26 jan 2021 - 20h20

Erechim

A quase 400km de distância de Porto Alegre é onde reside a palavra “se”.

Chegou por lá em 2004, vinda de qualquer outro canto do mundo onde a vida era incerta, e encontrou seu lar no estádio Colosso da Lagoa.

Tentou dormir sob as arquibancadas, como fazem os meninos que jogam nas sucateadas bases dos clubes brasileiros. No entanto, foi despertada pelos gritos de uma vizinhança incômoda pela primeira vez. Ainda tentava pegar no sono, quando mais uma vez foi perturbada alguns minutos depois. Ressabiada, conseguiu adormecer e já sonhava quando foi molestada pela terceira vez pelos vizinhos loucos de cerveja e de alegria, que cantavam, gritavam e pulavam como se não houvesse amanhã.

Foi então que praguejou com todas as suas forças contra aqueles que lhe tiravam o sono e lhes rogou uma maldição: que a ressaca deste dia fosse lembrada pra sempre! E caiu no sono.

Os vizinhos, como num passe de mágica, moderaram o volume. Logo depois, baixaram até virar um murmúrio. E no final da tarde estavam completamente mudos, enquanto o “se” dormia tranquilamente.

Nunca mais o Colosso da Lagoa ouviu tanto barulho seguido de tanta tristeza. E o “se” dorme, até hoje, sob as arquibancadas do estádio, enquanto aqueles que o incomodavam no dia 28 de novembro de 2004 tomam analgésicos todos os dias para curar uma ressaca que parece nunca acabar.



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