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27 mar 2008 - 9h37

Onde tudo começou: dois causos, três atleticanos

Nasci atleticano, em 83, ano do recorde do Couto, semifinal com Flamengo, durante anos torci pra que esse momento se repetisse.

Aconteceu quando tinha 18 , assisti ao vivo Alex Mineiro detonar o Flu na Nova Baixada e o resto todos sabem, mas os causos que vou falar não são de 1983 ou 2001.

O primeiro, não lembro com exatidão, acho que era 1990, o campeonato não sei se era paranaense ou brasileiro, o placar não sei se foi 3×0 ou 3×1, lembro do gigante de concreto, lembro de duas massas, uma verde e branca outra rubro-negra, lembro de dois grandes parceiros, meu irmão dois anos mais velho e meu pai com suas recordações dos ‘tristes e felizes anos 70’. Não lembro dos lances do jogo, lembro do amendoim com casca. Não foi minha primeira vez no Estádio, fui ver Brasil e Uruguai em 89 no alagado do Severiano. Mas foi o meu primeiro contato com a verdadeira insanidade que é ser atleticano. Fim do jogo, aquele 3×0 ou 3×1 (nem tenho certeza mais se foi um desses placares) não nos favoreceu, no entanto, em nenhum minuto houve silêncio ao meu redor, em nenhum momento pude ouvir a torcida adversária.

Insanos, perderam e ainda assim fizeram mais barulho mesmo estando em menor número. Talvez eu tenha tido muita sorte de ir naquele jogo, meu primeiro Clássico. Não foi um Clássico qualquer, antes do apito inicial, se não me engano, ocorreu um fato que muitos atleticanos nunca viram e que muitos atleticanos mais jovem que eu nem sabem que aconteceu. Entrou no gramado verde, do time verde, um torcedor rubro-negro, na sua mão trazia um leitãozinho daqueles bem branquinhos, ambos uniformizados com as cores de seus times do coração, foi espetacular, um verdadeiro ato de fraternidade entre adversários, tão mal interpretado pelos coxinhas,quando o porquinho tocou as patas no gramado, iniciou-se uma caçada. Acredito que foram os últimos passos do gracioso suíno, ele deu trabalho mas, depois de alguns olés nos seus companheiros de clube, não acho que tenha escapado da churrasqueira e a festa foi Rubro-Negra (convoco quem estava lá que se manifeste e esclareça as lacunas da minha memória).

O outro conto teve um palco mais charmoso. Obrigado pela lembrnça e por emprestar o título do texto, Fernanda.

Era 1996, viemos da segundona em 95. Aquele time foi o primeiro a me encher os olhos, antes eles se enchiam só com a torcida, eu dizia que ganhando ou perdendo, o importante era fazer a minha parte e a minha parte era perder a voz de tanto gritar (acho que falta um pouco disso na piazada de 13 anos que vejo hoje no estádio). Até hoje quando não posso ir à Baixada e o atlético perde me sinto culpado, sinto que não fiz a minha parte. Mas vamos voltar a 96. Aquele time tava jogando muito, Alberto na lateral, na área Oséas e Paulo Rink era meio gol. Vinhamos de uma sequência boa e aquele ano foi a primeira vez que via a possibilidade do meu Atlético ser Campeão Brasileiro. Os ingressos se acabaram rapidamente e eu fiquei perturbando meu pai que naquele jogo agente não podia deixar de ir, pois o time verde de São Paulo era bom e sem nós três, eu, ele e meu irmão, o furacão jogava desfalcado. Nessa hora bateu aquela insanidade a que me referi anteriormente, a mesma insanidade que me levou vezes à estradinha, à Irati, à Londrina, mais tarde me levaria a São Januário (2004) e a Porto Alegre (2005). Sentia que se não fossemos ao Joaquim Améico o Furacão não devastaria o adversário. Surgiu então a idéia, não tem ingresso na torcida rubro negra, vamos na torcida verde. Por incrível que pareça, não houve resistência das outras pernas do tripé, era só não contar pra mãe que tava tudo certo. Sem filas compramos 3 ingressos na torcida do Palestra Itália e ficamos na arquibancada metálica, na curva onde até hoje fica a torcida adversária. Meu pai, cauteloso, explicou que não dava pra gente dar bandeira, agente tinha que rir por dentro, gritar por dentro, se segurar e até levantar quando o time verde fosse pro ataque. Começa o jogo e o Furação começa a se formar, foi só acontecer a primeira descida do elenco rubro-negro ao ataque, que quem estava ao meu redor já tinha me descoberto. Muita cara feia, mas eu era um piazinho magrinho de 13 anos que ninguém parecia ser bárbaro suficiente pra dedurar pros mais briguentos que se encontravam mais abaixo nas arquibancadas fixas, mesmo assim a situação não era confortável, meu pai e meu irmão estavam imóveis, saiu então o primeiro gol e sem premeditação, num ato de impulso descontrolado, pulei e comemorei, vendo isso meu pai e meu irmão pularam também (mais tarde, meu pai confidenciou que naquele momento pensou rapidamente: não posso chegar em casa inteiro com o piá todo quebrado) e o inesperado aconteceu, pelo menos 1/4 da arquibancada alvi-verde comemorou também e quase todos estavam ao nosso redor. A partir daí assistimos o jogo tranquilamente, no segundo gol até cantamos um ‘Uh Caldeirão’, na verdade, um pouco tímido. Só ocorreu uma certa tensão no fim do jogo, quando uma senhora, que já tinha passado da casa dos quarenta, atirou a sombrinha contra alguns dos infiltrados, mas eu e meu irmão que eramos somente dois piazinhos só ouvimos xingamentos e pragas da cinquentona. É isso que é ser atleticano pra mim, já fui em muito jogo que o time era ruim de doer, 91 a 94, nunca vaiei e numa época mais rebelde arranjava encrenca porque mandava quem tava vaiando calar a boca. Até hoje me sinto culpado quando não tô lá e o time perde, o amor pelo Atlético é incondicional, quando fui nos meus primeiros jogos não esperava brigar por títulos ou glórias, qualquer vitória era lucro, quando sinto que tô ficando muito exigente com o Furacão, me lembro daquele tempo e decido simplesmente fazer a minha parte que é gritar até não ter mais voz. Fico triste quando vejo gente falando que não tá nem aí pro Paranaense. Se ganha ou perde não vai mudar meu amor, o que não pode é o Atleticano entrar em qualquer jogo sem a vontade de lutar. RAÇA FURACÃO, RAÇA TORCIDA RUBRO NEGRA , vamos fazer a nossa parte amanhã na Vila e esperar que cada um faça a sua dentro das quatro linhas. Feliz aniversário, torcida, elenco e diretoria, todos nós fazemos o Clube Atlético Paranaense.



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