13 out 2010 - 14h05

Nem todo jogador que reluz é Bola de Prata

O Atlético é o 7º colocado no Campeonato Brasileiro, com 43 pontos em 29 partidas. Venceu equipes fortes, como Botafogo, Santos e Internacional. Teve o goleiro Neto convocado para a Seleção Brasileira. E vem recebendo elogios dos principais cronistas esportivos do país. Mas não tem nenhum atleta sequer na lista dos 10 melhores jogadores de cada posição da Bola de Prata da Revista Placar.

A Bola de Prata é o mais tradicional premiação do futebol brasileiro. Foi instituída pela Placar em 1970, para premiar os melhores atletas do Torneio Roberto Gomes Pedrosa – o Robertão – campeonato precursor do atual Brasileirão, iniciado no ano seguinte. Desde então vem premiando os melhores jogadores de cada posição (um goleiro, um lateral-direita, dois zagueiros, um lateral-esquerda, dois volantes, dois meias e dois atacantes). Figurar na seleção dos melhores da competição é uma honra e uma referência de qualidade para o atleta. Basta dizer que o maior vencedor é Zico, com cinco bolas de prata e duas de ouro.

Ao longo da história, os jogadores do Atlético já conquistaram nove troféus: duas bolas de ouro (Roberto Costa e Alex Mineiro), seis bolas de prata (Roberto Costa, Alberto, Gustavo, Alex Mineiro, Kleberson, Washington) e uma taça de artilheiro (Washington). O Rubro-Negro é o clube paranaense mais vitorioso da premiação.

Neste ano, porém, o Furacão não tem nenhum representante na lista dos Top10 de cada posição. A ausência causa espanto porque a campanha pode ser classificada como boa ou ao menos razoável. É concebível que o time não tenha nenhum atleta da seleção do campeonato. Mas parece um contrassenso o fato de um time classificado entre os dez melhores não ter nenhum jogador de seu elenco entre os dez melhores da posição.

Critérios

Segundo o site da Placar, o Bola de Prata funciona do seguinte modo: “Os jornalistas de Placar assistem, sempre nos estádios, a todas as partidas do Brasileirão e atribuem notas de 0 a 10 aos jogadores. Encerrado o campeonato, receberão a Bola de Prata os craques que tenham sido avaliados em pelo menos 16 partidas”.

Portanto, os atletas são avaliados jogo a jogo e a nota final é uma média aritmética de todas as suas atuações. O objetivo é premiar os mais regulares, e não aqueles que porventura tenham uma atuação espetacular e outras muito ruins. Para figurar entre os melhores, é preciso manter uma nota média geralmente acima de 6,0 (o jogador com a melhor média no momento é o cruzeirense Montillo, com 6,62).

Segundo Arnaldo Ribeiro, redator-chefe da Placar e editor da Bola de Prata, os jogadores começam a partida com nota 5,5 e vão ganhando ou perdendo pontos de acordo com a atuação. Cada jogo é avaliado por apenas uma pessoa, que em geral é a mesma para todos os jogos do time em casa. O jornalista assegura que não há diferenças muito grandes entre avaliadores de diferentes estados: “Isso já esteve muito mais complicado. A gente tem uniformidade de critérios, independente do estado, eu posso garantir”.

Teorias e fatos

Um argumento para justificar a ausência de jogadores do Atlético na lista dos Top10 seria o de que nem sempre o sucesso coletivo é fruto da qualidade individual. Ou seja, em tese seria possível uma equipe obter bons resultados mesmo sem contar com os melhores jogadores em cada posição. Em outras palavras, seria um time esforçado, com bom conjunto, mas sem jogadores de destaque.

A história do futebol está cheia de exemplos desse tipo. De fato, até se pode imaginar que um time seja campeão de um torneio sem ter os melhores jogadores da competição. Mas fazer uma boa campanha e não ter nem ao menos um jogador entre os dez melhores parece escapar da margem de razoabilidade. É pouco provável que existam dez jogadores em cada posição com melhor desempenho do que todos os atletas de uma equipe que faz com folga uma das dez melhores campanhas.

Além disso, a avaliação do desempenho individual de alguns jogadores do Atlético também derruba esta tese. Por suas atuações no Brasileiro, o goleiro Neto foi convocado para a Seleção Brasileira principal. Na avaliação do técnico Mano Menezes, ele é hoje um dos três melhores goleiros do país. Para o Bola de Prata, Neto é apenas o décimo segundo melhor goleiro do Campeonato Brasileiro.

Outros jogadores vêm sendo elogiados por seu desempenho nesta competição, como os zagueiros Manoel e Rhodolfo, o volante Chico, os meias Paulo Baier e Branquinho e os atacantes Guerrón e Maikon Leite. A própria Placar já reconheceu o destaque de alguns desses jogadores no Brasileirão, revelando que eles têm sido observados pela comissão técnica da Seleção Brasileira e despertado o interesse de outros clubes. “Apesar de o Atlético estar fazendo boa campanha, é um time que rodou bastante. Hoje tem uma base forte do meio para trás e do meio para frente o time se reinventou sob o comando do Carpegiani”, afirma Arnaldo Ribeiro, apresentando sua justificativa para a ausência de jogadores atleticanos na lista dos melhores.

A comparação com uma outra premiação aos melhores jogadores do Campeonato Brasileiro confirma a distorção da Bola de Prata. O Troféu Armando Nogueira, do GloboEsporte.com, elege a seleção da rodada. Por 17 vezes um jogador do Atlético esteve entre os melhores, com destaque a Rhodolfo (quatro indicações), Manoel e Paulo Baier (três cada). Isso significa que o Rubro-Negro não é apenas uma espécie de time que só obtém sucesso coletivamente, mas também conta com destaques individuais.

