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7 nov 2016 - 7h18

Não queremos um Clube Atlético Sintético

Nasci em Curitiba e desde que me conheço por gente sou apaixonado por esse time chamado Clube Atlético Paranaense. Minha família, do interior de São Paulo, veio morar em Curitiba pouco antes de eu nascer. Hoje, todos, apesar das raízes paulistas, e graças à minha influência, moram em Curitiba e são atleticanos.

Lembro que quando moleque fui muitas vezes de Interbairros até o Pinheirão sofrer pelo nosso time, até então sem teto. Eram dias muito difíceis para nós torcedores, pois as condições eram precárias, aquela arquibancada de cimento gelada não traz hoje boas recordações pra ninguém. Lembro também da final de 1985 na antiga Baixada, quando fomos campeões paranaenses em cima do Londrina, vencendo-os por 3×0. Tenho até hoje recordações daquele jogo guardadas comigo. Na época tinha 15 anos e foi um dos últimos jogos que assisti morando em Curitiba.

Devido à minha profissão de Oficial Aviador exigir movimentações constantes, desde os 16 anos, quando ingressei na FAB, não moro mais em Curitiba. Já morei em diversas cidades do Brasil e do exterior, mas nunca deixei de acompanhar o meu Furacão. Lembro que no dia 23/12/2001, por exemplo, comemorei como uma criança o título brasileiro nas ruas de Florença, não contendo o choro, diante de italianos que não entendiam nada do que estava acontecendo. Recentemente, em 2013, quando morava no Rio, assisti no Maracanã a final da Copa do Brasil com minha filha, que tinha 11 anos na época. Naquele jogo eu senti de novo a força da nossa torcida, pois éramos 7.000 almas apaixonadas e alucinadas. Mesmo perdendo o título, deixamos 70.000 flamenguistas boquiabertos com nossa raça, união e força. Reportagens dos jornais do Rio, no dia seguinte ao jogo, destacavam o título do Flamengo, mas também o comportamento guerreiro da nossa torcida.

Hoje estou morando em São José dos Campos – SP e, pela distância pequena, tenho ido a Curitiba para visitar meus pais e assistir a alguns jogos do Atlético. Na minha última ida a Curitiba, fui de novo com a minha filha, agora com 13 anos, assistir ao primeiro jogo do segundo turno do Brasileirão desse ano, em que perdemos do Palmeiras por 1×0. Tirando o impacto extremamente positivo que tive ao ver a nossa majestosa Arena, que em nada parece aquela de 1985, fiquei decepcionado com o comportamento da nossa torcida. Logo a torcida do Atlético, considerada uma das mais vibrantes do Brasil, que empurrava o time embaixo de chuva, frio, em qualquer condição, estava estática e sem vida. Não conseguia acreditar no que meus olhos viam. Até minha filha comentou que aquilo em nada parecia o nosso Furacão.

Deixando um pouco a nostalgia e a emoção de lado, vamos refletir de forma fria em relação ao que fomos no passado e o que somos agora. Enumerando algumas declarações que surgem hoje na mídia, vejo que muita coisa está diferente no nosso Furacão. Vejam por exemplo:
1) Juca Kfouri dizendo que nosso time é ‘grameiro’ (no lugar de caseiro, em alusão à grama sintética). Ou seja, a grama sintética hoje fala mais alto que a força da nossa torcida.
2) O goleiro Victor, ficando emocionado com os aplausos da torcida do Galo, após falha grotesca na semi-final contra o Inter. Palavras do Victor: ‘Darei a vida por esse time na final, essa torcida não existe!’. Enquanto isso, Weverton é massacrado quando comete um mínimo deslize, por uma torcida aparentemente sem coração, sem raça, que em nada lembra aquela de antes.

Hoje nossa estrutura é fantástica, ninguém vai negar isso. Mas a longo prazo não vejo perspectivas nenhuma de sermos grandes sem um crescimento exponencial de nossa torcida. As cotas de TV e patrocínios são diretamente proporcionais ao tamanho dela. Ou seja, estrutura é muito bom, mas torcida é essencial. Podemos viver sem estrutura, mas nunca sem torcida, pensem nisso!

Na década de 80 éramos campeões paranaenses e chegávamos em semi-finais de campeonatos brasileiros com times medíocres, mas nossa torcida levava o time literalmente nas costas. Independente da Diretoria que está hoje no comando, algo precisa ser feito. Hoje nossa grama é sintética, nosso time é sintético e nossa torcida é sintética. Nosso Atlético é maior que tudo isso, um Atlético Sintético jamais vai tornar nossa torcida gigante e jamais nos dará títulos. Torcida+Títulos deve ser sempre o que move um clube de futebol.



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