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14 mar 2008 - 10h26

Uma análise de como chegamos a tal ponto

Em meados da década de 90, os chamados “grandes clubes” brasileiros (especialmente os do eixo Rio-São Paulo, mas com espaço também para os de Minas Gerais e Rio Grande do Sul) dominavam o futebol brasileiro e atraíam os melhores jogadores para seus plantéis, principalmente porque:

1. Ofereciam os melhores salários;
2. Eram as melhores vitrines para as poucas transferências internacionais (o que fazia que alguns se mantivessem em tais clubes apesar de condições não ideais);
3. Ofereciam o glamour de jogar por um grande clube do Brasil (muitas vezes o do coração).

Contudo, o futebol brasileiro “como um todo” vivia o início de uma crise em que a grande maioria dos clubes era vítima de um histórico de má-administração e estavam completamente endividados (e, apesar de não ser “grande”, o CAP se incluía nessa turma!). Aliás, essa crise que assolou muitos desses clubes no decorrer dos anos 90 ainda não foi totalmente resolvida.

Oportunamente, em 1995, após a humilhante derrota para os coxas por 5×1 deu-se início a uma série de mudanças comandadas pelo atual mandatário do CAP e que abriram espaço para o início da atual administração. No contexto da época o Atlético era um clube nacionalmente pequeno em relação à quantidade de títulos e quanto à competitividade de seu futebol, mas era grande em relação à quantidade de torcedores num caráter regional. Portanto, colocava-se como um clube nacionalmente médio, com possibilidades para crescimento positivo e negativo. Com o intuito de fazer o CAP alcançar uma envergadura que lhe era possível, os administradores do clube implementaram uma política de maior respeito aos atletas e aos próprios cofres, planejando contratações mais humildes mas que estivessem dentro de suas capacidades – um passo mais profissional dentro da amálgama de confusões que marcava as nebulosas negociações da “era” em que o passe dos jogadores era de propriedade do seu respectivo clube.

Como havia um clima de instabilidade nos grandes centros, pode-se dizer que o CAP estava na vanguarda das negociações da época (que convenhamos, foi apenas agir um pouco mais responsavelmente!) na administração dos clubes. Enquanto os grandes clubes atrasavam por meses os salários de suas estrelas, algo que comprometia o rendimento dos mesmos, o CAP passou a garimpar os novos atletas bons, ainda não presos pelo passe nos grandes clubes por oferecer salários mais humildes, mas que não sofriam os inconvenientes dos atrasos e da incerteza do recebimento.

Essa conjuntura levou o CAP a conseguir uma seqüência de resultados positivos, pois jogadores sem problemas pessoais por falta de salários conseguiam melhores resultados, o que levava a uma melhor exposição nacional e internacional e, consequentemente, à mais vantajosas e lucrativas negociações de jogadores. Ou seja, uma cascata de situações vantajosas que conspiravam em criar outras boas condições!

Com os ideais da revolução de 95 ainda “frescos” a administração do clube aproveitou a boa “maré” para implementar outros objetivos que permitiriam o prolongamento da ótima fase, realizando investimentos em infra-estrutura para treinamento, tratamento, formação de atletas e um moderno estádio que permitiria (e permitiu) uma gestão ainda melhor, pois era um ambiente muito mais acolhedor para os atletas, à despeito do oferecimento de salários coerentes com os rendimentos financeiros do clube.

Nessa época, se considerava que a política de revelar jogadores era “sacrificar” o futebol do clube em prol de uma estrutura que nos garantiria uma condição para igualar e superar os “grandes” à médio e longo prazo. No entanto, pouco tempo após o início do “sacrifício” e antes do que foi projetado para o alcance de resultados na área de futebol o CAP surpreendeu com ótimas campanhas na seletiva de 99 e no título brasileiro 2001 que reforçaram demasiada e inadequadamente as crenças dos administradores do CAP e, especialmente, que causou uma vaidade exagerada ao mandatário do clube.

Foi nessa fase que se consolidou a atitude da atual diretoria (e que foi importantíssima para a ascensão do Atlético!) que é fazer uma política de procurar jogadores super-baratos que sejam o mais competentes o possível, para tentar desenvolvê-los e vendê-los para sanar as contas do clube e realizar algum lucro para reaplicar em mais investimentos. No entanto, o panorama do futebol brasileiro mudou no decorrer dos anos. Com a aprovação da lei Pelé modificaram-se as relações negociação de jogadores e o clube deixou de ocupar uma posição de vanguarda no quesito. No entanto, apesar da lei ter entrado em vigor em 98, demorou alguns anos para que os efeitos da mudança causassem efeitos práticos e para que o clube “sentisse na pele” as conseqüências de não saber se adiantar às mudanças anunciadas.

As relações que faziam o clube se tornar atrativo para os jogadores na década de 90 passaram a perder efeito, pois os clubes grandes tiveram tempo de se reorganizar e recuperaram os status de serem melhores vitrines e o glamour que representam para os jogadores, além de continuarem a oferecer melhores salários (agora pagos em dia!).

Paradoxalmente, pouco mais de 10 anos após a revolução de 95 e justamente no período em que deveríamos estar colhendo os resultados do sacrifício vivido para a construção do estádio e de um ótimo CT, a política de gestão atual do clube tornou o CAP de hoje um “repelente” de bons jogadores (qualquer sinal de valorização cria conflitos da manutenção do jogador com a política da diretoria) e formaram um clube cujo bom rendimento no futebol ocorre menos em função de seus méritos e depende mais da mediocridade de seus adversários.

Em um resumo, alguns dos principais problemas de hoje são:

1) Falta de jogadores de qualidade que possam dar estabilidade ao grupo;
2) Grande número de jogadores jovens (investimento em mercadorias) que não conseguem desenvolver suas qualidades no clube devido ao alto grau de instabilidade e competição num grupo inchado e carente de bons valores;
3) Interesses conflituosos em que os jogadores, que são tratados como mercadorias pelos nossos dirigentes, não se associam ao clube por outro motivo senão o financeiro e planejam sua presença no clube apenas como um período em que se preparam para ir para um clube grande.
4) Um sistema jurídico incompetente para se adaptar as mudanças recentes na negociação de jogadores, que é atrapalhado pelo método de tratar jogadores como mercadorias;
5) Uma gestão do clube vaidosa e desconectada das necessidades atuais que sua torcida reivindica por um sistema de comunicação controlado pela uma diretoria dominada pelo orgulho e pela vaidade (e aparentemente por outros valores obscuros).

Arremate: As conquistas do Atlético foram méritos da atual política que há dez anos era brilhantemente visionária, mas que hoje se tornou obsoleta. Enquanto nossa gestão quiser manter estratégias que foram estabelecidas por contingências que já não estão mais em vigor continuaremos fracassando. Precisamos de uma nova estratégia, que resolva os problemas atuais e esteja constantemente preocupada com as mudanças e, principalmente, que seja capaz de estar constantemente avaliando o ambiente (e não fechada na sua redoma) para aumentar as probabilidades de sucesso.



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