11 mar 2006 - 16h09

Matthäus comenta a suspensão imposta pelo TJD

O técnico Lothar Matthäus entrou em contato com o departamento de comunicação do Atlético assim que soube da decisão do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná que o suspendeu por 30 dias. Por três votos a dois, a Primeira Comissão Disciplinar do TJD suspendeu Matthäus por sua conduta no jogo contra o J. Malucelli, na Kyocera Arena. Naquela partida, o técnico tentou fazer a substituição do machucado Dagoberto por Moreno.

O lateral chegou até a assinar a súmula, mas o árbitro José Ricardo Stolle e seu assistente José Dias Passos não permitiram a substituição. Irritado, Matthäus se dirigiu aos árbitros chamando-os de "arrogantes". Já foi interposto recurso contra a decisão e a vice-presidente do TJD suspendeu os efeitos até o julgamento final do caso.

Mesmo assim, Matthäus achou por bem se manifestar publicamente e explicar detalhadamente as razões de sua conduta ao final daquele jogo. Na carta aberta dirigida à torcida atleticana e publicada no site oficial do clube, o treinador admite que chamou o árbitro de arrogante, mas diz que sua atitude foi um desabafo em função do risco a que foi exposto o atacante Dagoberto.

No final da carta, escrita nesta sexta-feira e traduzida para o português por Klaus Junginger, Matthäus promete mais vitórias e alegrias para a nação atleticana. A mensagem de Matthäus põe fim às especulações de que sua viagem à Europa estivesse relacionada com sua saída do clube. Confira a íntegra da carta do técnico alemão:

“Querida torcida Rubro-Negra,

É verdade sim o que foi dito sobre meu comportamento em campo no dia da partida do nosso Clube Atlético Paranaense contra o J. Mallucelli. Chamei o árbitro de linha por “arrogante” porque, ao faltarem apenas dois minutos para o apito final ele negou, pela segunda vez o nosso pedido de substituição do jogador Dagoberto, caçado violentamente pelos adversários desde o primeiro até o último minuto da disputa. O árbitro teve oportunidade de permitir a substituição solicitada, repito, por duas vezes e então nada mais nos restava a não aguardar com muita ansiedade o encerramento da partida. Em momento algum tive intenção de ofender, se o quisesse, poderia tê-lo feito inclusive por gestos ou palavras de baixíssimo calão no idioma português.

Entendo como a minha maior responsabilidade, muito mais do que os belos resultados e as alegrias que o Furacão nos proporciona, aquela que diz respeito à proteção da saúde e integridade física dos atletas sob minha responsabilidade. Ao perceber que ele não nos escutaria naquele nem em qualquer outro momento, chamei-o de “arrogante”. Esta a palavra do meu desabafo. ”Arrogante” foi a expressão que usei num momento de liberação das tensões e foi dirigida a alguém que estava pondo em risco a saúde de um componente da nossa esquadra.

Agradeço a Deus por nada de mais grave ter ocorrido para o nosso Dagoberto, cuja atuação valoriza a presença do Atlético em campo.

Por outro lado, quero também esclarecer esta fenomenal torcida informando que o problema do atleta, apesar dos riscos que correu, revelou-se uma contusão muscular que, segundo o departamento médico já justificava a sua substituição imediata por medida preventiva. Fica a pergunta: o que mais poderia teria acontecido se o árbitro ignorasse os efeitos das inúmeras agressões sofridas pelo esportista? Sabemos que em casos mais dramáticos até a morte… Tais pensamentos ainda me perturbam.

Infelizmente e por assuntos que fogem de meu controle, não pude comparecer ao julgamento.

Aceito de peito aberto a decisão do tribunal que achou por bem suspender meu direito de permanecer no banco de reservas por 30 dias, mas não posso e não vou deixar de manifestar que vejo uma enorme injustiça na avaliação dos fatos ocorridos e não sei se em campos da Europa a atuação daquele trio arbitral passaria impune.

Mas, bola para frente. Mais vitórias e muita alegria nos aguardam. Fatos tristes como esse ganham outra dimensão quando comparados ao apoio da torcida, à confiança dos dirigentes, ao espírito de equipe aliado ao alto desempenho dos nossos atletas e me levam cada dia a entender melhor porque “a camisa rubro-negra só se veste por amor”.

Lothar Matthäus



Últimas Notícias

Ao Sol e à Sombra

Gol de Matosas

É verdadeiramente impossível descrever o que se sente na primeira vez em que se entra em um estádio de futebol lotado, sobretudo quando se vive…

Brasileiro

Derrota em Porto Alegre

O Furacão fez boa partida, principalmente na primeira etapa, mas não reverteu em gols as chances e sofreu o castigo fatal aos 31 da etapa…

Ao Sol e à Sombra

Alex Mineiro

Parecia o caso de um jogador que seria lembrado como coadjuvante de uma equipe imparável. Um carregador de piano, invisível aos olhos dos leigos, que…