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9 abr 2008 - 22h25

A manobra inteligente

Antes do jogo começar, foi respeitado um minuto de silêncio pela memória do ex-mandatário do time do estádio remendado do Juvevê.

Para quem viveu o futebol na década de 70 como eu, mesmo sendo uma criança, esse minuto teve alto significado.

Não que eu prezasse a figura homenageada naquele momento. Muito pelo contrário. Mas naquele minuto um triste pedaço da minha vida passou rapidamente na minha mente.

Sofria com as gozações dos meus colegas, no colégio luterano em que estudei – onde a maioria era esmagadoramente coxa – pelas constantes e amargas derrotas, principalmente nas finais de campeonatos. Minha infância como torcedor atleticano foi uma infância triste, sem títulos. Sem ter muito o que comemorar. Apenas vendo os outros comemorarem.

E aquele sr. bonachão, de olhos puxados, com grossas lentes que escondiam os olhos e os pensamentos, sempre manobrando para fazer do seu time campeão custasse o que custasse era o símbolo daquele sofrimento que parecia eterno. Um estrategista dos bastidores. Uma figura que me assustava.

Os meus colegas mais grotescos, mais violentos, eram todos coxas e os menores, com medo, se juntavam a eles. O domínio pela força, tirania, arrogância, superioridade da raça ariana, intolerância…

Nada é eterno. Felizmente.

Cerca de trinta anos separam aquela década horrorosa dos tempos atuais. Muita coisa mudou. Andaram baixando a bola. Já não são mais os mesmos. São fantasmas que não assustam mais. Pararam no tempo. Viram o Atlético ser campeão brasileiro e chegar a uma final de Libertadores, são açoitados pelas notícias da modernização atleticana. E vivem de administrações modestas e conturbadas. A semente plantada não foi boa.

Presidentes de clubes de futebol no Brasil são pessoas que atraem tantas atenções quanto os governantes. São amados por uns e odiados por outros, tal qual os governantes. Existem diferentes estilos de administração e alguns deles já estão no imaginário futebolístico nacional extrapolando a sua figura de presidente de clube de futebol para se tornarem personalidades acima do bem e do mal. Vicente Mateus, Eurico, Beto Zini, Márcio Braga, Francisco Horta e muitos outros. Diferentes estilos, mas seja do modo que for, sempre procuraram o melhor para seus times.

O Atlético sempre teve presidentes apaixonados pelo clube. Um deles chegou a morrer do coração durante um jogo e imortalizou a frase: Não deixem morrer o meu ATLÉTICO.

Durante o monótono jogo com o Iraty, um dos piores que já vi na minha vida, vejo um letreiro escrito www.caparanaense.com

Comparo com a frase do presidente atleticano falecido e vem a minha mente a figura do presidente coxa falecido.

O jogo era horrível e claramente se via que a estratégia rubro-negra era não querer ganhar, para enfrentar o Toledo na semifinal. Netinho batia faltas atrasando para o goleiro. No meio campo era proibido ser criativo. Léo Medeiros pode ser tudo, menos ala esquerda, Zé Antônio se estava em campo, ninguém sabe, ninguém viu, William e Nei, muito empenho e pouca efetividade. No meio disso tudo o Pimba foi uma grata surpresa, mas precisa ser menos temperamental e menos fominha.

Apesar da farsa, o Atlético está na semifinal e acho que essa estratégia foi boa. Os dois pseudo-grandes que se matem na semifinal. O caminho do Atlético parece ser mais tranqüilo, mesmo porque não tem Copa do Brasil no meio.

Foi uma manobra inteligente.

Agora quem manobra é o Atlético. Quem dá as cartas é o Atlético. O Atlético é superior atualmente porque tem uma administração equilibrada que sabe conciliar futebol e orçamentos. Mas ninguém é imune a críticas. E se elas existem é porque uma parcela da torcida está descontente e muitas vezes com razão. Esse negócio de caparanaense, por exemplo.Vamos assumir de vez o nome Atlético. Fala-se que Boca e River tem C.Atlético no nome, mas ninguém conhece o Atlético de Madrid por Madrid, certo?

Evangelino se foi e com ele foi também o que ele representou para nós atleticanos. Hoje o Atlético é um time respeitado nacionalmente e com potencial para se transformar num clube maior do que é. Este crescimento se baliza não apenas pela boa administração, mas também pelo respeito às tradições e à história do clube.

Estratégia para pegar o time mais fraco na semifinal, tudo bem, mesmo porque a campanha da primeira fase permitiu isso. Mas insistir com esse marketing tolo de mudança de nome é inadmissível. É uma estratégia fracassada que não levará a lugar algum.



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