5 maio 2022 - 16h16

Felipão é aposta para motivar o elenco, mas reconhece que é mais difícil cobrar os jogadores

Luiz Felipe Scolari dispensa apresentações. Foi campeão da Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira. Ganhou duas Libertadores, dois Brasileiros, quatro Copas do Brasil, foi técnico da seleção de Portugal, do Chelsea e esteve na elite do futebol mundial.

Mas ainda assim sua contratação pelo Athletico gerou controvérsia. Há quem reconheça o currículo consagrado de Felipão, mas duvide se sua capacidade atual de comandar uma equipe que almeja o protagonismo.

Scolari está com 73 anos. Foi campeão brasileiro com o Palmeiras em 2018. Depois disso, teve passagens por Cruzeiro e Grêmio que não renderam o esperado.

O maior treinador da história do Brasil

Para o influenciador digital Rica Perrone, a contratação do Furacão foi um acerto: “Eu entendo que a avaliação muda, que hoje o Felipão não é um treinador em alta, talvez com alguma defasagem em relação aos outros. Eu não sei dizer, porque não sei o quanto o Felipão estuda ou não. Mas estamos falando seguramente do maior treinador da história do Brasil.”

Motivador

Uma das principais virtudes de Felipão é a sua relação com os jogadores. Ficou célebre a “Família Scolari”, expressão que ele utilizou para se referir à união do grupo de jogadores que viria a conquistar a Copa do Mundo de 2002.

Mas será que vinte anos depois essa forma de gerir o grupo será suficiente para produzir os resultados? “Felipão se criou muito pela escola gaúcha da boa oratória, do vínculo de confiança e saber usar as armas que tem, força física, disposição etc. Mas só isso faz cada vez menos diferença no alto rendimento”, opina Juarez Vilela Filho, colunista da Furacao.com.

As ideias atuais de Felipão

O próprio Felipão reconhece que os tempos mudaram e os jogadores hoje reagem de modo diferente às cobranças. Ele falou sobre isso em dezembro de 2021, quando participou do programa Jogo Aberto, com Renata Fan e Denílson, na Band.

“Futebol é claro que mudou bastante. Mudaram partes técnicas, partes físicas, a fisiologia do trabalho mudou bastante. Quem não estiver atualizado, quem não buscar algumas coisas novas vai ter muita dificuldade”, observou o treinador.

Parte tática

Na questão tática, Felipão disse que estamos vivendo um retorno a sistemas táticos que foram utilizados no passado: “Na parte tática, algumas coisas mudaram, sim. Tem muitas equipes voltando a jogar nos sistemas que eram jogados anteriormente e que se dizia que eram sistemas fechados, mas que não são. São sistemas que, muitas vezes, pelas características dos jogadores, são os melhores sistemas para aquela equipe”.

Relacionamento com os atletas

Mas a parte mais interessante da entrevista de Scolari ao Jogo Aberto sobre o futebol moderno foi sobre o relacionamento com os jogadores – justamente um tema em que ele se destacou ao longo de sua carreira.

“O que eu estou vendo hoje é que há muitos anos a gente sempre cobrava um pouco mais os jogadores e obtinha um pouco mais dos jogadores. Hoje já é um pouco mais difícil de a gente conseguir passar a eles toda essa situação de trabalhar um pouco mais, de evoluir um pouco mais, mesmo fora do treinamento. Mesmo que seja um treinamento diferente”, admitiu.

Felipão reconheceu que os jogadores são menos sensíveis às cobranças em razão da influência do staff e das redes sociais. “Eles estão um pouco prejudicados no sentido de que as pessoas ao lado estão dizendo para fazer outra coisa, o celular é muito influente hoje no futebol. Muita coisa acontece que antigamente não tínhamos. E os jogadores eram muito mais atentos aos detalhes com os quais a gente comandava a equipe e os jogadores do que hoje”, afirmou o técnico.

Bombeiro

Uma das apostas de Mario Celso Petraglia é que Felipão exerça essa liderança no vestiário, comandando os jogadores para uma recuperação na temporada.

“Neste momento, o Athletico precisava de um treinador experiente, que tivesse bagagem. O Athletico investiu muito nesse elenco para a temporada. A própria diretoria entendeu que desta vez não poderia colocar o time nas mãos de um treinador tão inexperiente, precisava de alguém de mais prestígio. O Felipão vem como diretor técnico, mas em um primeiro momento ele será sim o treinador. E é importante dizer: ele será o treinador do Athletico até quando ele quiser. Não existe pressa nenhuma do Athletico de ir atrás de outro treinador no mercado porque entende que, neste momento, este elenco precisa de Luiz Felipe Scolari”, opinou a jornalista Nadja Mauad, no Globo Esporte PR desta quinta-feira (05/05/2022).

“O Felipão vem como esse bombeiro, para apagar esse incêndio que o clube mesmo criou nessa temporada pelos erros de planejamento. Por isso que eu digo, o torcedor pode não gostar, mas neste momento pelo cenário que o Athletico está vivendo, o Felipão, um nome experiente e de respeito, é o nome ideal”, concluiu.

Desafio

Por isso, a passagem de Felipão pelo Athletico representará um desafio sob esse aspecto. A dúvida que se põe é se ele conseguirá exercer a influência que já teve em outros trabalhos, quando a realidade dos boleiros era outra.

Rica Perrone entende que ele ainda tem força para obter o respeito dos atletas: “Eu tenho certeza que o Athletico Paranaense está olhando assim: já troquei de treinador duas, três vezes e a coisa não está rolando; os caras falam com os jogadores e a coisa não está virando. Quando o Felipão fala com os jogadores, os caras olham assim: caralho, é o Felipão! Entenda esse cara ou não modernamente de futebol, ele é o Felipão, eu tenho de abaixar a cabeça e ouvir. Você ouve o cara por quem você tem admiração”.

Último trabalho

O êxito do trabalho de Scolari no Furacão não dependerá apenas dele, mas de todo o staff do departamento de futebol e da dedicação dos atletas ao novo discurso, o terceiro que se apresenta em menos de cinco meses da temporada.

O último trabalho de Felipão foi no Grêmio. Foi demitido depois de três meses, com o time na zona de rebaixamento. Na opinião do influenciador digital Farid Germano, o que atrapalhou foi o fato de ter delegado muitas atribuições aos auxiliares.

“O que deu errado com o Felipão? O Felipão terceirizou o vestiário para o Paulo Turra. Era um cara de pouquíssimo diálogo com os jogadores. Diego Souza, Rafinha, Cortez derrubaram o Felipão. Os caras derrubaram o Felipão, porque ele terceirizou o vestiário para o Paulo Turra”, palpitou Farid em entrevista ao Flow Sport Club.

Até nova definição

O Athletico Paranaense anunciou Luiz Felipe Scolari para o cargo de diretor de futebol. Disse que “até nova definição” ele acumulará a função de treinador.

Esta é outra pergunta em aberto: o clube buscará um outro treinador para trabalhar sob o comando do diretor de futebol? Paulo Turra exercerá mais funções de técnico, sob a supervisão direta de Felipão? Como diretor de futebol, Felipão terá a mesma influência no relacionamento com os jogadores?

Essas perguntas serão respondidas ao longo da temporada, dependendo dos resultados e do rendimento do time nas competições – o que passa muito pela capacidade de Felipão de liderar e motivar estes jogadores.



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