Mesmo o redator-chefe da Placar admite que alguns jogadores do Atlético deveriam estar entre os melhores. “Se eu particularmente fosse opinar sobre o time do Atlético, sobre o desempenho dos jogadores, eu destacaria a dupla de zaga, o goleiro, o volante, estão fazendo um bom campeonato, à primeira vista eles teriam lugar, o Manoel, Chico, Rhodolfo, Neto, entre os 10 primeiros da posição”, afirma. Porém, a Bola de Prata é formada pelas notas atribuídas pelos avaliadores dos jogos e a Revista não dá palpites sobre as notas. “O critério é muito claro. A gente não interfere na nota dada pelo avaliador que foi ao estádio”, diz o redator-chefe.

Outras equipes

A ausência de atleticanos entre os melhores da Bola de Prata causa ainda maior espanto quando se faz um levantamento dos jogadores dos outros times. Dos 20 integrantes da Série A, apenas quatro não têm nenhum jogador nos Top10 de nenhuma posição: Grêmio Prudente, Goiás, Atlético Mineiro e Atlético. A diferença é que Prudente, Goiás e Galo são os três piores times do campeonato, enquanto que o Atlético é o sétimo colocado.

Mesmo quando o Atlético atingiu a sua melhor colocação neste Brasileiro (5º lugar), nenhum jogador atleticano esteve entre os Top10. Por outro lado, times com campanha muito inferior à atleticana conseguiram emplacar jogadores entre os melhores de suas posições. O Flamengo e o Avaí, por exemplo, têm três jogadores nesta condição. O Palmeiras, que faz uma campanha parecida com a do Furacão, tem sete jogadores figurando na relação dos Top10 da Bola de Prata.

A situação do Atlético é inusitada também na história da Bola de Prata. Na era do Brasileirão de pontos corridos, jamais uma equipe classificada em 7º lugar deixou de ter jogadores entre os melhores. Em 2007, por exemplo, o Palmeiras terminou em sétimo lugar, com cinco jogadores entre os Top10 das posições e uma Bola de Prata (Valdívia).

Dados

A seguir estão relacionadas algumas informações interessantes sobre as notas da atual edição da Bola de Prata e um comparativo com as edições anteriores e outros prêmios similares.

Atleticanos na Bola de Prata 2010

Goleiro: Neto (12°) – 5,77
Lateral-direita: Wagner Diniz (19°) – 5,08
Lateral-esquerda: Paulinho (12°) – 5,4
Zagueiro: Rhodolfo (15°) – 5,65; Manoel (21°) – 5,55/22
Volante: Chico (38°) – 5,44
Meia: Paulo Baier (19°) – 5,61
Atacante: Branquinho (19°) – 5,64; Maikon Leite (26°) – 5,55; Guerrón (27°) – 5,54; Bruno Mineiro (36°) – 5,19

Clubes com atletas Top10 na Bola de Prata 2010

Cruzeiro: 8
Fluminense: 3
Corinthians: 9
Internacional: 5
Santos: 8
Botafogo: 8
Atlético: 0
Grêmio: 3
Palmeiras: 7
São Paulo: 3
Ceará: 2
Vasco: 3
Guarani: 2
Flamengo: 3
Vitória: 1
Avaí: 3
Atlético-GO: 2
Atlético-MG: 0
Goiás: 0
Prudente: 0

7° colocado do Brasileiro com jogadores no Top10

2009 (Atlético-MG) – 1 (uma Bola de Prata – Diego Tardelli) *
2008 (Botafogo) – 3
2007 (Palmeiras) – 5 (uma Bola de Prata – Valdívia)
2006 (Figueirense) – 3
2005 (Paraná Clube) – 4
2004 (Juventude) – 6
2003 (Atlético-MG) – 3

* Estão disponíveis apenas os dados dos Top5 da Bola de Prata 2009. Por isso, é possível que mais jogadores do Atlético Mineiro tenham ficado entre os Top10

Atleticanos na seleção da rodada do Troféu Armando Nogueira 2010

Rhodolfo: 4
Manoel: 3
Paulo Baier: 3
Wagner Diniz: 2
Branquinho: 1
Bruno Costa: 1
Chico: 1
Neto: 1
Paulinho: 1

Comparativo Troféu Armando Nogueira (TAN) x Bola de Prata (BP)

4ª rodada
Wagner Diniz (7 – TAN) (5 – BP)

6ª rodada
Paulo Baier (s/n- TAN) (8 – BP)

10ª rodada
Wagner Diniz (6,5 – TAN) (5,5 – BP); Bruno Costa (7,5 – TAN) (6,5 – BP); Paulo Baier (7 – TAN) (6 – BP)

11ª rodada
Manoel (7 – TAN) (6 – BP); Paulo Baier (6,5 – TAN) (6,5 – BP)

16ª rodada
Rhodolfo (6,5 – TAN) (6 – BP)

18ª rodada
Manoel (6 – TAN) (5,5 – BP); Chico (7 – TAN) (6,5 – BP); Branquinho (7,5 – TAN) (6,5 – BP)

23ª rodada
Rhodolfo (7 – TAN) (6 – BP)

24ª rodada
Rhodolfo (7,5 – TAN) (6 – BP)

26ª rodada
Rhodolfo (7 – TAN) (6,5 – BP)

27ª rodada
Neto (8 – TAN) (7,5 – BP); Manoel (7 – TAN) (6 – BP); Paulinho (7 – TAN) (5,5 – BP)

Colaboração: Wellington Carvalho (Furacao.com)



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