Gostaria de começar destacando a permanência do Atlético Paranaense na primeira divisão do futebol brasileiro, pois, se não temos quase nada para comemorar (muito pelo contrário), pelo menos não temos muito a lamentar. Nesse trágico ano do futebol paranaense, foi o Atlético quem se deu menos pior.
Um ano que começou como sempre com muitas promessas, se levarmos em conta a campanha realizada pela chapa da situação nas últimas eleições do clube.
O discurso era que o Atlético investiria mais no futebol do que em patrimônio, trazendo reforços e traçando um planejamento que almejasse uma grande conquista no âmbito nacional, mas, logo no campeonato paranaense não foi isso que se viu. Não tivemos um plano traçado, não tínhamos nenhuma meta a ser atingida e o pior de tudo: não tivemos uma pré-temporada decente, nem ao menos grandes reforços que haviam sido prometidos pelos recém-eleitos. Nosso time era mediano tendendo pra ruim. Era fácil de perceber que com esse time lutaríamos no máximo pelo campeonato paranaense.
Fizemos um campeonato paranaense nada mais do que regular, levamos sufoco de equipes recém-montadas, mas aos trancos e barrancos conseguimos nos posicionar em primeiro lugar na fase de classificação, e graças ao supermando, cláusula absurda contida no regulamento da competição, levamos todos os últimos sete jogos decisivos para dentro do nosso território, e lá a torcida fez a diferença, conseguindo transmitir força e vontade através de seus cânticos, fazendo um time que por diversas vezes mais parecia um bando desorganizado ganhar literalmente no grito. Mesmo com os últimos jogos sendo disputados na Baixada, não foi tão fácil quanto parecia e realmente se não fosse a torcida, acredito que teríamos amargado um vice-campeonato no torneio regional. Pelo menos algo haveria para comemorar. Porém, essa conquista trouxe a falsa ideia de que tínhamos uma boa base, já mantida desde 2008, quando na verdade não a tínhamos para disputar os campeonatos nacionais que começariam em breve. O quadro ficou mascarado, mas fomos em frente com o que tínhamos de melhor…
Quando veio a Copa do Brasil, renovaram-se as esperanças. Após passarmos facilmente pelo time do Tocantins e pelo ABC de Natal, viria a prova de fogo, o embalado Corinthians, até então invicto no ano de 2009. E foi justamente neste jogo que vimos uma das melhores apresentações do Atlético no ano. Torcida e time unidos numa mesma sintonia foram ótimos e o Rubro-Negro venceu com autoridade naquela noite. Abrimos 3 x 0, mas vencemos pelo placar de 3 x 2, porém poderia ter sido melhor não fosse o árbitro do jogo, que marcou uma penalidade inexistente desperdiçada pelo zagueiro Chicão, e claramente inverteu faltas, além de sempre favorecer ao time paulista até que eles conseguissem diminuir o placar. Fomos para São Paulo para o jogo de volta e se a sorte nos sorrisse naquele chute de Wallyson, que tocou na unha do Felipe e bateu na trave, poderíamos ter ido mais adiante na competição. Infelizmente a noite era de Ronaldo, que marcou dois gols e classificou seu time para a fase seguinte. Pelo menos havia ficado de lucro as duas grandes apresentações que fizemos diante do poderoso Timão e a expectativa de que enfim o Furacão encontrara seu futebol. Doce ilusão…
Em paralelo às quartas de final da Copa do Brasil iniciou-se o longo Campeonato Brasileiro. O Atlético tinha como fator motivador o grande futebol apresentado diante do Corinthians, mas logo no primeiro jogo contra o Vitória, na Arena, percebeu-se que o futebol nem era tão bom assim. Fomos facilmente dominados pela equipe baiana e na estréia da competição fomos derrotados em casa. 2×0 fora o baile. Na sequência do campeonato ficamos na mesma rotina, derrotas vexatórias, como a virada que sofremos do ruim time do Náutico, em plena Arena da Baixada. O comandante Geninho tinha muita dificuldade para montar uma tática que pelo menos esboçasse algo parecido com um time de futebol. Não deu outra: após a humilhante derrota para o galo mineiro por 4×0, dentro de casa, Geninho pediu demissão antes que o demitissem. A única boa notícia era a contratação de Paulo Baier, que veio para o Furacão após se desentender com o comando técnico do Sport Recife.
