Reino atleticano?

Caro leitor, é a primeira vez que escrevo e se me permitem prefiro deixar as apresentações para o final e expor algo que acredito que todos vocês sentem agora.

A nação atleticana sente na pele as dificuldades em escolher as palavras que definam o que sentimos ao ver um clube tão amado ser tratado de forma tão displicente por pessoas que ocupam a grande hierarquia na instituição.

Perguntamo-nos por que clubes com estruturas pífias e dívidas gigantescas têm condições de contratar bons jogadores com raça suficiente para se doar em prol daquele escudo que está ao lado esquerdo de sua camisa, de juntos fazerem excelentes campanhas e orgulharem seus torcedores, muitas vezes não com vitórias, mas que ao menos esboçassem uma atitude de raça e doação. Senhores, isso não acontece por que não temos guerreiros e estamos ficando sem comandantes. Sendo assim, a pergunta que não quer calar é: como pode um reino não cair em decadência tendo somente a nobreza, o castelo e um exército de guerreiros covardes?

Esse reino, meus amigos, deveria ter como seu maior tesouro os plebeus que o amam e que mantêm esse reino e seu belo castelo em pé.

Nobres amigos atleticanos apaixonados, eu vos convido a trajar-se de sapatos grandes, calças largas, suspensório, gravata borboleta, peruca, maquiagem e um belo nariz de palhaço ou até mesmo um bobo da corte do grande reino, pois é dessa forma que a diretoria ou a nobreza do nosso clube nos vê. Enquanto eles enchem as burras de patacas, nós vivemos essa angústia e raiva após cada jogo dessa equipe amadora de comediantes que fazem os adversários rirem e seu povo chorar.

Então, choremos! Vamos ao bar da esquina afogar as mágoas por sermos espectadores da decadência de uma grande paixão. Mas o coração é bobo e sempre mantém uma pontinha de esperança de que a relação volte a ser feliz.

Agora preclaro leitor, caso lhe interesse saber quem vos fala. Eu sou aquele mesmo atleticano que em 2004 foi até dado como morto por alguns jornais, quando nossa torcida foi atacada covardemente pela torcida do Corinthians ao seguir rumo ao jogo no Rio de Janeiro contra o Vasco da Gama. Graças a Deus hoje estou vivo para contar a história e fora a indignação de não ter nenhum poder de reação, herdei apenas um traumatismo craniano, algumas escoriações e a dor de ver meu pai chorando ao ver meu estado na cama. Naquela época eu torcia por um clube que tinha identidade, sem estrelas, mas com personalidade e raça inigualáveis. Hoje afirmo com a certeza de que passei por apuros, mas não via meu time ser tão humilhado como é hoje.