17 mar 2009 - 17h54

Atlético suspende comercialização do plano sócio ausente

O Atlético confirmou que não irá mais comercializar a modalidade do Sócio Furacão voltada aos torcedores não-residentes de Curitiba. A medida vale para os torcedores atleticanos que decidirem se associar a partir de agora.

A extinção do plano popularmente chamado de "sócio ausente" se tornou pública quando torcedores foram informados por atendentes do Espaço Sócio Furacão que a modalidade deixaria de existir. Também no site www.sociofuracao.com não há mais opção de escolha da modalidade.

Em entrevista exclusiva à Furacao.com, o presidente do Conselho Administrativo do clube, Marcos Malucelli, explicou que os atuais sócios da modalidade continuarão com o plano, independente da data de associação. “O torcedor que acreditou no clube e que já é sócio desta modalidade continuará pagando os R$ 25 mensais”, garantiu Malucelli. O clube ainda estudará se existirá reajuste ao término do contrato dos atuais sócios. Ou seja, ainda não está definido se a renovação será feita pelo mesmo valor.

Segundo o diretor de Relações Públicas e Marketing do Atlético, Roberto Karam, não existirá nenhuma compensação aos sócios, pois “o contrato está sendo cumprido conforme as cláusulas dispostas e acordadas”. Novas modalidades de planos – como planos sem direito à cadeira – serão estudadas após o término dos planos existentes.

Karam diz que a opção por não divulgar de forma ampla os ajustes nos planos do Sócio Furacão aconteceu para que o clube pudesse avaliar a receptividade da mudança através do contato individual com os sócios. “O índice de associação desta modalidade não chega a 10%, bem como a respectiva procura nova e também pelos atendimentos efetuados. Por isto, optamos pelo atendimento individual. Isso também possibilita obtermos melhores subsídios para a reavaliação”, explicou.

Fraudes

O Atlético tem hoje cerca de 1.500 sócios nesta modalidade. Estimativas preliminares apontam que eles comparecem a 65% dos jogos (um levantamento oficial ainda está sendo feito). Karam confirma que o clube tem dificuldades em avaliar se existem fraudes no sistema – torcedores residentes em Curitiba que optam pela modalidade – mas garante que o clube procura uma solução individual para cada caso.

“Existe alguma dificuldade de tempo para este trabalho. Os casos avaliados como tal serão contatados individualmente para solução dentro do diálogo e respeito necessário ao clube e aos demais associados”, observou. O clube pretende estudar ainda um sistema que possibilite que o sócio informe com antecedência que não comparecerá ao jogo, permitindo assim a revenda da cadeira. Contudo, ainda não há um levantamento financeiro desse projeto.

Impacto

Segundo Karam, o clube não acredita que exista um impacto significativo no número de adesões com a suspensão do plano: “o universo é relativamente pequeno comparado ao total de associações”.

A medida desagradou alguns sócios do clube que moram fora de Curitiba. Entre as principais queixas estão a falta de comunicação oficial e um suposto descaso do clube. “Fiquei sabendo a notícia através de um amigo meu que teve o seu pedido de renovação cancelado em função do fim da modalidade. Não houve nenhum comunicado do clube. Meu sentimento é de tristeza unicamente, tanto pelo fato do aumento do preço sem comunicado prévio, quanto pela perda da cadeira caso eu não possa renovar, por motivos financeiros”, diz Adit Miranda, que mora no Rio de Janeiro. Haroldo Beltrão, de Nova Esperança, interior do Paraná, também se queixa: “me sinto traído, pois quando o clube tinha 3.000 sócios eu era importante e agora não sou mais”.

Karam defende que o clube não alterou sua posição, mas procura novos formatos para se aproximar dos torcedores distantes de Curitiba. “O formato de aproximação também depende de um estudo que será feito após a avaliação deste plano”, diz. Segundo o diretor, o clube está aberto para receber sugestões e manifestações. “Qualquer manifestação será recebida e avaliada; mas esta avaliação será sempre baseada no contrato que rege as partes. É importante ressaltar que o clube deve sempre resguardar os direitos de todos os associados, cumprindo fielmente suas obrigações; da mesma forma estes devem zelar por seus deveres”.

Contrato prevê possibilidade de mudança

Uma cláusula no contrato do Sócio Furacão estabelece que, após 12 meses de vigência, o Atlético poderia alterar as condições contratuais, inclusive no tocante preço da mensalidade:

“1.1. Passados 12 meses de vigência, o Conselho Administrativo do CAP poderá alterar as bases negociais deste Título, inclusive taxa de manutenção e extensão de direitos aqui previstos. Fica garantido ao SF o direito de desistir do Título, sem ônus, caso não tenha interesse em manter-se sócio sob as novas condições. Nesse caso, SF somente podendo subscrever novo Título após decorridos 12 meses da data de assinatura de distrato amigável”.

Modalidades

Agora, o Sócio Furacão contempla duas categorias: com mensalidades de R$ 50 e R$ 25 (para menores de 18 anos). Em menos de um ano, o Atlético saltou de pouco mais de 3 mil sócios – números não oficiais – para 20.252 sócios com 21.389 cadeiras vendidas. Não existem mais cadeiras livres nos setores Getúlio Vargas e Buenos Aires, mas, ainda assim, há fila de espera para aquisição de cadeiras nestes locais.



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