14 out 2021 - 20h52

O curioso caso do técnico que chega com prazo de validade (provavelmente vencido)

Quem é o Murilo? Atleticano. Além disso, sou médico (por isso do “Doc”) e atuo na área da Psiquiatria. Aqui, neste espaço, o intuito é conversar – de torcedor para torcedor – sobre aquilo que nos é cura, mas também comorbidade, loucura e uma licença poética: o Club Athletico Paranaense.

 

Não é só o jogo em si. Eu, nas minhas elucubrações, vejo que o futebol é uma batalha psicológica na qual o aspecto humano desempenha um papel significativo. O Athletico que entra em campo, atualmente, parece sentir a falta de um comandante – daquele “humano” -, à beira do gramado, que conheça os caminhos da vitória.

Deu certo com Autuori porque ele entendeu o dilema atleticano: os jogadores compraram sua ideia e os planos táticos variavam de jogo para jogo – para cada batalha um esquema. Não é fruto do acaso, é experiência e conhecimento. Sobretudo conhecimento, base firme para o sucesso.

Alberto chegou e, como previsto, não mudou a tática de jogo rubro-negro. Até aí, tudo bem. Mas em pouquíssimo tempo conseguiu criar um ambiente desfavorável – a ele e ao grupo. No seu primeiro jogo na Baixada, entoaram-se os gritos de “burro” quando a arma uruguaia (que pode ser letal a qualquer momento) foi por ele sacada, prematura e inexplicavelmente, da equipe. E logo no reencontro com o torcedor rubro-negro. Decepcionante.

Ontem, após mais uma fraca atuação da equipe, fez questão de responsabilizar seus comandados pelo revés em Santa Catarina. Sim, revés. O Furacão das Américas (às vezes nem tanto) conseguiu a proeza de tropeçar contra o pior time do campeonato. E duas vezes! Empate nas duas Arenas, da Baixada e Condá.

Valentim e seus jogadores deixaram para os minutos finais – com o placar desfavorável – aquele ímpeto que se espera desde o início de cada jogo; aquela vontade em vencer. Uma obscenidade tática. Joga-se no fio da navalha. O tempo vai passando e o roda-roda continua. Não se consegue um lance agudo, uma falta na frente da área; espera-se o erro do adversário. Um jogo cada vez mais indefinido, podendo ser definido em escapada fatal a favor do adversário. O burocrático futebol rubro-negro consegue atenuar as diferenças da teoria quando se joga contra uma equipe, sabidamente, (mais) fraca.

O empate de ontem aconteceu da maneira que o clube parece traçar seus planejamentos: aos trancos e barrancos. O vexame só não foi maior por méritos de Khellven – aquele, que disputou final de Copa do Brasil; aquele, que fez um gol antológico em Atletiba decisivo; aquele, que foi campeão; aquele, que tem oito assistências na temporada) – e Christian – aquele, com duas assistências e seis gols na temporada – que ajudaram a evitar a vitória do pior time do campeonato.

 E no ataque, como explicar o que acontece? Kayzer era o titular. Veio Babi e (sem lá muitos motivos) tomou o lugar de Kayzer. A promessa lesionou. Jogamos partidas sem centroavante. Chamaram o extraditado Bissoli de volta. Aí o rapaz vira titular. Difícil entender.

A aventura está indo longe demais. Enquanto tratar a exceção como regra, o Athletico viverá nesta espécie de delírio coletivo. Os problemas são óbvios, estão escancarados (há tempos) e não são resolvidos.Como a Direção expulsou seu torcedor do estádio para evitar “gastos e prejuízos”, seria uma incoerência contratar um técnico compatível com a grandeza do clube.

Quem não quer comandar um time na semifinal da Copa do Brasil? Ou na final da Sul-Americana? Ou voltar a, simplesmente, atuar num time de série A do Brasileirão? A oportunidade é imperdível. Eu aceitaria. Alberto aceitou.Inclusive, aceitou um contrato de três meses.

O Athletico inova mais uma vez, agora, com ocurioso caso de um técnico que chega com prazo de validade – só que, provavelmente, já vencido.



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