28 ago 2020 - 13h15

Razão

Oito meses de trabalho, dos quais, em quatro, houve a completa paralisação do futebol. Oito reforços chegando depois da parada forçada (sem contar a “promoção” dos aspirantes), pouco intervalo para treinos entre os jogos, e até mesmo um diagnóstico positivo para COVID-19, que lhe tirou do comando do time em três partidas. No saldo final, um título paranaense (dividido com Eduardo Barros, é verdade) e 18 jogos disputados, dentre eles, nove vitórias, três empates e seis derrotas – um aproveitamento de 55%.

A demissão de um treinador nessas condições, vistas objetivamente, surpreende quem vê de fora:

Não há, porém, qualquer surpresa. Em “Memórias do Subsolo”, Dostoiévski escreve brevemente, mas não sem acerto, sobre razão: “a razão, meus senhores, é coisa boa, não há dúvida, mas razão é só razão e satisfaz apenas a capacidade racional do homem”. Para a capacidade racional daqueles que acompanham de longe o futebol atleticano, talvez seria possível dizer que não faltariam atenuantes para o trabalho de Dorival Júnior.

Mesmo assim, a “razão é só razão”, ainda mais no futebol – que talvez justamente por isso é o esporte mais popular do mundo. Ainda mais no Athletico, onde a razão não caminha longe dos tais “quatro ventos”: entusiasmo, rebeldia, inovação e ambição, nenhum deles vistos nos últimos jogos do rubro-negro.

Depois da vitória contra o Goiás, em casa, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro, não apenas os resultados, mas também o desempenho do time rubro-negro tornaram impossível imaginar que, com o então comando técnico, o Furacão poderia apresentar um futebol minimamente agradável de se ver, muito menos que poderiam existir algumas conquistas ao longo da temporada.

Se, após o título do Estadual, poderia haver algum otimismo, esse deu lugar a preocupação. O time, que não brilhava no início do ano, piorou ainda mais. Era unânime a necessidade da tomada de determinadas providências, como o uso de jovens jogadores e a necessidade de fazer o time ser mais vertical (ou, pra fora do “tatiquês”, fazer o time agredir o adversário).

Mas a importância de ser mais ofensivo deu lugar a necessidade de ser minimamente ofensivo. Já a utilização de jovens promessas passou a ser aleatória (minutos insignificantes para alguns, posições erradas para outros):

Assim, as eventuais atenuantes que permitiam concluir, para os mais otimistas como este que vos escreve, pela possibilidade de dar tempo ao tempo e esperar por melhoras no time – com a entrada de reforços e algumas mudanças -, passaram a ser uma vaga lembrança do que um dia foi esperança. E Dorival, que tinha boas intenções e ideias, não conseguiu aproveitar a boa chance recebida e, a exemplo de seu último algoz (Diniz), terminou sua passagem no Athletico com a marca de quem não conseguiu colocar em prática o que o “tatiquês” julga moderno.

A demissão, portanto, é acertada. Mas não é possível esquecer de se cobrar, também, aqueles que permanecem. A começar por rememorar os equívocos da diretoria de futebol (aquela que escolheu o nome que agora demitiram), em especial na montagem do elenco, que começa a dar sinais, na prática, de incoerência:

Ainda, não se poderá ignorar comportamentos questionáveis de determinados jogadores de um grupo antes vencedor. Muitos precisarão ser igualmente cobrados, e alguns talvez sequer tenham tantas atenuantes como teve, um dia, Dorival Júnior.



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