28 maio 2006 - 0h07

Presidentes abrem o jogo

Há alguns anos, é raro ver o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético vir até a imprensa e falar. Depois de alguns meses sem conceder entrevistas, Mario Celso Petraglia, teve uma semana diferente. Afinal, foram três entrevistas para os jornalistas – na segunda-feira, ele foi o convidado do programa “Turma do bate-Papo”, da Rádio Clube Paranaense; na terça-feira falou na Band News FM; e no início da tarde desse sábado Petraglia, na companhia do presidente do Conselho Gestor do Atlético, João Augusto Fleury da Rocha, concedeu entrevista coletiva na sala de imprensa da Kyocera Arena.

Antes de abrir espaço às perguntas dos repórteres, Petraglia disse que a entrevista era uma maneira de dar explicações ao torcedor atleticano e aos sócios do clube. “Informar a nossa torcida, os verdadeiros atleticanos, a quem devemos total e profunda satisfação das informações. E aos nossos sócios, que estiveram nas últimas eleições, em que com chapa única, tivemos quase um terço do colegiado vindo nos prestigiar. E esse compromisso vamos cumprir até 31 de dezembro de 2007. Não teve nenhum voto contra, nenhum voto nulo e nenhum voto branco. Já houve quem disse que a unanimidade é burra, mas nesse dia tivemos total unanimidade. Ninguém se opôs à nossa gestão”, afirmou o presidente.

Já Fleury iniciou abordando os resultados do clube até aqui na temporada 2006 – fato que vem trazendo preocupação aos torcedores atleticanos. Segundo o dirigente, não é possível ganhar sempre e nem perder sempre. “Promessa de ganhar título nem mais o inconseqüente, o mais autista dos presidentes faria. Todos nós queremos o objetivo, mas essa promessa só com o tempo. É o desejo de todo o presidente de clube. Todos trabalham para isso, mas infelizmente as coisas não acontecem”, disse, referindo-se às eliminações precoces do Atlético no Campeonato Paranaense (quando perdeu para a ADAP nas quartas-de-final) e Copa do Brasil (eliminado na segunda fase pelo Volta Redonda).

Na entrevista, Petraglia e Fleury abordaram assuntos como a renovação de contrato com o atacante Dagoberto, conclusão da Kyocera Arena, venda de pacotes de ingresso e avaliaram a situação do clube na temporada 2006 e o desempenho do técnico Givanildo Oliveira. Confira as principais declarações dos dirigentes atleticanos:

PROMESSA DE TÍTULOS EM 2006

Fleury: “Primeiro ninguém prometeu nada. Promessa de ganhar título nem o mais inconseqüente, o mais autista dos indivíduos pode fazer. Estamos numa competição. Claro que é o desejo de todo presidente de clube conquistar títulos, mas acontecem vários fatores para que isso não se realize, que aqui no Atlético foi a defecção de um membro da comissão técnica (a saída do técnico Lothar Matthaüs). Estamos dando uma estrutura hábil para sobrepor os desafios do futebol. Como se trata de um jogo, que envolve adversário, as propostas nem sempre se materializam. Esses resultados não dependem somente do campo. Nós vamos continuar nessa estrutura, esses são os meios para os fins que queremos ser alcançados. Temos nosso centro de treinamentos, nosso centro administrativo que nos permite avaliar todo o trabalho. Esses são os meios adequados para alcançar o fim que é o resultado. Daqui para frente vamos continuar nessa estrutura. Estamos querendo afinar a qualidade do elenco. Alguns jogadores serão desligados e outros serão agregados ao time principal. Pedimos um pouco mais de serenidade, confiança no grupo que temos.”

Petraglia: “Nós prometemos trabalho, dedicação. Foi o primeiro ano nesses 11 anos que começamos com o grupo formado, com o planejamento pronto. Quem seria o maluco, o irresponsável de prometer títulos, nós prometemos tentar fazer isso ou aquilo. O ano ainda não terminou, temos duas competições ainda. Existe a facilidade de ser engenheiro de obra pronta, realmente não conseguimos nas duas primeiras competições do ano sucesso, mas vamos continuar trabalhando e nos dedicando nas que ainda restam.”

MOMENTO ATUAL DO TIME

Fleury: “O clube não cresceu demais, nós queremos que ele cresça ainda mais. Quando aumenta a envergadura, aumenta a responsabilidade. As coisas que têm que ser feitas estão sendo feitas na hora correta, este não é um momento de desespero e mesmo se fosse não iríamos recorrer à fórmulas absurdas. Temos que nos enquadrar na nossa realidade. Não seremos açodados a tomar atitudes que afrontem nossos princípios. Temos um rigor orçamentário muito grande, não podemos dispor de receitas como clubes do Rio e São Paulo, que têm espaço maior na mídia. O que podemos fazer é filtrar, estreitar a malha. Assim, a malha se torna mais fina, teremos menos erros, mais acertos. Esse projeto não vai ser alterado por eventuais situações.”