Após algum suspense, especulações de nomes como Leão e Nelsinho Batista, trouxemos nossa mais nova aposta para comandar o time, o Sr. Waldemar Lemos. Ânimo renovado, mas time idêntico não foram uma boa mistura e o Sr. Waldemar com sua calma em analisar o jogo e mexer no time capaz de tirar a paciência de qualquer monge budista via jogos que ninguém mais além dele via. O time ia de mal a pior e o técnico insistia na mesma tática e nos mesmos jogadores que em nada contribuíam para tentar tirar o time da situação que já começara a se transformar em desesperadora. Era muito claro que lutaríamos para não cair mais uma vez.
Após novas catástrofes, a diretoria, enfim, resolveu se coçar. Mandou embora Waldemar e junto com ele afastou seis jogadores por deficiência técnica, além de promover jovens valores da nossa base, que meses antes haviam sido destaque absoluto na principal competição da categoria juniores (a Copa SP). Não sei porque demoraram tanto! Com eles também chegou o experiente Antônio Lopes, que eu confesso ter achado que não daria certo. Contudo, Lopes, e sua malandragem de anos e anos frente a grandes clubes brasileiros, conseguiu implantar um sistema de jogo que funcionou de imediato e pudemos comemorar quatro vitórias seguidas, sendo três delas fora de casa. Apesar disso, o time continuava o mesmo, com exceção de alguns bons jogadores, e capengamos durante todo o segundo turno inteiro para conseguirmos nos livrar da maldita ZR somente na penúltima rodada do campeonato, frente ao Botafogo. Ufa! De novo!
Ah, quase me esquecia da Copa Sul-Americana. Sobre este campeonato apenas um comentário: se for pra colocar time misto ou reserva para priorizar os jogos do campeonato brasileiro, pois corríamos risco de entrar na ZR e por lá ficar, é melhor nem se classificar mesmo, pelo menos poupamos tempo e dinheiro.
O ano terminou e nada demais aconteceu. Desde 2006 vejo o mesmo filme de terror que assombra nós atleticanos. Mais uma vez comemoramos somente um título paranaense, que agora já é motivo de alegria para comemorarmos pelo menos uma conquista no ano, além da queda dos coxas. Nossa maior alegria, nos últimos tempos, está sendo comemorar a permanência na primeira divisão e ver nosso maior rival de dar muito mal por ter o planejamento ainda mais pífio que o nosso. Precisamos nos reformular e começar a pensar diferente dos últimos anos para que não corramos o risco de nos juntarmos a eles nos próximos anos. Temos que aproveitar essa queda do coxa para tirarmos a lição do que não se deve fazer nos próximos anos. Precisamos agir como clube grande que somos e de uma vez por todas cravar nosso nome no cenário nacional como o case de sucesso entre os times de futebol do Estado do Paraná. Mas se não houver um bom planejamento e uma meta a ser atingida, além de um comando de pulso firme, uma base boa e uma pré-temporada decente, com jogadores a fim de honrar a camisa rubro-negra assim como fazem seus torcedores, continuaremos nesse regresso exponencial que vivemos desde o último bom ano de 2005, e corremos o risco de fazer companhia ao time verde no próximo ano. Para obtermos sucesso, fica meu pedido para que os dirigentes rubro-negros se conscientizem e não meçam esforços para que tenhamos um time competitivo para 2010, pois se conseguirmos beliscar algumas vitórias fora de casa lutaremos pelo menos por uma vaga na Libertadores, pois dentro de casa a torcida sempre estará ao lado do time para fazer a diferença e garantir a maioria das vitórias para nosso amado Atlético Paranaense!
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