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1 jun 2009 - 16h58

Ensaio sobre a cegueira, seção local

O Comando Maluco rubro-negro está fazendo o seu melhor. Creio fielmente nisto, pois justamente o melhor possível deles é o que aí se apresenta. Não há como superar o próprio limite. Novidade? De maneira nenhuma, pois nossas “sensações” a cada partida, desde 2005 são literalmente as mesmas, só mudam os atores, a peça é genuinamente igual. Não vemos seu ensaio, mas sabemos sobre começo, meio e fim dos seus atos, decoramos o bastante presumível script.

A diretoria demonstra de todas as formas seu puro amadorismo, quando implora pela adesão de sócios, anuncia-se como oposição no momento das eleições, faz promessas na base de chavões novelistas para iludir o eleitorado, mas ingenuamente apresenta, quando necessário, o discurso do “não é bem assim”.

A sustentar a falta de capacidade e até mesmo de competência de dirigentes e comissão técnica, lançam por fora placebos a mascara-la, ontem algo como “recorde de invencibilidade estadual”, hoje, a malfadada COPA 2014: podem escrever que o fato da Arena ser uma das sub-sedes, vai encobrir muita coisa podre em nosso reino, imediatamente a partir de hoje. O artifício jornalístico de desviar a atenção, continuará a ser o mote deste mandato, que não iniciou-se neste ano. Agora sim, na base do “tudo pela COPA”, o Atlético torna-se para eles, oficialmente supérfluo. Como se já não estivesse sendo deixado de lado, desde então.

Mas as evidências estão aí. A preparação física faz perder jogadores a la Sanador, por torcicolos, contusões, dores lombares, distensões musculares, a cada partida, remetendo-os ao departamento médico, onde são cuidadosamente tratados como reforço do exército de salvação. Sua ausência justifica toda e qualquer derrota. Nos segundos tempos, o escancaro do despreparo físico, mental, espiritual e principalmente psicológico, acaba ainda durante o terceiro ato, oferecendo, quer dizer garantindo a vitória para o adversário. Freudianamente, transferem a morbidez da equipe do DF (dep. Futebol) para o DM.

-“Ah, se eles estivessem liberados…” – balela. Estórias de carochinha que não dá sono nem em criança gorda e alva (coxa).

Geninho enfraquece a cada jogo, não é nem sombra do que foi em 2001: escala mal, substitui mal e principalmente, treina mal. Sim porque há meses o Atlético não tem padrão de jogo definido. Joga num amontoado, de acordo com o adversário, sempre na passividade. Mono-criterioso, monta sua equipe de acordo com o que os outros poderiam fazer. Tipo mostra o teu primeiro que eu mostro a minha depois. Mas nunca dá certo. É um problema deveras temporal.

Não se pode nem dizer que ele é adepto de uma corrente filosófica desportiva, tal a postura covarde que tem a equipe contra os mais variados times. Ontem, no lugar do “ala” direito, colocou um zagueiro. Com a repetição da formação do buraco no meio campo, coloca Wesley faltando apenas 15 minutos. Aonde quer chegar? Obviamente que a lugar algum. Quem não sai não chega. Joga na mídia que Vitória e Náutico têm o mesmo patamar que o nosso. Mente, porque o patamar deles é muito melhor. Melhor que o dele (Geninho).

Ou seja, seu lema é “hei de perder, mas de pouco”. Lota a escalação com jogadores lerdos, a “povoar” o meio campo, pois “é o que de melhor o Flamengo tem”: esqueceu-se do vôo dos outros urubus, dois ALAS de verdade e um Atacante (com maiúscula). Márcio Azevedo não desce, Raul muito menos. Márcio quando o faz, vai sozinho na base do “no peito e na raça”. Raul quando chega lá, volta.

Rhodolfo conseguiu entrar para a história do CAP: é o segundo pior zagueiro desde 1924. Ontem ele saiu da “marcação” do Adriano e disse para ele:

-“Vem baiano, vem. Faz o teu pra tua festa ficar mais completa. Mais tarde eu, que peso 30 quilos a menos e sou 15 anos mais jovem que você, perco na corrida e arrisco me expulsarem, aí a gente perde e dirão que foi porque ficamos com um homem a menos.” – o jovem ator de Ghost não sabe nem bater lateral. Mas tem cadeira cativa na titularidade. É o novo Danilo. Isto é, uma ferida aberta na defesa que, sem explicação alguma, continua como titular drenando nosso sangue, nós torcedores. Mas seu cabelinho moicano está em dia. Aí cabe uma séria pergunta:

-“Qual a verdadeira IDENTIFICAÇÃO de alguns destes jogadores que estão no Atlético? Seria com a mídia, com o mercado, com o patrocinador da chuteira, com a televisão? Porque conosco (Torcida), muito menos com o CAP, sinceramente não é!” – mas por que diabos o salário em dia e a estrutura do Clube não influenciam nisto…será que falta “bichos”? É esta a “motivação” que falta?

