15 ago 2020 - 12h38

Com ou sem transmissão? Entenda a confusa novela dos jogos do Furacão no Brasileiro

Instantes antes de o Athletico entrar em campo pelo Campeonato Brasileiro, um dilema toma conta dos torcedores rubro-negros.

Ao invés de focar as atenções nas escalações dos times, desfalques e pontos fortes para a partida, ou mesmo nos famosos palpites sobre o placar do jogo, a grande pergunta que predomina é: vai ou não vai ter transmissão ao vivo das imagens do jogo?

A Furacao.com vai tentar explicar um pouco mais essa confusão. De forma resumida, hoje existem quatro meios de transmissão de uma partida de futebol no Brasil: TV aberta, TV fechada, pay-per-view e transmissão internacional.

Os clubes são os detentores dos direitos de transmissão de seus jogos e podem optar por exibi-los diretamente ou vender esses direitos a interessados (normalmente, grupos de comunicação).

Confira detalhes de cada um:

TV aberta

É o sistema de transmissão mais simples de entender. Todos os clubes que disputam a Série A do Brasileirão assinaram contrato com a Rede Globo por meio do qual cederam a exclusividade de seus direitos para transmissão dos jogos na TV aberta à emissora carioca.

A cada rodada, a Globo escolhe duas partidas para transmitir na rede. Para este fim de semana, por exemplo, constam os seguintes jogos na grade da emissora: Vasco x São Paulo para todo país e a transmissão regionalizada de Bahia x Bragantino.

Todos os demais jogos da rodada, que a Globo “não escolhe”, passam para as outras opções de transmissão nacional: canal fechado e pay-per-view.

Canal fechado

Os grupos Globo (com o canal SporTV) e Turner (com os canais Space e TNT) dividem as transmissões em canal fechado do Brasileirão 2020.

Doze dos vinte clubes da Série A têm contrato de transmissão com o SporTV: Atlético Goianiense, Atlético Mineiro, Botafogo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Goiás, Grêmio, Red Bull Bragantino, São Paulo, Sport e Vasco. Os outros oito clubes, entre eles o Furacão, têm contrato com a TNT/Space: Athletico, Bahia, Coritiba, Ceará, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos.

Até o ano passado, as transmissões em canal fechado (pelo SporTV ou TNT/Space) ocorriam apenas nos confrontos em que a emissora possuía os direitos de ambos os clubes. Os jogos entre equipes com contratos com diferentes emissoras ficavam no “apagão” – não eram transmitidos.

Em 2020, no entanto, houve a edição da Medida Provisória 984/2020, que ficou conhecida como “MP do Mandante”, e alterou a Lei Pelé para estabelecer a seguinte regra: “Pertence à entidade de prática desportiva mandante o direito de arena sobre o espetáculo desportivo, consistente na prerrogativa exclusiva de negociar, autorizar ou proibir a captação, a fixação, a emissão, a transmissão, a retransmissão ou a reprodução de imagens, por qualquer meio ou processo, do espetáculo desportivo”.

Ou seja, passou a se permitir que o clube mandante realizasse a transmissão ou negociasse esse direito sem a anuência do clube visitante.

Com base nessa alteração da Lei, a Turner anunciou que irá transmitir jogos em que os clubes que têm contrato com ela são mandantes – entre esses jogos, dois do Furacão: Athletico x Fluminense (5ª rodada) e Athletico x Botafogo (9ª rodada).

A Globo, por sua vez, alega que a alteração legislativa promovida pela MP não pode afetar os contratos firmados anteriores. Por isso, ingressou com ações no Poder Judiciário para proibir as transmissões baseadas na MP do Mandante.

Pay-per-view

Há ainda uma terceira forma de transmissão dos jogos da rodada do Brasileirão: o pay-per-view, em que os torcedores adquirem pacotes especiais para transmissões específicas dos campeonatos. Até agora, o sistema de transmissão nessa modalidade era conduzido pelo Grupo Globo, através das transmissões pelo Premiere FC. Dos 20 clubes da Série A do Brasileirão, o Athletico é o único que não assinou contrato com o Premiere – ou seja, pelo contrato, o Premiere pode transmitir todos os jogos da competição via pay-per-view, com exceção às 38 partidas do Athletico no Brasileiro.

No entanto, baseado na MP do Mandante, o Furacão criou uma alternativa para os torcedores assistirem às partidas em que é o mandante: a transmissão pela plataforma de streaming OTT do clube, o Furacão Play. O acesso ao Furacão Play é gratuito aos sócios do Athletico, havendo também a possibilidade de assinatura, por R$ 24,90 por mês, para quem não é sócio.

Ao anunciar o sistema próprio de transmissão, o presidente Mario Celso Petraglia explicou que o Furacão pretende transmitir todos os seus 19 jogos como mandante do Brasileirão, amparando-se na MP 984 – a primeira partida transmitida foi entre Athletico x Goiás, na quarta-feira (13).

Surgiu então uma disputa judicial entre o Grupo Globo e o Athletico. Após uma série de decisões, finalmente o Tribunal de Justiça autorizou a transmissão da primeira partida do Furacão em casa momentos antes do início do jogo.

Nesta sexta-feira (14/8), a Globo ajuizou uma outra ação contra o Athletico, em que alega que a MP do Mandante é inconstitucional e pede que o Athletico seja impedido de realizar transmissões, por qualquer meio, de jogos do Brasileirão 2020. Ainda não houve decisão da Justiça, o que deve ocorrer até o jogo contra o Palmeiras, no dia 19/8.

Transmissão internacional

Uma quarta modalidade de transmissão passou a ser oferecida nesta temporada: a transmissão internacional, adquirida por sites de apostas. No jogo entre Fortaleza x Athletico, que não teve transmissão pela Globo (TV aberta) e Turner (canal fechado), por opção das emissoras, os torcedores rapidamente viram rodar na Internet links com a transmissão para fora do país.

A exibição foi através dos sites Bet 365 e Fanatiz, baseados nos direitos adquiridos para transmissão para todo o mundo pela Zeus Sports Marketing e Stats Perform, que fornecem dados e direitos para os sites de apostas.

O presidente atleticano, Mario Celso Petraglia, lamentou pela opção das pessoas que se utilizaram do que ele chamou de “transmissão pirata” para acompanhar o jogo. “Todos sabíamos que era pirata e que alguns espertinhos estavam ganhando dinheiro com o nosso produto! Será que o brasileiro não aprenderá nunca que dar “um jeitinho”, “tirar vantagem em tudo” fere a ética e o moral e são atos desonestos!”, disparou em suas redes sociais. “Incentivar essa gente podre que vive explorando clandestinamente o futebol e nossos clubes só nos prejudica a médio e longo prazo! Morreria alguém se não visse os lances de forma visual da partida? Triste o que vi e ouvi ontem de pessoas do bem que naturalmente não pensam mais, são levados pela cultura, não criam mais juízo de valor sobre o certo e errado!”, escreveu o dirigente.

Aos torcedores, infelizmente, só cabe nesse momento esperar que as batalhas judicias para fazer valer ou não a “MP do Mandante” sejam concluídas, para saber se acompanha aos jogos do Furacão na TV, internet ou no velho radinho…



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