Pula fogueira, Iaiá

“Salada Tropical”, “Geléia Geral”, “Paella Atleticana”, “Moonlight Team”… qualquer destes títulos caberia nas colunas sobre este domingo, haja vista a zona em que virou o time rubro-negro ontem. O fato é que Geninho está amolecendo, portanto, perdendo a sua ternura. Então, em respeito à influência da apresentação, vamos também à “mistura”.

O bom técnico começa a usurpar de seu carisma. E desta vez não parece ser por imposição de outrem, tal qual foi ano passado, quando sofrivelmente éramos obrigados a assistir alguns boleiros desfilando sua incapacidade de jogar num Clube como o nosso. Mas, por força do mercado, teriam que aparecer para ver se alguém compadecidamente lunático os levava embora daqui.

Inobstante o tamanho prejuízo que isto tenha causado em nosso oscilante e derradeiro posicionamento nas tabelas de classificação, e o suplício pela permanente possibilidade de descenso, aconteceu. Pior, o ilusório “sucesso” daquele angu de jogadores, improvisações, razões & emoções, serviu na bandeja o mesmo cardápio para o Paranaense e Copa do Brasil. Começar este Brasileirão daquele jeito, já beirava a irresponsabilidade. Mudaram, sim, mas muito pouco. E praticamente nada de mudanças na FILOSOFIA de jogo, o fator mais importante para que um time transforme-se num verdadeiro elenco.

Ontem, perdemos por dois motivos apenas, mas fundamentais para que a derrota viesse, não sem aviso: foi quadro a quadro desenhada, feito o rapazote que engana a namoradinha dizendo sofrer de criptorquidia, o que, para ele, justifica a dispensa de uso do incômodo dedal de látex… dali a 3 ou 4 meses a menstruação da menina não desce nem com bang jumping, ou seja, lenta, mas naturalmente, a coisa acontece. E os adeptos do “achismo” aduzem “fatalidade”, tststs.

O primeiro: Galatto. Há muito tempo vem comprometendo seriamente não as partidas, mas sim os resultados, placares. Mas continua sendo mantido na titularidade, quase que por teimosia. Hoje falhou feio nas saídas do gol, socando a bola para baixo. Pergunto quantos jogos, quantos campeonatos, quantas falhas ou quantos gols absurdos tomados serão necessários para que se conclua que o cara esteja em “má fase”:

-“Existe um número ”x” de ca*****? Então conte-nos qual é, caro mestre. Pois o apreço que temos por ti obrigatoriamente deve ser recíproco!”

E a coisa não se resume nestes dois lances. Carece o CAP, de uns 4 anos para cá, de bons treinadores de goleiros. Além de levarem gols de bolas paradas, ficam limitados a pequena área, encolhendo-se nas jogadas, deixando espaço para quem quiser vir, tipo Diego Pebolim mesmo (hoje reserva do Santo André, creio eu): incrível como pode alguém “esquecer” de jogar bola. Esquecem-se ainda que a grande área também é seu espaço. Acuados, não impõem respeito em seu próprio território, que fatalmente vira terra de ninguém.

O segundo: o recuo do time. Sinceramente, Geninho chega ao cúmulo da decepção quando, após inovar iniciando no 4-4-2 e metendo 2×0, justo no momento em que o adversário faz o 1º gol, tira o Wesley para colocar mais um zagueiro. Virou num 5-3-2 e terminou o jogo num 7-0-2 (Wallyson vazou). Literalmente se arreganhou para que o Náutico se mandasse pra cima:

-“Vem baiano, vem!” – igual ao Fred Mercury Paniquista.

Tentando limpar o que havia feito, reincidiu no erro, tirando Marcinho e colocando o sensacional jogador “Pinball Wizard”, astro cegueta da ópera rock Tommy. Alguém me conte por favor o que este moço fez de bom no Atlético até hoje. Espalhada a merda sem alpargata-roda, saca Márcio Azevedo e joga na fogueira o coitado do Patrick – isto sim é queimar, lançando o cara em plena derrota em casa no fim do jogo – fazendo com que nos sentíssemos num pleno São João antecipado, sem pinhão nem quentão, acabando a tarde de domingo chupando pamonha sentados no pau de sebo. Mais uma chance de fazer 3 pontos foi “queimada”, tal como fizeram com o bandido francês adorador de ratos, Delacroix, em “À Espera de um Milagre”.

