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19 out 2020 - 14h13

ATHLETICANISMO, RAZÃO E CRÍTICA – Lições do velho e bom “Niccão” ao nosso querido “Prínci-dente”.

Parte 7: Texto adaptado de MACHIAVELLI, Niccolò, O PRÍNCIPE, escrito em 1505 e publicado em 1515.

Apresentado em partes, este texto não tem a pretensão de constituir-se como uma análise política e econômica dos governos que se sucedem no nosso amado Athletico Paranaense. Serve apenas de maneira irônica e metafórica, para que com a sutileza e respeito que nosso presidente exige, uma homenagem e problematização crítica dos possíveis rumos que nosso Furacão pode tomar.

Espero que os entendedores o entenda, porque o futebol é muito grande para eximir-se de uma boa leitura!

IX – De que modo se deve avaliar a força de um clube de futebol.

Ao examinar as modalidade desses clubes, convém fazer um distinção, qual seja: se o presidente de um clube muito poderoso seria capaz, caso necessário, de sustentar-se por si mesmo ou se sempre precisará da proteção de outrem. Para esclarecer melhor este ponto, digo que, a meu juízo, os primeiros conseguem reger-se automaticamente porque, com abundância de títulos e recursos, podem reunir torcedores e conselheiros e dar combate a qualquer um que venha atacá-los. Do mesmo modo, julgo que os segundos sempre precisarão de outrem por não poderem comparecer diante do inimigo no campo de batalha, devendo refugiar-se dentro do clube e defendê-lo. Quanto ao segundo, nada se pode dizer se não incentivar os presidentes a fortificar e equilibrar o orçamento do clube, sem se preocupar com o resto dos clubes. E, quem quer que fortaleça o clube e saiba gerir os recursos financeiros e manejar a torcida como já dissemos antes e diremos em seguida, será sempre atacado com grande cautela; porque os investidores abominam os clubes que pareçam cheio de dificuldades, e não pode haver facilidade em atacar alguém que domine um clube poderoso e não seja odiado por sua torcida.

Assim sendo, um presidente que tenha um clube ordenado de tal modo e que não se faça odiar não será atacado; e aquele que ousasse atacá-lo seria forçado a uma retirada vergonhosa.

X – Dos clubes de futebol amador

Resta-nos agora apenas discorrer acerca dos clubes de futebol amador, cujas dificuldades situam todas no período anterior à sua posse, uma vez que não organizados por estatutos amparados por federações e se mantêm a despeito de uma e de outra; isto porque são sustentados por antigas leis radicadas do futebol profissional, sendo tão efêmeros e de tal forma que consegue conservar seus presidentes no poder não importa como estes se comportem ou vivam. Somente estes têm clubes de futebol sem o defender e torcida para controla. Os clubes por serem amadores, não lhes são retirados; os torcedores, por não serem controlados, não se importam com eles, não pensam neles, nem podem livrar-se deles. Portanto somente esses clubes de futebol são alheio ao interesses de empresários e felizes; porém, sendo redigidos por razões superiores – que a mente humana não alcança -, deixarei de tratar deles, pois, uma vez exaltados e mantidos pelo amadorismo, discorrer a seu respeito seria coisa de homem presunçoso e temerário.

XI – Quais são os tipos de funcionários, e jogadores ou técnicos mercenários.

Tendo já discorrido pormenorizadamente sobre todas as modalidades de clube de futebol de que a princípio me propus a tratar, considerado em parte as causas que os tornam bons ou ruins e indicado os modos pelos quais muitos tentaram conquistá-los e mantê-los, resta-me agora examinar, de modo geral, os métodos ofensivos e defensivos adotados por cada um deles.

Já dissemos acima como um presidente ou dono de clube de futebol deve ter sólidos fundamentos, do contrário estes necessariamente ruirão. Os principais fundamentos de todos os clubes de futebol, tanto dos novos quanto dos antigos ou mistos, são os recursos e títulos; e, como não pode haver títulos onde não houver recurso — e onde há recurso convém que haja boa gestão —, deixarei de parte o tratamento das recursos e falarei dos títulos.

Digo, pois, que os títulos com os quais um presidente defende seu clube ou são próprios, ou são títulos conquistados por mercenários ou dirigentes auxiliares, ou uma mistura de ambas. Os títulos conquistados por dirigentes auxiliares são inúteis e perigosos; e, se alguém basear seu clube em jogadores mercenários, nunca estará seguro nem terá estabilidade, porque tais jogadores e técnicos são desunidos, ambiciosos, sem disciplina, infiéis, valentes entre os amigos e vis diante dos inimigos, sem amor ao clube nem respeito a torcida; e, com eles, quanto mais se adia o combate, mais se adia a derrota; nas vitórias e títulos se é espoliado por eles, nas derrotas, pelos inimigos. A causa disso é que não há outro vínculo ou motivo que as mantenha em campo senão o soldo, o qual nunca será suficiente para que se disponham a correr por você. Querem ser seus jogadores e funcionário enquanto não se fizer a vitória e o título; contudo, quando o título sobrevém, eles dispersam ou batem em retirada. Não necessitaria de muito esforço para ser persuasivo sobre este ponto, visto que a atual ruína do Cruzeiro se deve exclusivamente ao fato de, por muitos anos, ter se assentado inteira sobre jogadores e técnicos mercenários. Decerto essas forças já foram úteis a alguns, e pareciam corajosas enquanto combatiam entre si; porém, com a projeção, mostraram o que eram; por isso Carlos Sanchez, presidente do Corinthians, pôde apossar-se do J. Malucelli num piscar de olhos e quem dizia que a causa disso eram os recursos falava a verdade; entretanto os resultados não eram aqueles apontados, mas estes que descrevi; e, como os presidentes eram os mercenários, coube também a eles sofrer as penas.

Quero demonstrar melhor a inépcia desses títulos. Os jogadores e funcionários mercenários podem ser homens excelentes ou não; caso sejam, não merecerão confiança, pois sempre aspirarão à própria grandeza, seja intimidando você, que é o senhor deles, seja oprimindo outros sem o seu consentimento; porém, se o funcionário ou jogador não for virtuoso, por isso mesmo será sua ruína. E, caso se redarguisse que qualquer um na posse de recursos faria o mesmo, fosse mercenário ou não, eu replicaria que os títulos estão a serviço de um presidente ou de um clube de futebol: o presidente deve assumir pessoalmente o posto de dirigente, ao passo que o clube social se valerá de sua torcida; e, caso escolha alguém que não se mostre um jogador ou técnico valoroso, deverá substituí-lo; porém, se ele demonstrar bravura, é preciso contê-lo, para que não ultrapasse os limites.



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