17 dez 2021 - 0h11

Festejar para sobreviver

É com a frase do título desta coluna que Sebastian Teysera, um dos músicos mais aclamados do Uruguai, reflete sobre a vida e a morte em uma de suas composições. E embora há menos de um mês nossa torcida estivesse com a alma inundada de Uruguai, somente ontem, sob o céu de Curitiba, essas palavras pareceram se encaixar perfeitamente nos corações rubro negros.

Existe um pouco de morte na vitória. Como grãos de areia nas mãos de uma criança brincando na praia, ela passa rapidamente. Encerra as coisas de uma forma bonita, mas o que vem depois é um imenso salto no vazio, onde não há mais certezas.

Também existe um pouco de vida na derrota, porque ela não encerra nada. Ao contrário, nos convida a seguir, confiar cegamente em suas mãos e se deixar conduzir para o que vier adiante.

Nesta quarta, na Arena da Baixada, havia um Athletico morrendo. O fim desta temporada deve ser o final de um ciclo bonito, festivo e que vai sempre ser guardado nos corações de quem teve o privilégio de vivê-lo integralmente, com amor, frustração, raiva e qualquer outro sentimento que se oferecesse a ser sentido.

Mas o Athletico que parte deixa uma flor em seu lugar. Nas arquibancadas começou a nascer um outro Athletico.

Perdi as contas de quantas crianças vi no estádio. Em novembro a areia da praia de Montevidéu estava nas suas mãozinhas. Em dezembro, o convite pra seguirem, festejando para sobreviver, como os adultos mostravam ser possível. Por isso não se viu uma única lágrima nas arquibancadas do Joaquim Américo no dia 15.

O Athletico que nasce agora tem tudo que nos trouxe até aqui. Mas nesta quarta ele se agigantou. E não vai parar de crescer, como vem crescendo ano após ano.

Lento.

Suave.

Letal.



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