Muitas coisas ruins aconteceram ao Atlético nos últimos anos. Uma sucessão de equívocos culminou com o espetáculo deprimente do domingo. Em frangalhos, nosso time, que carrega a lanterna indiscutível, merecida, inexorável, sofreu a terceira derrota consecutiva em casa desta vez, uma goleada clássica e humilhante. Somos os últimos, e o caminho para a queda parece não ter volta. Não é por acaso que a sensação de fracasso toma conta de cada um de nós, atleticanos, logo no início do longo campeonato. Nossos problemas são estruturais, profundos. Pagaremos um preço alto pela insistência nos mesmos erros. O futebol tem sua lógica, e a lógica do futebol não perdoa a mediocridade.
De uns tempos para cá desde a posse da atual diretoria , foi desencadeada uma guerra interna no clube. A divisão política do grupo que ganhou as eleições no final do ano passado ultrapassou os limites dos conselhos, atingindo o imaginário dos torcedores, desde os mais honestos até os porta-vozes de interesses mesquinhos, passando pelos rebeldes com causa. Pessoalmente, eu nunca havia presenciado tamanho conflito entre pessoas que nutrem uma única e transcendente paixão. O resultado desse turbilhão de sentimentos poderia até ser construtivo, motivador, democrático, etc., etc., etc… Mas não foi. As discussões intermináveis serviram apenas para lançar nossa auto-estima no fundo do poço. Passamos a nos rotular uns aos outros. Acusamo-nos de viúvas do MCP, amantes do MM, velhos da Getúlio, pelegos da Fanáticos e outras bobagens do gênero. Enquanto nos digladiávamos, o Atlético, como instituição, regredia assustadoramente. Não fomos capazes de enxergar o tamanho do desastre. Sob esse aspecto, a responsabilidade pelos dias horrorosos que nos atormentam tem que ser dividida. Todos nós temos uma parcela de culpa.
Uma parcela, apenas. Na verdade, o núcleo do problema, que não é pequeno, está no comando do clube. O Atlético-modelo-de-administração enterrou o futebol há pelo menos quatro temporadas. Bons times formados por revelações garimpadas Brasil afora não vestem a camisa rubro-negra desde 2005. Nesse ano, fomos vice-campeões da Libertadores, é certo. Mas também é certo que a campanha vitoriosa surpreendeu até mesmo os mandatários da época. Aquele conjunto superou as suas limitações e nos deu a última alegria. Depois, veio o circo de horrores ao qual nos acostumamos lentamente. Batemos todos os recordes negativos em nosso estádio. A partir de 2006, não fizemos mais do que fugir do rebaixamento. De tanto insistir, somos os maiores candidatos à segundona em 2010 um favoritismo precoce e assustador. O raciocínio é simples. Um clube que se coloca entre os primeiros durante quatro ou cinco anos seguidos tem enorme chance de conquistar ao menos uma das edições do campeonato. Já um clube que frequenta a zona da degola pelo mesmo período está condenado ao tropeço fatal. Infelizmente, enquadramo-nos no último grupo.
Nessa história macabra, erra quem coloca em lados opostos as gestões de MCP e MM. Apesar de rompidas, elas têm a mesma linhagem, são farinha do mesmo saco. O nosso rebaixamento iminente faz parte de um processo. Há os que sonham com a volta do antigo ditador, como se nele fosse possível encontrar a saída para a angústia que nos aflige. O time petragliano não seria melhor do que o amontoado do Malu. O time petragliano estaria, hoje, maltratando a bola em campos de várzea, sob a batuta de givanildos, fernandes, eutrópios e congêneres.
O que muda, apenas, são as palavras. Quando o navio afundava sob o comando de MCP, a resposta eram notas oficiais em que a arrogância ilimitada tentava esconder a realidade. Podíamos estar na lanterna, como hoje, mas o timoneiro nos anunciaria um futuro grandiloquente. Seríamos, cada um de nós, protagonistas de um enredo de conquistas e sonhos, ainda que o tal porvenir não chegasse nunca. MM, ao contrário, é de uma humildade irritante. Reclama da falta de estrutura, da falta de dinheiro, da falta de patrocinadores, da crise mundial, da previsão do tempo, da Copa do Mundo na Baixada. Reclama de tudo, pessimista inveterado, e se mostra pequeno diante do monstro em que se transformou o futebol profissional.
O Atlético ficou triste. Nós ficamos tristes. Eu fiquei triste, cansado de acompanhar a sucessão de gols adversários que nossa zaga patrocina a cada sete dias, assistida por um meio de campo inoperante. Meus olhos se enchem de água ao ver que nossos atacantes são incapazes de superar o isolamento que lhes impõem esquemas táticos de araque. O domingo, mais uma vez, foi de machucar a alma. O adeus de Geninho. Nossas preciosidades brutas lançadas aos leões. Nossos meninos, nosso amanhã, nossa esperança despedaçada. Raul, Carlão, Manoel, Patrick, Marcelo, Fransérgio… Quem será o próximo?
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