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6 out 2017 - 6h51

Fale Quem Acredita

Espaço Sócio-Furacão, 28 de setembro, quinta-feira de garoa ácida na capital dos golpes. Mesa 3, quase que instantaneamente. Andressa era o seu nome, perguntei no final porque o cordão do crachá era muito comprido, ficava sob a bancada, e também porque sou discreto.

– Olá, boa tarde, seja bem vindo ao EspaçoSF. O sr deseja mesmo o desligamento do quadro social do Clube Atlético Paranaense?

– Boa tarde, moça. Sim, eu vim para cancelar.

– O sr pode dizer o motivo?

– A questão, moça, não é o valor de cinquenta reais mensais acrescidos à minha modalidade, o problema é a majoração de 50% na mesma, o que significa o exercício de cláusula abusiva, acarretando na vulnerabilidade do sócio na relação contratual. Assim, não há previsibilidade alguma, traz insegurança para a relação. Não se pode prever o que vai acontecer amanhã. De repente o Clube invoca com outra coisa, e dá-lhe-dá-lhe-ô aumento.

– Mas o sr não viu a nota publicada no site oficial, explicando as razões do aumento?

– Vi sim, mas apenas justificam e não argumentam suficientemente.

– É que este valor de R$100,00 era um acordo feito com a Organizada lá em (2000 e bolinha), e por questões de rompimento de obrigações neste acordo, incluindo depredações e/ – cortei a moça:

– Quando eu vim em janeiro me associar, ninguém me falou que havia tal acordo, tampouco que era desconto temporário condicionado a que fosse. Ademais, não sou membro da TOF e não ocupo o espaço deles, por isso escolhi a Buenos Aires superior, onde não tem caveirão, bateria, bandeira, torcedor com camisa da organizada nem baseados circulantes (apenas sobe uma maresia lá pra cima vez em quando), ou seja, não mantenho relação alguma com eles.

– Mas entenda que a diretoria resolveu puni-los pelo bem da segurança de todos e/ – interrompi de novo:

– Discordo da medida porque ela atinge inclusive os Não Fanáticos, não podemos pagar pelos crimes ou contravenções cometidos por outros nem distratos feitos entre terceiros, entende?

– Mas é por causa da setorização, que é feita em blocos, então engloba toda a modalidade FAN.

– Sei disso, e também sou contra a setorização. Repito que não é argumento suficiente, ao menos para mim. Aliás, eu pretendia, ano que vem, mudar para a modalidade sócio-família, trazendo minha filha mais nova para os jogos. Infelizmente…

– O sr não quer mudar para as curvas? Para atender os SF que não podem pagar mais, o Clube resolveu manter a mensalidade, cobrando apenas a troca de cadeira como se fosse novo sócio (mais custas com cartão, etc).

– Que fácil não é mesmo? Achei isso uma ofensa, basta empurrar-nos para os lados, para os cantos, como se fossemos plantas em vasos.

– Não, não… estamos apenas remodelando, jamais empurrando.

– Ah tá… digamos que foi uma singela “cutucada”, assim está melhor… (tipo Leão da Montanha: saída pela direita!).

– Veja, tem várias opções, aqui ao lado da torcida visitante também.

– Obrigado moça. Respeito e entendo seu trabalho, mas eu vim para cancelar. A questão não é financeira, é de cunho moral, entende? (nossa, como sou antigo, do tempo em que tínhamos aulas de Educação Moral e Cívica).

Ela buscou o termo, o qual parecia uma prova de maternal, continha uma lista de motivos prontos, poderia marcar mais de um X.

– Moça, eu acho importante revelar o verdadeiro motivo, e esses aqui são demasiadamente curtos, incompletos.

Ela pegou outra folha, para requerimento, onde escrevi o que já escrevi aqui nesta coluna e em outra recente (obrigado por liberarem meu CPF, Furacao.com!). Também que não vou atrás dos meus direitos de consumidor para mover o Estado-Juiz em função de um Golpe no Torcedor, coisa tão irrelevante, há coisas mais urgentes para serem resolvidas juridicamente em época de Golpe de Estado.

– Ah, o sr acrescente aquilo que me disse, sobre as pessoas que assistem jogos em pé lá no andar superior.

Escrevi que educação (nossa, como sou antigo, do tempo em que tínhamos aulas de Educação Moral e Cívica) é mea culpa do Clube, pois penso que os seguranças deviam intervir e fazer cumprir outra cláusula contratual, no tocante ao conforto, visibilidade e tais. Mas isso é pra quem fica. Feito Bob Dylan, a partir de amanhã, “não estou lá”.

Depois de algumas cópias, ela deu o OK e me deu tchau.

– Como é o seu nome mesmo?

– Andressa.

– Muito obrigado, uma boa tarde pra você. Tchau. (mão suave, pele macia, ai, carne de caju! linda morena, fruta de vez temporana, caldo de cana caiana, por quê você foi casar?).

Andressa. Aliança na mão esquerda. Mulher charmosa, dessas que não se vê mais por aí. Hoje as mulheres andam com silicone e com smartphone. Perderam a naturalidade da coisa, em prol da modernidade da cirurgia e da tecnologia. Charme é coisa do passado. Educada, fala mansa, delicada, tranquila, calma, serena no trato com a pessoa humana. Fiquei imaginando uma mulher assim dentro de casa, que maravilha. Andressa, mulher proibida.

Atlético. Alianças não sei com o quê. Clube vanguarda, desses que não se vê mais por aí. Hoje os clubes andam com mídias e com dívidas. Perderam a simplicidade da coisa, em prol da contemporaneidade do sectarismo e do elitismo. Vanguarda é coisa para o futuro. Autoritarismo, ausência de diálogo, imprevisibilidade, despotismo, frieza e calculismo no trato com o Torcedor. Fiquei imaginando um clube desses com uma gestão completamente diferente na relação com os torcedores, que maravilha. Atlético, clube proibindo-se.

Moral da história: quando voleibolistas, evangelistas e paranistas são mais bem tratados que Atleticanos, é hora de votar melhor!

Pra quem fica, vote!!

p.s.: A Arena vai esvaziar. Fale quem acredita…



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