21 jul 2022 - 8h18

Maior que o próprio Athletico

Quando as pessoas me perguntam “quem é o Murilo?” a primeira coisa que digo é que o Murilo (ou Doc, como me chamam) é atleticano. Além disso, sou médico e atuo na área da Psiquiatria. Aqui, neste espaço, o intuito é conversar – de torcedor para torcedor – sobre aquilo que nos é cura, mas também comorbidade, loucura e uma licença poética: o Club Athletico Paranaense.

 

Quarta-feira, 20 de julho de 2022. Ontem não foi apenas dia de levar o Furacão à vitória com o coro das arquibancadas, foi também dia de receber o menino que daqui partiu na aventura da bola, deixou marcas indeléveis na história do futebol mundial e que, agora, retorna à casa que sempre foi sua, que sempre esteve à sua espera, materna, saudosa, orgulhosa. Seja bem-vindo Fernandinho. Para nós você nunca saiu daqui – sempre esteve em nossos corações.

Nós somos espectadores do início ao fim daquilo que começou a ser contado sem maiores pretensões, mas que ao longo destas quase duas décadas criou e consolidou um dos maiores personagens da história do Athletico. E que privilégio o nosso em testemunhar esta história. Que honra a nossa de fazer parte da história. 
Existia um adversário, mas não houve rivalidade. Era jogo de um só lado; jogo de olhar e se procurar só um personagem em campo. Não houve efeito dramático e a Arena da Baixada, em uníssono, começou a gritar seu nome. Houve um aplauso que pareceu infinito.

A quarta-feira que se passou não foi uma quarta-feira qualquer. Tivemos um compromisso com a gratidão. Foi um dia de reaproximação, da certeza de se emocionar a ponto de transbordarmos em lágrimas, mas certo de não estar triste. O melhor dos choros. 
Depois de 17 anos, chegou o dia do tão esperado reencontro.

Fernandinho está de volta ao Furacão. O que o trouxe de novo ao calor da torcida rubro-negra que se encantou com seu futebol de menino e que vibrou com ele durante toda sua vitoriosa carreira, foi sem qualquer sombra de dúvida o coração, o amor ao clube que o projetou para o mundo, ao fanático que jogou com ele todas as vezes que entrou em campo, indiferente à camisa vestida.

O Fernandinho piá entregou ao futebol atleticano desempenho luxuoso. Junto aos seus companheiros em 2004 – Jadson, Ilan e Dagoberto – colocou o Corinthians na roda no Pacaembu e meteu cinco a zero, fora o baile. Inesquecível. Agora está de volta. Que ele encontre em Curitiba o afeto de todos os atleticanos, o reconhecimento fraterno pela escolha que nos enche de orgulho. Sua volta abre capítulo de enorme valor emocional na história do clube.

Isso porque não precisa provar coisa alguma a ninguém. Saiu com a promessa que voltaria – ainda que estas falas não iludam muito o torcedor, já que sabemos que anos – talvez décadas depois – o contexto sempre é outro; as expectativas sempre são outras. Mas cumprir com sua palavra, mesmo sem obrigação formal para tal, torna o ídolo ainda maior.

Um cara que há pouco defendia a “Amarelinha” – talvez seja esta a maior glória de um desportista: poder representar seu país, frente ao mundo, dentro de campo. Um atleta que ainda atua em elevadíssimo nível e com um histórico de conquistas descomunal. Um profissional que se despediu do nada mais nada menos atual campeão da Inglaterra para retornar às suas origens. O maior brasileiro campeão em terras inglesas fez sua reestreia com a camisa do Furacão.

Fernandinho hoje faz parte da torcida que ele bem conhece. Com toda sua experiência, sabe da importância do torcedor, sabe o quanto o torcedor pode ajudar na conquista de títulos e que o povo atleticano é um acelerador de vitórias, o que, aliás, é de conhecimento geral.

O ex-jogador do Manchester City não traz apenas um ótimo nível em campo e a experiência de ter participado de um dos melhores e mais vencedores projetos dos últimos anos. Traz também características muito difíceis de se encontrar: hierarquia e mentalidade vencedora. Coisas importantes, mas cada vez mais raras de se achar.

A verdade é que Fernandinho não é mais Fernandinho. Nem o Athletico é mais Atlético. Ídolo, você começou grande no Atlético (ainda sem o “h”), saiu gigante e agora conseguiu retornar ainda maior. Independente do que aconteça daqui em diante, você já é um dos maiores nomes da história deste clube. Fernandinho, tenha a certeza de que o Furacão é ainda mais extraordinário por tê-lo aqui, entre nós. Bem-vindo de volta!

Ontem, pela primeira vez uma multidão se reunia na Baixada e se emocionava não pelo Athletico. Ontem, um atleta foi maior que o resultado da partida. Ontem, você, Fernandinho, foi maior que o próprio Club Athletico Paranaense.



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