É só observar: o time na maior parte do tempo, não sabe o que fazer com a bola. Apenas Julio dos Santos tem noção disto. A justificativa de encher de zagueiros e volantes para não tomar gol chega a ser bisonha, em face das derrotas que estão colecionando. Aliás, o time já entra em campo com cara de derrota.

E eu me pergunto onde estava Julio dos Santos nas primeiras partidas, onde está Rafael Santos agora. Para onde foi Fransérgio. E por que razão só existem dois meias-armadores natos no elenco. Por que Raul e Marcinho pararam de jogar. Wesley só joga alguns minutos. Passa pela minha cabeça a dúvida de para onde foi onde o dinheiro do superávit 2007 e onde está o dinheiro dos milhares de novos de sócios.

São muitas dúvidas para uma só torcida. Ainda bem que poucos não conseguem enganar muitos por muito tempo. Resta saber até quando irá este tempo. Porque 10% dele já era. Sem contar as horas da janela que vem pela frente, pela qual provavelmente Wallyson vazará.

Mas o discurso vem e confirma o amadorismo, quando dirigente e técnico clamam por atacantes, achando que esta é a maior necessidade do time. A dupla de zaga mais o improvisado Chico, já provou que serve apenas para dar chutões à frente, marcar só a bola, dar passes errados, abrir espaço para os outros, botar as mãozinhas para trás e abrir as pernas nos cruzamentos e chutes do inimigo, grudar no solo nos cruzamentos em nossa área, levar amarelos e agora fazer gols-contra, ou seja, determinar a alegria dos adversários.

Tenho nojo de prolixidade, mas tudo se repete e ninguém quer ver. Todo mundo vê mas ninguém fala. Todo mundo fala mas não faz nada. Tal qual foi com Fluminense, Atlético Mineiro, Botafogo, Palmeiras, Corinthians e Vasco, que tanto assim sucessivamente fizeram , que caíram para a segundona. O Grêmio aprendeu como não se faz. Nós estamos no mesmo caminho, pela 4ª vez.

-“Mas a COPA está aí, será que você não vê, seu cego?”

Repito, a COPA não é do CAP. Não é o momento certo para uma COPA na Arena. A COPA, anotem, será muitíssimo prejudicial ao Atlético. Só por causa do momento, que na verdade é uma fase, que vem vindo desde 2005. Temos prioridades tamanhas, que não sediar uma COPA. No Clube, o término do estádio, deveria ocorrer sem vínculo algum com este evento. A espetacular estrutura do CT não está trazendo frutos como devia. O balanço da hora para a noite ficou negativo. Há jogadores que não têm mínima capacidade de jogar aqui. Fora do Clube, não comentarei as verdadeiras prioridades, as cidadãs, no país da corrupção política, do desmando financeiro, da falácia tributária, da miséria educacional, do sub e do desemprego, do caos na saúde.

Precisaríamos arrumar a casa, antes de convidar alguém para entrar. Se isto for feito até lá, e eu tiver que me desculpar pelo que estou falando hoje, tenho humildade suficiente para reconhecê-lo. Mas eu, você e a Torcida rubro-negra não vamos assistir jogos da COPA de dentro da Arena. É necessário distinguir o bem que fará para a cidade, da indiferença para nós.

O paradoxo que a nação Atleticana atravessa há 4 anos, com Arena e CT de um lado, versus os péssimos times de outro, deve servir de base para reflexão sobre os motivos da coisa estar assim. Dentro do Reino, há muita obscuridade. No campo, suas conseqüências. Vê quem quer, quem não quer tapa os olhos e dá vivas à COPA, clama pela volta do Messias, ou simplesmente aluga-se à FIFA e empresta sua consciência à Ricardo Coração de Teixeira, aquele mesmo que escolheu Curitiba como a 12ª sub-sede. Fossem 10, estaríamos fora. Pegue sua bandeirinha amarela e vá torcer pela legião estrangeira do anão esticado a técnico Dunga, recheada de Tranças-Love e Donis da vida.

Mas torça pela TV. Porque aqui vai passar Polônia x Argélia. Coréia do Sul X Costa Rica. Ingresso em dólar. O Brasil não virá jogar aqui, também porque não existe mais Brasil. 1982 houve a última Seleção BraSileira. O resto, foram emigrantes que reuniram-se para desfilar pelo BraZil (claro, excetuando Kléberson) nos gramados, palcos de vindouros contratos altamente lucrativos no mercado internacional da bola. Para eles. Os usurpadores da matéria prima nacional, agora da força de trabalho, amanhã da consciência.

Lá do além mar, José Saramago avisou, de uma outra forma. Mas tem gente que insiste em não ler a vida.



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