

– Como Phil Jackson (técnico dos Lakers), Lothar Matthäus atrai a atenção de toda a mídia futebolística nacional e internacional (proporcionalmente, até mesmo mais do que Vanderlei Luxemburgo no Santos, atualmente);
– Por sua vez, Dagoberto parece Kobe Bryant (o astro daquele time): é manchete dia sim e outro também, seja por suas jogadas magistrais, pela novela da sua renovação de contrato ou por suas declarações desastradas.

Mesmo assim, o Atlético não tem um padrão de jogo ofensivo, por mais variações que Lothar Matthäus treine e tente. Em parte, por culpa do próprio Lothar Matthäus. Antes, um parêntese: o alemão tem (muito) crédito por ter acertado a parte defensiva do time, que já não leva (muitos) gols dos adversários, impede a maior parte das ações contrárias e luta o tempo todo pela posse de bola. Fecha parêntese.

Entretanto, considerando ofensivamente, o padrão de jogo atleticano é um só: “Joga a bola para o Dagoberto e espera para ajudar no que ele fizer”. Afinal de contas, nosso atacante rouba a bola, dá passes certeiros, dribla, faz infiltrações, finaliza e ainda luta pelo rebote.

Sim, Dagoberto é craque – segundo a definição de que “craque é o jogador que ganha jogo sozinho”. Mas o que Atlético precisa e espera dele é que ganhe sozinho o jogo contra Corinthians, Santos, Cruzeiro, Fluminense, Internacional. Contra Beltrões, Nacionais e Galos da vida, é bom e saudável que o Atlético ganhe como time, sem depender única e exclusivamente da habilidade do pibe atleticano. Isso é bom para que o time ganhe mesmo quando Dago não jogar, como no caso da próxima partida (neste final de semana, contra o Cianorte, Dago estará suspenso pelo terceiro cartão amarelo).

Na noite de ontem, o Atlético não tinha o menor cacoete criativo. Lothar Matthäus escalou zagueiros de mais e meias de menos. Isso ficava visível ao se perceber Danilo como ponta para fazer um cruzamento, Paulo André recebendo na área para finalizar, novamente Danilo partindo com ela dominada, etc… Com isso, deu dó de quatro jogadores em especial:

– o zagueiro Alex, que simplesmente não tinha função em campo, por estar sobrando;
– o volante Erandir, que foi escalado para armar o jogo, sem ter o menor estalo criativo. Não que lhe faltasse disposição, posto que na marcação foi simplesmente intransponível. Mas, obviamente, não foi dotado por Deus da mesma categoria concedida a Evandro, que deveria ser escalado no meio campo desde o começo da partida;
– o meia Ferreira, que ficou isolado e, sendo alvo único da marcação adversária, simplesmente não conseguia jogar e distribuir o jogo atleticano;
– o centroavante Selmir que, sem receber a bola para finalizar, teve que sair da área e se tornou ofensivamente nulo.

Aos 25 do segundo tempo, quando o bom senso parecia ter chegado a Lothar Matthäus, chamando Evandro para entrar no jogo, ao invés de retirar Alex (o zagueiro que, embora sem comprometer, não tinha função alguma em campo) ele resolveu retirar Selmir.

Com isso, o problema da falta de criação atleticana foi resolvido – Evandro mostrou o que sabe e Ferreira, mais livre, conseguiu jogar a partir de então – mas criou-se outro: o Atlético não tinha um finalizador que “pusesse a bola pra dentro”. Não que Selmir estivesse bem no jogo, mas se fosse para substituí-lo, que entrasse outro centroavante (Cleo ou mesmo Denis Marques). Como isso não ocorreu, o ataque atleticano ficou mais rápido mas também muito “baixinho” e sem força. Assim, não houve mais gols rubro-negros, embora as chances fossem criadas.

Ao fim de tudo, o gol de empate do J. Malucelli foi um prêmio à péssima arbitragem da noite de ontem: a cobrança de um pênalti inexistente escandalosamente marcado. O árbitro sequer merece ter o nome mencionado – seria um acinte a esta análise. Que seja simplesmente o “João, o juiz ruim”.

Ah, e um detalhe: Dagoberto não conseguiu ganhar o jogo sozinho. Assim como Kobe Bryant também não tem (sempre) conseguido. Mesmo marcando 81 pontos em um único jogo (Kobe) ou criando 6 jogadas de gol (Dago).



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