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11 jul 2007 - 12h49

Deixamos de ser curitibanos

Desde tenra idade a paixão atleticana aflorava em meu peito. Lembro-me como uma das passagens mais marcantes da minha infância, daquelas dos tempos da camisolinha, ainda no velho Joaquim Américo, numa tarde ensolarada de 1985, aos sete anos de idade e acompanhado de meu pai, do último jogo do Campeonato Paranaense, Atlético e Londrina. Tudo era novidade, a movimentação das pessoas rumo ao estádio, aquele espírito coletivo alimentado pela certeza de que tudo se resolve no velho caldeirão, o papel de jornal recortado em forma de pompom para incentivar a escrete rubro-negra, as bexigas e os rolos de papel higiênico que eram lançados em direção ao campo no momento em que “as feras” eram soltas. Uma festa muito simples e ao mesmo tempo carregada de uma áurea de felicidade que envolvia todos os presentes. Felicidade do tipo interiorana, daquelas onde um pouco com Deus se faz muito, do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça.

Naquele dia fui contagiado por um sentimento que me acompanha e que em meu cotidiano é tão trivial e necessário quanto as refeições que me dão vida, o gosto pelo futebol. O encanto que este jogo incita nos espectadores é algo que talvez só seja comparável aos combates de gladiadores promovido pelos romanos. Digo isto única e exclusivamente no sentido que faz referência à força das massas como um elemento participativo e decisivo nestes espetáculos. Será que Freud teve oportunidade de assistir alguma partida de futebol antes de escrever seu texto clássico “Psicologia das massas”? A contaminação do espírito produz um efeito inebriante de fazer com que o indivíduo se sinta parte da família de inúmeras pessoas que estão ao seu lado. Até as personalidades mais tímidas podem se surpreender com a sua capacidade de gritar e cantar junto com um povo. São milhares de rostos diferentes, de cores, de formas, mas que no momento em que as redes balançam têm um semblante comum.

Caminhar rumo a Arena talvez seja um processo de aculturação de todo curitibano. Deixamos a quadras de distância do nosso estádio toda a timidez, a reserva, o medo do desconhecido, o mau humor, os pequenos preconceitos de classe e de status social. Cumprimentamos todos pelo caminho, estejam uniformizados com as cores do nosso time ou não, questionamos sobre os jogadores, sobre os adversários, rimos e choramos com qualquer um que passa ao nosso lado. Estar dentro da Arena é deixar literalmente o “ser curitibano”, é acima de tudo, ser atleticano.

Em suma, me desculpando de todos os meus conterrâneos curitibanos, não poderia me furtar em dizer que somos (e às vezes até reconhecemos que somos) conhecidos nacionalmente como um povo muito reservado (este talvez seja o adjetivo mais brando). Porém, na fantasia do futebol, quando a simples esfera branca ultrapassa a linha do arco e se direciona rumo às redes timidamente, ou mesmo da forma mais agressiva como se fosse uma águia que busca uma presa ao chão num vôo certeiro, nós, curitibanos, somos capazes de abraçar com uma intensidade de sentimento quem quer que seja. Envolver num abraço amigo um sujeito que simplesmente está ao seu lado e você não tem a menor idéia de quem é! Neste momento deixamos de ser curitibanos para nos identificar com algo que se sobrepôs à cultura da cidade. Instante em que todo o dramático daltonismo vampiresco dos curitibanos torna-se uma explosão de gritos proferidos ao ar, quer tenham sentido ou não, refletem a alegria e a extroversão que alguns acham que somos incapazes de ter. Curitiba neste momento, Dalton, foi, não é mais. A besta bate asas aos pés da Praça Afonso Botelho e tudo o que resta é uma nação rubro-negra dentro de uma cidade. As velhas corruiras nanicas que se alojam nos arvoredos da Praça Atleticana batem asas de alegria. O velhinho no meio da avenida Getúlio Vargas pára, levanta sua bengala em comemoração. Não se preocupe, o sinal estava fechado para os carros. Nelson, Maria, João, Dário, polacas, morenas, até as pedrinhas da Buenos Aires batem palmas.



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