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12 abr 2008 - 11h21

O Risadinha e o Atlético Paranaense

Sou um sujeito naturalmente avesso à publicidade pessoal. Também tenho sérias restrições a certos veículos de comunicação, em especial à Rede Globo, que justamente por ser líder de audiência, deveria aproveitar essa condição para prestar melhores serviços à educação e preservação da ética, moral e cultura brasileiras. Entendo, ainda, que a criação de redes de comunicação nacional vai retirando, aos poucos, as características sócio-culturais regionais, substituindo-as pela cultura carioca e paulista.

À cerca de dez anos, fui pego de surpresa em uma escola de música onde estudava com minha esposa e filhos para que fizéssemos uma rápida apresentação em família, que seria veiculada no jornal de meio dia, justamente da Rede Globo, o que de fato acabou acontecendo. Para meu espanto, aqueles poucos segundos na tela da TV foram suficientes para que, a grande maioria dos amigos e conhecidos passasse a me apontar como “artista” e outras colocações jocosas, o que só fez aumentar ainda mais minha aversão por esse tipo de publicidade.

Mas no dia seguinte recebi um telefonema de uma pessoa que com uma voz entusiasmada se identificou como antigo colega, dizendo: Você não vai se lembrar de mim, faz muitos anos que não nos vemos. Estou trabalhando aqui na região sudoeste do Estado e vi você na televisão. Aqui é o Risadinha. Confesso que até hoje, por mais que me esforce, não consigo lembrar quem era esse tal Risadinha, mas deve ter sido um grande amigo que, nas suas lides pelo interior, quando me viu lembrou-se, e teve a grandeza de encontrar meu telefone, ligar e externar com alegria a amizade que, por ele, não tinha sido esquecida.

Conto esse fato apenas para demonstrar o grande poder de penetração que dispõe a televisão e da imediata disseminação das imagens que projeta (positiva e também negativamente, diga-se de passagem). Hoje, é notório que times como o famigerado São Paulo ou o próprio Corintians têm mais torcida no interior do estado que o nosso Furacão. Se procurarmos a causa disso, com certeza vamos encontrá-la não somente nas origens do torcedor, mas na exagerada exposição que a mídia dá a esses times, em detrimento das agremiações que tem sede em nosso Estado, não sei se por força dos contratos mantidos com as redes ou por total despreocupação com as coisas da nossa terra.

Observo, também, que os dirigentes atleticanos demonstram real interesse na divulgação do nome do nosso querido Atlético, no sentido de transformá-lo de vez no Atlético de todos os paranaenses. As escolinhas de futebol são umas boas formas de criação de vínculo com nossas crianças, futuros adultos torcedores, mas fazem parte de meta de concretização em longo prazo. A veiculação na mídia, ao contrário, traz resultados imediatos. Por isso é tão procurada, tão eficiente… e tão cara.

Parece-me bastante evidente que para o nosso Atlético ser conhecido rapidamente em todo o Estado, tem que passar obrigatoriamente por uma exposição maciça. Certos dizeres conhecidos popularmente como “quem não é visto não é lembrado” ou “quem não se comunica se trumbica” precisam ser urgentemente levados em consideração. Não por mim que, como disse, sou avesso a essas coisas, mas pelo nosso Atlético que precisa disso para que possa se expandir e atrair mais investidores. Não é se escondendo que nos tornaremos conhecidos.

Hoje, como fica a nossa torcida quando o Furacão vai jogar no interior do Estado? A resposta é, vendo o Paraná ou Coxa (com perdão da má palavra) na TV, ou ouvindo algumas poucas rádios que ainda simpatizam ou pelo menos não são avessas às nossas cores.
Cadê o nosso Atlético?
Queremos ver e ouvir nosso time do coração onde quer que ele esteja, quando não podemos estar juntos. Ele também precisa se mostrar e atrair as pessoas para que torçam conosco, para que aqueles que ainda não estão contaminados pelo atleticanismo também passem a vibrar com as cores rubro negras. No entanto, porque não nos pagam o que pedimos, nos escondemos.

