16 fev 2021 - 20h44

Alex Mineiro

Parecia o caso de um jogador que seria lembrado como coadjuvante de uma equipe imparável. Um carregador de piano, invisível aos olhos dos leigos, que cumpria seu papel em campo dando suporte aos verdadeiros craques.

Mas do lado de fora do campo um movimento silencioso acontecia. O Caldeirão nunca tinha sido tão quente como naquele ano de 2001. A torcida já sentia os calores, pulava e gritava como louca, desorientando qualquer adversário que entrasse ali. Então o Diabo, que sempre tinha que se ocupar de fazer o estádio ferver, sentiu que não era necessário nas arquibancadas e decidiu realizar seu sonho de jogar. Escolheu trajar a 9 junto com Alex Mineiro, só pela zombaria de subverter a lógica.

Possuído, Alex fazia o inferno dentro de campo. Os adversários, já atormentados pelo calor do ambiente, nada podiam fazer e se limitavam a assistir o camisa nove correndo, passando por espaços impossíveis e chutando bolas que pareciam mudar de direção 3 vezes antes de chegar ao gol. O Diabo, no controle da situação, se divertia por poder entrar em campo depois de tantos anos somente aquecendo a arquibancada: jogava areia nos olhos dos adversários, os cutucava com seu tridente e despertava vozes em suas cabeças. Ao se darem conta do que acontecia, os jogadores adversários já estavam devorados, cuspidos e pisoteados, por Alex, pelo Diabo, pelo time – que a esta altura virava coadjuvante do artilheiro – e pela descontrolada torcida.

No Anacleto Campanella, longe dos seus domínios, o Diabo não quis ir. Ficou assistindo ao jogo na Rua Buenos Aires no meio do povão que desaparecia no horizonte. E não pode deixar de dar uma gargalhada sarcástica quando Alex, já sem sua influência, marcou o gol do título e levantou a camisa para mostrar uma mensagem desejando um 2002 com muita paz.



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