Petraglia: “Será que temos que provar alguma coisa ainda? Há 11 anos essa história está sendo escrita. O nosso crescimento é em benefício de todos. A história está sendo escrita antes e depois do projeto do Atlético. Isso não faz bem a algumas pessoas, principalmente àquelas de outras cores, outros interesses e pessoas acostumadas com a administração de fora para dentro e não como é no Atlético de agora, que toda a administração é de dentro para fora. A unanimidade não buscamos, buscamos a realização, os fatos concretos. A história continuará sendo escrita da forma que escrevemos até aqui, que é reconhecida pelo Brasil e até lá fora. Quem quer destruir é quem não tem competência. É mais cômodo destruir, jogar na vala comum. Não estamos em busca de reconhecimento, de gratidão. Estamos em busca de construir e contribuir na nossa missão, fazer deste clube um dos melhores e maiores da América. Me cobrem.”

SITUAÇÃO DO TÉCNICO GIVANILDO

Petraglia: “Estamos avaliando em cima de resultado. só existe uma máxima no futebol: vitória. Se você ganhar está no céu, se perder está no inferno. Nós temos, no futebol brasileiro, a cultura, o erro e o defeito de trocar de treinador. Somos cobrados quando trocamos e somos cobrados quando não trocamos. A avaliação é feita constantemente. Nosso técnico ficará até o momento que ficar. Depende da vontade dele e do clube. Estamos aqui e somos responsáveis pelo destino do Atlético. Conflita, às vezes não conseguimos os resultados e os números que esperamos. Paciência. Nós decidimos, gostem ou não. Decisão única e exclusiva do clube.”

RISCO DE REBAIXAMENTO

Petraglia: “Claro que a probabilidade de cairmos é aritmética. Quem disser que não temos essa probabilidade está mentindo. Este ano caem quatro equipes, 20% dos que disputam o campeonato. Agora o Atlético, com toda a infra que oferece, em termos de índice técnico, aproveitamento na Baixada, pelo nosso grupo, entendemos que o nosso risco é infinitamente menor que 20%. O risco existe para qualquer clube que está competindo. O futebol é o esporte mais competitivo de todos. Tem 45% de probabilidade de dar zebra. Temos de saber essa realidade. Não estamos prometendo o que não cumprimos.”

POTENCIAL DO GRUPO ATUAL

Petraglia: “Claro que nós acreditamos. Se não acreditássemos, nós reformularíamos. Claro que acreditamos que o time é capacitado, afinal fomos nós que montamos, nós que formamos. Se eu não acreditasse não teria feito. Nós reconhecemos que houve erro. Futebol é futebol, é jogo, não é ciência exata.”

VENDA DE PACOTES DE INGRESSO

Petraglia: “Temos que rever ou mudarmos a forma de vender ou eliminarmos. Porque não pode com toda essa infra-estrutura que o Atlético oferece, vender 2500 pacotes em uma cidade com dois milhões de habitantes.”

PARADA PARA A COPA

Petraglia: “Existe uma primeira sugestão da área técnica de ter pequenas férias para o grupo de jogadores. E depois retomarmos para um intertemporada para nos preparamos para o jogo contra o Fortaleza. Não há detalhamento. Existiu uma possibilidade de uma excursão para a Alemanha, durante a Copa do Mundo, que não se concretizou. Pode até acontecer, mas não sei se convém. Não sei se seria bom sair nesse momento, mas nada definido dessa parte.”

CONCLUSÃO DA ARENA

Petraglia: “A obra já começou. Depois de 10 anos, adquirimos o terreno ao lado. Conseguimos, no final do ano passado, o acordo. O Atlético adquiriu, pagou a outra metade e terá toda a quadra a partir de janeiro. Emitimos um ofício para a Fifa e para a Conmebol. Porque o nosso projeto inicial era de 52 mil lugares. Mas hoje o Estatuto do Torcedor exige cadeiras em todo o estádio. Então, com o projeto inicial, ficaríamos com 36 mil lugares. Nós não jogamos aqui a final da Libertadores, porque não tínhamos 40 mil lugares. A Fifa não obriga, mas sugere que a competição que ela organiza, e nós queremos que ela seja realizada no Brasil, em 2014. E queremos que uma das sedes seja Curitiba, na nossa Arena. Esse documento oficial, encaminhamos para saber se 36 mil lugares são suficientes para sediar uma final da Libertadores e da Copa do Mundo. Se vier o documento permitindo os 36 mil lugares, o projeto está pronto. Se vierem os 40 mil, nós já temos alguns contatos com grupo de arquitetos especializados e teremos de rever o projeto inicial. E, conseqüentemente, também vai demorar um pouquinho mais.”

VERBAS PARA CONCLUSÃO DO ESTÁDIO

Petraglia: “Estamos procurando um financiamento também, porque o clube não quer usar mais nem o capital de giro e nem mais as receitas de transferência de jogadores para investir no patrimônio. O Atlético foi o clube que mais investiu em estrutura e vamos buscar um financiamento a longo prazo. Vamos buscar que as propriedades possibilitem, a longo prazo, um financiamento de 10 ou 15 anos, a ser pago com a receita da própria Arena. Para que não tenhamos mais que sacrificar o futebol com transferências.”

ARENINHA

Petraglia: “A Areninha faz parte do projeto, é o projeto do ginásio. Os estudos estão adiantados para que seja indexada. Seria um complexo aproveitando já a construção desse lado. Integraria todo o complexo para todo o equipamento necessário para cinco, seis mil lugares para que se façam shows e esportes indoor. Fizemos uma pesquisa e é uma condição de local que Curitiba não tem.”



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