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23 maio 2016 - 20h23

Ainda existe o juiz ladrão?

Com o advento do futebol moderno – sofisticado, tecnológico e científico –, a figura clássica do juiz ladrão parece ter perdido espaço. Parece, apenas.

Não se veem, hoje em dia, os larápios de antes, dispostos a fabricar os resultados mais improváveis, os lances mais absurdos, as cenas mais bizarras que o imaginário boleiro poderia conceber. Saiu de cena o canalha fundamental da crônica rodrigueana. Faz parte do passado, da literatura de um tempo romântico. O canalha fundamental foi substituído por outra categoria de canastrões.

Suas excelências, agora, se apresentam impecavelmente fardados: goma nos cabelos, músculos de academia e arrogância coxinha. As recomendações da CBF e seus líderes impolutos transformaram a arbitragem em técnica obediente e precisão de araque. Surgiu a ditadura do apito, cujos membros se sentem autorizados a cometer erros (sutis ou nem tanto) e punir quem não concorda com eles. Faz parte da construção do futebol chato e quadrado jogado em arenas milionárias.

Pois bem. Diante de tanta informação, de tantas imagens e ângulos, onde está o juiz ladrão? O juiz ladrão está nos detalhes do jogo, nas inversões de faltas, nas provocações de bastidores, nos gestos exagerados. O juiz ladrão está no cartão que expulsa jogador ou técnico de um time e tolera abusos vindos do lado contrário. Está nos critérios que beneficiam um e prejudicam outro. Está na súmula escrita em mau português e “carregada” de acusações unilaterais.

Se estivesse vivo, Nelson Rodrigues desmascararia o juiz ladrão que esteve na Baixada no dia 22 de maio de 2016, numa manhã em que nosso time jogou pouco mas deveria ter ganho e somente empatou. O juiz ladrão, o canalha fundamental, fez o serviço sujo e foi embora da cidade, roubando-nos a paciência e dois pontos preciosos.



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