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24 fev 2013 - 17h08

Shakespeare e o Atletiba

Leio aqui alguns de nós suspirando por um time mais experiente para o Atletiba de amanhã, dia 24 de fevereiro. Muitos temem por uma humilhação. Contudo, uma coisa que não deve ser esquecida, é que onde estiver o manto rubro-negro, haverá luta.

Lembro então da cena III no ato V da peça de Shakespeare, Henrique V. Nesta cena, na véspera da batalha de Agincourt, os ingleses em menor número e devastado pelas doenças estão prestes a entrar em combate com o exército Frances, com um número 5 vezes maior de soldados descansados e saudáveis. Pouco antes da batalha, Henrique V reúne seu pequeno exército e proclama o discurso famoso.

Em nossa equipe felizmente não há ninguém doente e os dois times entram cada um com 11 jogadores.

Mas para a imprensa verde, é como se fossemos um bando de garotos desprovidos de fibra e coração. Assim, eles esperam com ansiedade um massacre de nossos meninos. Ainda mais que será em reduto adversário e o número de torcedores verdes será pelo menos 5 vezes maior.

Ensinam inclusive, em manchete, como fazer para Alex nos “despachar”. A vitória já é deles. Não esperam resistência.

Vendo isto tudo, lembrei do discurso de Henrique V e por isso o parafraseio em homenagem ao jovem time Atleticano que entram em campo amanhã.

“Não, meus simpáticos companheiros rubro-negros, se estivermos destinados a perder, não temos necessidade de mais homens do que aqueles que lá estarão; e se vencermos, quanto mais jovem e inexperiente nosso time, maior será para cada um a parte que lhes caberá de honra. Por favor, não desejem um homem a mais.

Não meu irmão rubro-negro, não desejes um único jogador a mais de nosso plantel. Pois nenhum destes jovens desejaria perder tão grande honra, pela melhor das esperanças, pois um homem a mais talvez quisesse partilhá-la com eles. Oh! Não anseies por um homem a mais! Proclama, antes, que pode retirar-se aquele que não tiver coragem para lutar; entreguem-lhe o passaporte e ponham-lhe na bolsa algum dinheiro para que possa viajar; não desejaríamos amargar a derrota em companhia de um homem que tivesse medo de perder vestindo nossas cores.

Amanhã é o dia 24 de fevereiro, quem sobreviver a este dia voltará para casa, e ficará na ponta dos pés toda vez que falarem no dia de hoje e crescerá só com a lembrança da data. Quem sobreviver a este dia e chegar à velhice, anualmente, na véspera desta data, convidará os amigos e dir-lhes-á: “Amanhã é dia 24 de fevereiro.” Então fechará os olhos, e apenas com ajuda da memória, dirá: “Ainda guardo no coração as marcas da lembrança do dia 24 de fevereiro de 2013.“

Os velhos esquecem, entretanto, aquele que de tudo se tiver esquecido, lembrar-se-á, mesmo assim, com satisfação, das proezas que nosso time realizou naquele dia. E então, os nomes de nossos heróis serão tão familiares em suas bocas quanto os nomes de seus parentes; a escalação inteira do time será proclamada na lembrança viva e saudável, com taças espumantes. Esta história será ensinada pelo bom homem ao filho e, desde este dia até o fim do mundo, o dia 24 de fevereiro nunca passará sem que esteja associada à nossa recordação, de nosso jovem e inexperiente time, de nosso feliz bando de irmãos; porque, aquele que hoje molhar de suor a camisa de nosso Atlético será meu irmão; e Shaesta jornada enobrecerá sua condição.

Porque aqueles que não estiverem em campo, sentir-se-ão amaldiçoados pelo fato de não terem estado lá e considerarão de baixo preço a própria glória, quando ouvir falar um daqueles que combateram com nossas cores no dia 24 de fevereiro de 2013!

E lembrarão do brado de nossa pequena torcida, como a soma dos rugidos de mil leões.”

Saudações rubro-negras a todos. Se perder, perdemos. Mas se ganharmos será um dia para não se esquecer jamais.



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