Como se não bastasse, sou surpreendido com a notícia que também será cobrado das emissoras de rádio a transmissão dos jogos. Espero estar errado nesse instante, mas a reação dessas emissoras não deverá ser pela adesão incondicional e irrestrita a esse plano, demonstrando todo o contentamento do mundo. Será que também ficaremos sem ouvir a transmissão dos nossos jogos pelo rádio?

Se o Atlético quer angariar torcedores, tem que ser o verdadeiro Campeão que sempre foi, é e será, mas deve tornar cada vez mais visível sua garra, a garra do seu time, a garra demonstrada no grito da torcida que precisa ecoar por todo o Estado e mostrar para o maior contingente possível de pessoas seu escudo, suas cores, seu invejável patrimônio. Se fosse dirigente, pagaria por isso. As empresas pagam para tornar conhecidos seus produtos e serviços. Se ao invés de pagar, recebemos alguns trocados, melhor ainda. Se o valor é pouco, não importa. Melhor que ficar ouvindo e vendo outros times da Capital e do interior do Estado promovendo-se a custo zero.

Na medida em que tivermos atingido nossos objetivos, concluído nosso estádio, constituído um time realmente imbatível, sem precisar estar vendendo ídolos e jogadores para o primeiro que acene com uma polpuda soma de dinheiro, quando tivermos tudo isso e conquistado a simpatia dos veículos de comunicação e, via de conseqüência, de todos os paranaenses, aí sim, poderemos cobrar, e muito. Para chegar a esse ponto, no entanto, temos que agregar ainda mais valores e pessoas e entendo que essa hora, apesar de estar próxima, ainda não chegou.

Mário Celso Petraglia tem o meu respeito – e creio que posso falar em nome da maior parte de nossos sócios e torcida -, como o maior dirigente e administrador de clube de futebol que já se viu em nosso país. Merece sem sombra de dúvida o reconhecimento de todos por tudo que já fez e ainda promete fazer pelo nosso Atlético. Guardo até hoje, com orgulho, um boné branco com seu autógrafo, cedido quando ele ocupava um camarote junto à torcida, ao término de um jogo da Seleção, fato que aconteceu depois de inaugurada a Arena. E acreditem que, na época, tive que enfrentar uma imensa fila para conseguir esse troféu.

No entanto, a ele tenho o dever – que brota do mais fundo da minha consciência -, de dizer que precisamos do dinheiro para atender nossas necessidades, sim. Mas o dinheiro não deve ser o senhor de todas as nossas ações. Há que se pensar no futuro e na grande massa de atleticanos que acompanham todos os dias, ansiosas, a trajetória do Clube Atlético Paranaense. Assim pensando, de modo mais intenso possível, devemos espalhar por todos os cantos e de forma positiva o nome desse magnífico Clube.

Há regras que dizem que muitas vezes se pode perder um pouco agora, para ganhar muito, mais tarde. Veja o que consegue, utilizando-se dessa filosofia, por exemplo, a também famigerada Massa Esportes. Não se trata, aqui, de utilizar a hipocrisia ou a ingenuidade de jovens talentos em benefício próprio, como parece que eles o fazem, mas de mostrar e deixar bem claro a todos, com consciência, visão de futuro, afastando o imediatismo, quem é de fato o Clube Atlético Paranaense e tudo aquilo que ele representa de bom para o esporte brasileiro.

Se agirmos dessa forma, com certeza eu, o Risadinha – que além de ser mais um telespectador na imensidão de nosso Estado, há de ser também um grande atleticano -, as pessoas que como ele são alegres e de bem, os que amam o futebol, nosso dirigente Petraglia, os demais dirigentes e colaboradores, os jogadores, torcedores, investidores, todos juntos, logo estaremos distribuindo sorrisos, risadinhas, risadas e gargalhadas, comemorando a existência de muito mais de vinte mil sócios, a conclusão da Arena, a maior torcida do Paraná que nessas alturas terá deixado bem distantes as demais, o melhor time e grandes conquistas com o apoio da imprensa, do rádio e da televisão. Todos caminhando céleres para arrebatar outros tantos brasileiros e fazê-los sentir o quanto é bom ser atleticano paranaense.



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