Marmelada de Roman (os anos 70 estão de volta!)

‘Marmelada de banana/bananada de goiaba/Goiabada de marmelo/Sítio do Pica-Pau amarelo/Sítio do Pica-Pau amarelo’.

Essa musiquinha do Gilberto Gil marcou os episódios do Sítio do Pica-Pau amarelo que passavam na TV Globo, isso lá nos anos 70/80 do século passado.

Quem, como eu, está na casa dos 35/40 anos lembra bem da musiquinha e dos episódios.

Narizinho, Dona Benta, Visconde de Sabugosa, Saci, Tia Nastácia, Cuca, Pedrinho, Marquês de Rabicó (personagem coxa) e Emília: estes, dentre outros, garantiam aventuras, risos, emoções e fantasias na vida da gurizada que, presa nos prédios de Curitiba, só via a natureza e sua exuberância quando ligava ‘no 12’ (hoje RPCTV) para assistir ao Sítio.

Aí o leitor pergunta: ‘Mas o Rafael vai falar de Sítio do Pica-Pau amarelo num espaço dedicado ao futebol?’.

Aí eu respondo: Calma, Amigo, que até o final dessas maltraçadas linhas tudo fará sentido!

Há pouco acabou Ervilhas 1×0 Tutubarão (Tutubarão era um desenho animado que passava quando eu era piá, se não me engano passava no ‘6’). Pois vejam, acabou há pouco Paquitas 1×0 Tubarão. No apito esteve o Roman. Arbitragem no mínimo polêmica (aliás, atuação das piores do trio).

O soprador de latinha expulsou um atleta do Londrina e, consigne-se, o caboco não merecia ter sido expulso; mas foi pra rua.

Mandando pro chuveiro mais cedo um valoroso atleta da representação do Norte do Estado, a ‘Excelença’ amoleceu a rapadura para a dentadura verde.

Eu, secando os azeitonas no meu sofá, pensei: ‘É hoje que o apito-amigo vai fazer de novo a diferença a favor dos coxinhas!’. Infelizmente, eu estava certo: no segundo tempo o Tutubarão empatou a partida num gol olímpico, lance no qual o Vanderlei mostrou toda a sua habilidade de goleiro de várzea.

Um frangaço, uma penosa que decretaria o empate e que botaria o Vanderlei na cerca de novo, dando lugar ao Edson Bastos, aquele que tantas alegrias nos deu quando tomou o segundo gol do Vasco na insólita decisão da Copa do Brasil-11.

Só que o frangaço não se confirmou porque o trio de arbitragem resolveu ver o que ninguém tinha visto e anulou o tento de igualdade do time do Londrina.

Novidade nenhuma, afinal o time verde do Pinga-Mijo faz uns 102 anos que é ajudado pelos ‘magistrados da latinha’.

Duvidam?

Consigno, com fonte e tudo: ‘Livro “CAP – Uma Paixão Eterna”, página 150, confissão do coxa Munir Calluf em entrevista ao Diário da Tarde, do dia 12 de junho de 1972. Munir afirma ter SUBORNADO, COMPRADO E FEITO HORRORES PARA QUE O COXA FOSSE CAMPEÃO DO ESTADO DO PARANÁ!’.

Neste ponto, faço a pergunta: se estivesse Xoxa 0x1 Tutubarão e o tal de Linco (escrevo assim mesmo, pois não tenho obrigação de escrever nome de gringo se estamos no Brasil!) empatasse o jogo – exatamente como aconteceu na cobrança do Londrina, com a bola descrevendo a mesma trajetória – algum dos senhores acha que a arbitragem teria impugnado o lance? Mas nem a pau! O trio daria o gol e fim de papo.

A roubalheira ocorrida há pouco no Pinga-Mijo me fez recordar dos anos 70 do século passado, tempos em que a coxarada tinha de vencer por bem ou por mal.

Tempos em que o apito só trilava a favor dos azeitonas assassinas, tempos em que a imprensa fechava os olhos para a bandalheira coxa e não me perguntem o porquê (muitos devem ter enchido os bolsos e a barriga às custas do dinheiro coxa, muitos ainda devem encher bolsos e buchos às custas do mesmo cofre).

E como a sensação é de ter retornado aos anos 70 do século passado,lembrei-me da musiquinha original do Sítio, sobre a qual dá até pra arriscar uma paródia:

‘Marmelada de Roman/apito-amigo não acaba/Ajudaram o Marcelo/Sinto no ar cheiro de marmelo/Sinto no ar cheiro de marmelo’.

Quase 40 anos se passaram desde a entrevista do Munir Calluf, mas a julgar pela sujeira que a gente vê agora, uma vez mais reprisada, só se pode chegar a uma conclusão: A VERGONHA É VERDE!

E perguntar não ofende: a crônica esportiva vai ficar/continuar calada?

P.S.:

1. Parabéns, Curitiba, por seus 319 anos!

2. ‘Esta é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito’ (Millôr Fernandes).

Obrigado por tudo, Mestre! Você fez deste Mundo um lugar Millôr pra gente viver!

Saudades…