16 jan 2016 - 17h40

Ex-parceira do Atlético, AEG enfrenta problemas no país

Atraída pela Copa do Mundo de 2014, a americana AEG, gigante global de gestão de arenas esportivas, vive dias difíceis no Brasil. Um ano e meio após o encerramento do torneio, a empresa está em litígio com seus principais clientes e já fala em deixar o país.

O conflito mais agudo está sendo travado com a construtora WTorre, dona dos direitos de exploração do Allianz Parque, estádio do Palmeiras. A AEG cobra da construtora o recebimento de cerca de R$ 4 milhões atrasados e na semana passada enviou uma notificação extrajudicial requisitando o recebimento os valores.

Os problemas, entretanto, não param por aí. A empresa também anda às turras com a Odebrecht, com quem tem parcerias na Arena Pernambuco e no Maracanã. A operação deficitária dos dois estádios complicou a situação da empreiteira, que está renegociando os contratos firmados com os governos estaduais.

Responsável pela gestão de arenas famosas, como o Staple Center, em Los Angeles, a AEG começou a fazer negócios no Brasil em 2011, quando a viabilidade econômica dos 12 estádios encomendados para a Copa era questionada. Os defensores dos bilionários investimentos garantiam que shows e eventos fechariam o buraco deixado pelo futebol.

A AEG era frequentemente apresentada como detentora da fórmula para tornar lucrativas as arenas "multiuso". Em alguns casos, como a Arena da Baixada, em Curitiba, a empresa apenas assessorou a construção do estádio para torná-lo apto a receber eventos que fossem além de duas traves e quatro linhas.

Em outros casos, como no Allianz Parque, a missão era atrair e promover os eventos. De acordo com a WTorre, não foi isso que aconteceu. A construtora até reconhece a existência de eventuais débitos com a AEG, mas alega que a empresa americana não entregou o que prometeu.

Um exemplo mencionado é o próximo show dos Rolling Stones. Marcado para fevereiro, o evento acabou indo para o Morumbi, estádio do São Paulo Futebol Clube. A WTorre argumenta ainda que a maioria dos eventos realizados até agora no Allianz Parque foi captada pelo braço de entretenimento da construtora, e não pela AEG.

Outra crítica foi direcionada ao amistoso entre Brasil e México, realizado no estádio do Palmeiras em junho do ano passado. De acordo com a WTorre, a AEG "ignorou" a existência do feriado de Corpus Christi e atrasou o envio de convites para a partida. Na avaliação da construtora, a empresa americana "subestimou" o mercado brasileiro.
Diante dos problemas frequentes, a WTorre pediu uma remodelagem do contrato, que está sendo negociada entre as partes. O mesmo está acontecendo na Arena Pernambuco e no Maracanã, onde a Odebrecht tem atrasado os pagamentos pelos serviços de gestão prestados pela AEG.

No caso de Pernambuco, a Odebrecht diz que tem cumprido suas obrigações contratuais, mas diz que "eventuais problemas causados pela falta de pagamento das contraprestações devidas pelo Estado de Pernambuco serão solucionados da maneira mais rápida possível e em termos razoáveis para as partes".

O estádio é uma parceria público-privada, por meio da qual o governo estadual deveria completar eventuais frustrações da receita prevista na operação. A construção da arena também está sendo paga pelos cofres públicos, mas o governo quer revisar o contrato e encomendou um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para passar um pente fino nos valores acordados.

Fortemente questionada antes do início das obras, a Arena Pernambuco integrava um projeto ambicioso, batizado de Cidade da Copa. A ideia do governo era fomentar a expansão da região metropolitana do Recife, usando o estádio como chamariz para a atração de grandes investimentos imobiliários, como shopping, universidades e condomínios.

Nada saiu do papel e a arena – localizada no município de São Lourenço da Mata – vive praticamente às moscas. É utilizada quase que exclusivamente pelo Náutico, time de menor torcida entre os três principais clubes de Pernambuco. O governo se defende, alegando que a Copa trouxe importantes investimentos, sobretudo em mobilidade.

No Maracanã, onde a AEG detém participação de 5% no consórcio que administra o estádio, o imbróglio é parecido. A Odebrecht, que controla o consórcio, quer devolver para o governo do Rio a arena, que vem dando prejuízo desde que sua bilionária reforma foi concluída, em 2013.

Apesar de ter participação societária no consórcio, a AEG também cuida da operação do Maracanã e alega que não está sendo remunerada. A Odebrecht informou, por meio de sua assessoria, que não iria comentar este caso.
Outra operação frustrada para a AEG está em Porto Alegre, na Arena do Grêmio. A empresa prestou consultoria para o clube e estava na expectativa de assinar contrato para a gestão do estádio, mas os problemas enfrentados pela OAS – que está em recuperação judicial e envolvida na Operação Lava-Jato – colocaram os planos em banho-maria.

Apesar das inúmeras queixas feitas nos bastidores, oficialmente a AEG diz apenas que está negociando as pendências com os clientes de forma "amigável".



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