Claro que existem técnicos que, ao recuarem suas equipes, conseguem o resultado que querem (eles, técnicos). Mas não é o resultado que precisam, pois não é a forma que o brasileiro gosta que seu clube jogue. Também porque esta FILOSOFIA de jogar no contra-ataque e escalar times de acordo com a escalação do adversário – ainda mais jogando em casa – é completamente vergonhosa e, principalmente, não compactua com os Atléticos de 2001 e 2004 (até o que começou 2005), cujo poder ofensivo era justo o que lhes movia. Uma coisa é o resultado querido pelo técnico, outra coisa é o desejado por nós: diferença que se mostra cada vez mais ululante. Covardes não vão a lugar algum.

Mas Geninho é humano. Errou feio. Não escutei as entrevistas porque, em nome da especulação, me recuso a ouvir que “a garotada é jovem, faltou experiência” ou que “o adversário jogou fechado, dificultando a penetração”, ou ainda “em casa está se tornando mais difícil jogar por causa da pressão, os garotos sentem”, talvez “tirei ele porque já tinha amarelo”: este discurso não me pega. Então teríamos decerto que contratar a turma do showbol, ou jogar contra o time das girls da Sexy Club, ou quem sabe mandar os jogos no eco-estádio, por último cobrar na FIFA a introdução do cartão azul.

Ou muda de FILOSOFIA ou pede licença para defecar e sai. Não vamos agüentar o 5º ano consecutivo de vergonha deslavada.

Enquanto isso Wallyson, o pulmão do time, seguirá se recuperando de lesão pelo excesso de dedicação. E Julio dos Santos ficará inexplicavelmente esperando sentado no banco, porque de pé, cansa. Junto com ele estarão os goleiros Santos, Neto e Renan Rocha. Ainda Carlão, Manoel, Marcelo e Kamali. Patrick será titular, quem sabe após a venda do Rafael Salmoura, o jogador que por hora vive de molho na conserva.

Enquanto isso, a Gazeta do Polvo vai soltando tinta, feliz da vida, confirmando a previsão chargista na qual invocou o ”profeta” Lair Ribeiro das Laranjeiras (Renê Culhões), onde acabaríamos a rodada na lanterna, ou inventando para nós mirabolantes sondagens de contratações como a do veterano Vieri.

Enquanto isso, o tablóide sanguinário de alma verde deixou de arrecadar, pelo menos comigo, cerca de uns R$30,00 desde o ocorrido. Se mais nove fizeram como eu, perderam uns R$300,00. Caso tenha chegado a uma centena, eles já desperdiçaram de faturar R$3.000,00. Mas… será que foram apenas 100 atleticanos que deixaram de comprar o dito cujo? Boa pedida para uma enquete.

Enquanto isso, a gambazada vai colecionando pontos na base de pênaltis inventados, faltas inexistentes perto da área, expulsões de adversários, e a corja da imprensa babando nos ovos dos dentuços Laurel & Hardy. E as frutinhas do Morumbi vão marcando tentos plenamente impedidos. Discernindo entre o que seja tosco e o que deve ser louvado, São Marcos: ah, esse é goleraço!

Enquanto isso eu me consolo no You Tube, vendo as jogadas de Alex Mineiro, Kléber e Kleberson, Fernandinho, Jadson, Washington e pasmem, Denis Marques: que saudade, Denis Marques. Que saudade daquela FILOSOFIA de toque de bola, lançamentos, cruzamentos, defesas, enfim fundamentos… atacar, jogar pra frente, na direção do gol, independentemente de quem fosse “os outros”.

“Tudo isso acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos…” – resumiu Zé Geraldo.

“Ainda é cedo, cedo, cedo…”, cantarolava Renato Russo. Tratamos Geninho como um Rei.

É importantíssimo lembrar que Renato Russo também escreveu “Por enquanto”.

p.s.: Domingo que vem, o baconiano imperador das festinhas decretará a vitória do Flamengo por 1×0, claro que de pênalti, após uma ou duas expulsões nossas. Porque é muito fácil profetizar em cima dos cambaleantes que margeiam as valetas. Feito o 3×0 (ou seria 4×1?) que o Inter vai meter 4ª feira nos aniversariantes do século, os verdes cirinóides, amigos de Malucelli.

-‘Vai Marcos, ser gauche na vida!’