8 out 2021 - 14h29

Arquibancada

Quem me conhece há mais tempo já me ouviu dizer que “a arquibancada é que é o meu lugar”. Para além do sentido literal, do prazer que tenho de estar de fato dentro da Baixada, na arquibancada, torcendo pelo Athletico, há um significado ainda maior. É na arquibancada que o torcedor atleticano se encontra. E essa arquibancada não é necessariamente uma cadeira cinza dentro da Baixada. Essa arquibancada pode ser ali na praça. No boteco. Na TV improvisada no carrinho de cachorro-quente. Na garagem da casa do teu tio. A arquibancada é qualquer lugar onde o atleticano está.

E é esse atleticano o que o Athletico tem de mais lindo e de mais sensacional. De tudo que já vivi na arquibancada, de todas as emoções que o Athletico me proporcionou experimentar, nada, absolutamente nada se compara aos atleticanos que conheci e que se tornaram meus amigos.

Uma das histórias de arquibancada que eu mais gosto foi a de quando conheci o Edson. O ano era 1996, só eu e o pai na Baixada, jogo de quarta-feira à noite. O Edson tinha um jeito de torcer parecido comigo: silencioso e indignado. Sentado ao meu lado, disse pra mim durante o intervalo que precisaria sair antes do jogo acabar. Era por causa do horário do último ônibus que saía para a cidade onde ele morava. “Onde você mora?”, perguntei. “Em Piraquara.” Pois e eu o pai também morávamos em Piraquara. Oferecemos carona. O Edson aceitou. E desde aquele dia nós fomos juntos para todos os jogos do Athletico. Edson tornou-se um grande amigo do meu pai.

Tem ainda uma outra e essa é a do Bigode. Eu demorei anos para descobrir o nome “de batismo” do Bigode. Acho que foi no dia que o pai foi internado. Por uma coincidência fiquei sabendo que o Bigode, meu vizinho de tantos anos de cadeira na Baixada, era o médico diretor do hospital onde meu pai estava. Quando o Bigode soube que o pai estava ali, prontamente veio conversar comigo e minha família. Ele foi um anjo na terra. Sua gentileza, suas palavras de conforto, sua fé e confiança nos ajudaram a atravessar dias difíceis. Quem diria, aquele atleticano corneta (!!!) que eu abracei por tantas vezes comemorando gols, que eu mal sabia o nome e nem imaginava qual era a sua profissão, foi esse atleticano que me estendeu a mão numa das horas mais desafiadoras da minha vida.

Essa mesma arquibancada já meu deu tanto. Me deu Micheles, Henriques, Eves, Belisas, Diegos, Marys, Netos, Diogos, Niques, Camis e tantos outros.

Amanhã a nossa gente se encontra de novo nas arquibancadas do Joaquim Américo. Lá estarão muitos “Edsons” e “Bigodes”. E não tem nada mais lindo que poder torcer pelo Athletico ao lado de outro atleticano.

Quem lá estiver: aproveite! Com todos os cuidados necessários, respeitando todos os já conhecidos protocolos. Cuidem-se! E desfrutem da arquibancada e de tudo que ela proporciona!



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