A história do Athletico PR na Libertadores

Em 2026 a Libertadores começa e o torcedor do Athletico não tem por quem torcer, já que o clube está na Série B e, por isso, não aparece na lista de participantes. Ainda assim, a memória do torcedor não está vazia, mesmo que falhe este ano.

Com a competição mesmo ao virar da esquina, já dá para perceber que o interesse está no ar, mesmo antes da bola rolar no primeiro jogo. Embora ainda faltem algumas semanas para o início da competição, os sites de apostas não quiseram ser pegos de surpresa. Ao visitar o oddschecker, um dos maiores sites do setor, já é possível encontrar uma comparação das primeiras odds na Libertadores relativas aos primeiros jogos de fevereiro.

No caso do Athletico, esse “clima de Libertadores” vem acompanhado de um pouco de incômodo, mas também de um orgulho dos torcedores que não esquecem a história do time ao longo dos anos.

A primeira participação em 2000, quando ninguém sabia onde isso ia dar

A estreia do Athletico na Libertadores foi em 2000, quando o clube ainda buscava se firmar nacionalmente. Entrar na competição foi um feito que caiu por terra num grupo com Nacional, Alianza Lima e Emelec.

O destaque maior foi como a equipe se comportou fora de casa, que encheu os torcedores de orgulho. Ganhou no Peru, segurou resultados, e conseguiu terminar a fase de grupos na frente. Isso, para a estreia de um time, fica na história.

Nas oitavas, veio o Atlético Mineiro. Jogo difícil, onde o confronto terminou empatado e foi decidido nos pênaltis. O Athletico caiu ali, mas a eliminação não ficou marcada como um fracasso. Pela primeira vez o clube sentiu o nível de um torneio com o peso da Libertadores, saindo com a sensação de que era possível voltar.

Outras participações do time

Depois da estreia, o Athletico alternou campanhas. Em 2002, voltou como campeão brasileiro e a expectativa cresceu. Só que a Libertadores não perdoa e a equipe caiu ainda na fase de grupos, deixando uma sensação ruim no seu regresso.

A virada de chave veio em 2005, o ano que muita gente usa como referência quando fala do Athletico, pois teve goleada sofrida na fase de grupos, teve mata-mata e tudo o que faz um bom torcedor sofrer e vibrar.

No caminho até a final, o Athletico passou por Cerro Porteño e Santos, e depois derrubou o Chivas na semifinal. A Arena da Baixada virou um capítulo à parte naquele ano. O time soube jogar fora e na final, contra o São Paulo, veio o vice. O primeiro jogo foi equilibrado. O segundo não. O placar pesado deixou ferida, mas também deixou um carimbo. O Athletico já não era “surpresa”. Era candidato em potencial.

Depois disso, o clube voltou outras vezes, nem sempre com o mesmo brilho, mas com presença constante. Teve campanhas que pararam nas oitavas, como em 2017, 2019 e 2020, e outras em que o desempenho oscilou. Só que isso também faz parte do retrato real de um clube que, mesmo fora do eixo mais óbvio, conseguiu manter frequência internacional por anos. E isso não é pouca coisa.

2022, a final que foi possível

A Libertadores de 2022 é recente e, por isso mesmo, bate diferente. O Athletico entrou no torneio com um time competitivo, uma ideia clara e um elenco que sabia sofrer sem virar refém do jogo. Passou pela fase de grupos e, quando chegou o mata-mata, mostrou uma das versões mais concentradas do clube na história.

Nas oitavas, eliminou o Libertad num confronto que exigiu atenção até o fim. Nas quartas, segurou o Estudiantes e decidiu no detalhe. Na semifinal, encarou o Palmeiras e avançou num duelo em que cada bola parecia ter peso de final. Não foi uma “campanha bonita”. Foi uma campanha dura, prática, de time que entendeu como a competição funciona.

A decisão foi contra o Flamengo, em Guayaquil. E ali o roteiro virou na parte mais cruel. Uma expulsão mudou o jogo cedo, o Athletico precisou se reorganizar e, num momento, o gol saiu. Perdeu por 1 a 0. Vice de novo. Só que, diferente de outras finais, ficou a sensação de que estava na mão. Que dava.

Hoje, com 2026 sem Libertadores no horizonte, a história não serve só para nostalgia. Serve para lembrar que o clube já voltou de fases ruins antes. E que, quando volta, geralmente não volta para o passeio. Volta para competir.