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9 ago 2006 - 15h09

Ainda bem que deu tempo

Na verdade preciso desabafar. Tenho um turbilhão de coisas para falar, que por minha omissão guardei por muito tempo, e não sei nem mais por onde começar.

Tentar falar o que acho do atual Presidente (sim “atual” porque mesmo que hoje não pareça, o Atlético é maior e mais duradouro do que ele), falar dos colunistas que não conseguem defender a atual situação do futebol sem citar as expressões: “temos o melhor e mais moderno CT do Brasil” e “o melhor estádio do Brasil”, falar das decisões de marketing que tentam tomar decisões de mercado no Brasil se espelhando no mercado europeu como se não vivêssemos em um país subdesenvolvido e com péssima distribuição de renda, e outros tantos assuntos que se não me omitir falarei no futuro. Não tocarei em todos estes assuntos, mas gostaria de falar do que acho o mais importante.

O dia dos pais se aproxima e como bom pai uma das coisas que mais lembro é de meu filho. Quando pequeno meu Pai me levava a Vila Capanema para ver o Ferroviário jogar, muito pequeno sentado na arquibancada não via nada, nem quando a torcida estava sentada e, ao sair os gols ao ver todos se levantar e gritar, chorava assustado. Cresci passei a participar mais do espetáculo e um dia cheguei para meu Pai e disse: “..vou mudar de time quero torcer por um time que possa ser campeão e me identifico com a palavra raça”. Meu Pai em sua sabedoria, mesmo se sentindo triste me abraçou e aceitou, sabia que eu estava crescendo.

Sonhei um dia ter um filho e ver ele reconhecer estes valores em meu time do coração. Não sei se fui tão democrático, mas hoje temos mais um atleticano. Um atleticano que compareceu ao estádio enquanto se podia ir sem se comprometer quase um terço de um salário mínimo, quando se podia ver a festa de uma torcida com suas bandeiras, escolher o local para sentar e passear no estádio procurando outros amigos. Por isto não existir mais, há dois anos deixei de ir ao estádio e vejam só, a razão não é financeira.

Agora vamos analisar o crescimento populacional de Curitiba, onde bairros populares se multiplicam através de invasões, a renda dos trabalhadores diminuem cada vez mais e despesas com saúde e educação são absurdas. Imagine-se nesta situação: pai de família, assalariado, honesto, trabalhador, dedicado ao(s) filho(s) e Atleticano. Com certeza este ainda não pode realizar o sonho de levar seu filho ao estádio que o garoto só vê na TV, porque teve que escolher entre moradia, remédios e cadernos e, como tem caráter escolheu pelo futuro dos filhos.

Gostaria que refletissem: se este é o perfil que mais cresce na sociedade, como a torcida vai crescer no futuro? Se seus amigos vão a jogos por R$5 ou uma barra de chocolate e conseguem exercer sua paixão por seu time? Como eles manterão sua paixão sendo apenas crianças e querendo se divertir? Talvez vocês que compram pacotes, comentam a atuação de seu time tomando um whisky, e pagam parperview (não acho nada disso errado) não tenham pensado nestes menos abonados, mas tão apaixonados quanto vocês. Mas foram eles que na verdade construíram o Atlético que existe hoje. Eles não são necessariamente loiros, olhos azuis e feições escandinavas.

Quanto a mim e meu filho, se hoje não me permito mais este luxo, só posso dizer, “filho, ainda bem que deu tempo..” Já o futuro a Deus pertence (não, não estou falando do “atual” Presidente).



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