27 maio 2021 - 18h30

Lucho

Não existe uma única alma atleticana que, conhecendo a história do clube, não bata no peito com orgulho para contar aos mais desavisados que Djalma Santos e Bellini já jogaram com a camisa rubro-negra. Não raro até mesmo aqueles que nunca os viram jogar colocam os dois na seleção dos melhores jogadores de todos os tempos do clube, sem titubear. E quem pode contestar?

A história poderia ser um pouco traiçoeira, afinal cada testemunha carrega para si um pequeno fragmento dela e passa adiante com o filtro de suas próprias percepções. Mas, no final das contas, existem figuras e acontecimentos que não precisam ser enxergados através das lentes frias dos fatos. E é aí que a história mostra que, na verdade, é generosa ao invés de traiçoeira. Djalma e Bellini vieram no final de suas carreiras para o Athletico. Mas quem se importa se jogaram bem ou mal, muitos ou poucos jogos, ou se foram decisivos em partidas importantes? Seus nomes são maiores do que os fatos, e por isso são eternos.

Por isso, quando em 2016 desembarcou em Curitiba um argentino obcecado pela glória, abriram-se longos parênteses dentro dos quais vai caber tudo na história, menos o triste olhar daqueles que só olham o que se pode enxergar. Isso porque Lucho, como Djalma e Bellini, é a própria história escrita.

Lucho representou, desde o começo, o incômodo. Jogar no Athletico era sinal de ter “tudo”: o melhor CT, o melhor estádio e a torcida mais temida a seu favor. O que faltava para explodir era justamente o incômodo: não o externo, mas aquele que vem de dentro. E assim, o argentino instaurou o caos que faltava na perfeita ordem do clube. Fez com que cada um, do presidente aos jogadores, acreditasse que era possível ir além. E assim será retratado na história: como um inconformado.

Cada detalhe de cada jogo em que entrou em campo será esquecido. Cada passe, chute ou gol também. Na linha do tempo, tudo isso vai se tornar irrelevante, porque a história, felizmente, não é feita só disso. A caneta que escreve nos livros é a do sentimento.

Por isso os 4 gols de Ziquita valem mais do que o simples ponto do empate que o time conseguiu naquela partida.

Por isso a atmosfera mágica de 2004 vai ser mais inesquecível do que muitos títulos erguidos pelo clube.

Por isso Barcímio pode até ser suplantado por algum novo artilheiro, mas vai ser sempre o maior.

Por isso Lucho vai estar em cada final jogada, ou somente vencida. Mesmo quando seu nome for só um fragmento de um passado distante.



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