Julgamento

Quanto um agente comete uma conduta típica, antijurídica e culpável, ele comete um crime. Vem o processo, indícios, provas, acusação, defesa, decisão. Culpado ou inocente.

Quando a decisão é ‘culpado’ essa culpa pode decorrer de dolo, vontade em praticar o ato e seu resultado, ou culpa, ausência da vontade de praticar o ato e seu resultado, porém por imprudência, imperícia ou negligência deram causa a ele.

Sem embargo das nuances e variações legais e principiológicas, é mais ou menos isso.

Termina o semestre de número 1 do Furacão no ano de 2010.

É hora de julgar quem é culpado e quem é inocente por todos os atos do nosso Atlético.

Jogadores.
Culpados. Culpa.
Ser jogador é uma escolha. Você se coloca no mercado de trabalho, mostra seu ‘potencial’ e alguém que acredita em você (ou quer lucrar com você) te contrata. Você joga. Bem ou mal. Termina o contrato ou ainda antes, vai embora. Fim do vínculo.
Nenhum jogador do Atlético jogou voluntariamente para perder. Nenhum deles, inclusive se omitiu com vontade de não fazer nada em campo.
Não há como negar que até raça demonstraram e superação. Mas eles não tem mesmo é qualidade. Não tem graduação, pós-graduação, sequer mestrado e doutorado em futebol. Não sabem fazer o que se propuseram a fazer. Não tinham conhecimento dos atos que praticavam, mas não podem alegar desconhecimento da lei, da regra.
Por isso, são culpados também, apesar de não terem ‘culpa’ por estarem em campo. Merecem uma justa-causa. Fim da linha.
(em outro texto comento individualmente o time que pode lutar bravamente para escapar da segundona SE em todos os jogos jogarem com a vontade que jogaram ontem. Pois só temos, mesmo, vontade!).

Técnico.
Culpado. Dolo eventual.
Pobre do técnico do Atlético. Desde Lopes em 2005, não temos um elenco. O técnico trabalha com o que é a ele disponibilizado. Se só lhe dão sucata, não pode transformar isso em coisa nova. Não há, em sã consciência, nenhum treinador no mundo que faça o atual elenco do Atlético campeão. Não há! Nem, com Paulo Baier, Clayton e Alex Mineiro no auge de suas formas! É impossível.
Leandro aceitou o desafio, assumiu o risco, portanto, podendo agir de forma diversa não o fez. Concorre com sua vontade. E mais, agrava a sua pena ao escalar volantes na lateral, zagueiros no meio, volantes na zaga, três atacantes sem meio campo, reservas como titulares, jogadores sem absoluta condição de jogo para atuarem e, ainda, qualifica sua ação por tentar eximir-se de sua culpa, praticando outro ato ‘ilícito’: jogar sem a responsabilidade do resultado, por se dizer interino, e fazer o que qualquer torcedor irresponsável faria: ‘atacar’. Ao contrário de Lopes que reconheceu a ineficiência desse time e buscava na segurança da defesa a base para o ataque, este Leandro se jogou à frente, como qualquer leigo o faria, ‘sem olhar para trás’. Ou seja, é como se dissesse: ‘estou jogando pra você torcedor, não dá pra fazer nada de diferente’. Será que com Lopes, que tinha um time limitado em 2005 e quase conquistou a América não teríamos melhor sorte? A título de comparação, ao menos Lopes empatou o Atletiba. Niheues, perdeu.

Diretoria.
Culpada. Dolo direto.
A diretoria foi quem manteve a base fracassada de 2009. Vendeu as peças ‘meia-boca’ que tínhamos (veja onde chegamos: lamentamos a ausência de Marcinho, que jogou bem 6 ou 7 jogos em 2009). A diretoria que contratou jogadores em posições que tínhamos carência e trouxe quem? Lisa. Não que ele não seja um lateral. Mas ele definitivamente não é a solução que precisamos. Temo que ter jogadores que entrem em campo como titulares e não mais um candidato a banco como o Wagner Diniz.
A diretoria agrava sua pena ao contratar um jogador lesionado como Clayton, que tem antecedentes de mercenarismo e desagregação. A diretoria é culpada por trocar de treinador quando não precisávamos. A diretoria é culpada por trazer um treinador incapaz de alterar os prognósticos. A diretoria é ainda culpada antecipadamente por manter esse mesmo treinador. E é ainda qualificada a sua conduta por não mandá-lo embora antes da 5ª rodada e mantê-lo até longos dias após a Copa do Mundo.
É culpada a diretoria por deliberadamente contratar um profissional para cuidar de futebol que tem duas características ‘criminosas’: é dolosamente incompetente e atua contra as cores que o pagam. A diretoria é culpada por querer investir em chuteiras, e seu presidente (assim como esse escriba) nada entender de Direito, quiçá de botas e chuteiras!
A diretoria precisa retirar-se de lá ou sofrer intervenção e, ao invés de cumprir pena em penitenciária do estado, fazê-lo em medida de segurança, em um lugar para loucos de toda sorte, antes que levem toda uma nação à derrocada, sem perspectiva de volta (ou seja, se com a grana de hoje, não dá pra se manter na primeira divisão, com a grana da segundona, cairemos pra terceira!). Enfim, por diversos outros motivos, ‘crimes’, falhas dessa diretoria que é mentirosa (pois nada investiu em chuteiras) que é enganadora (pois nos prometeu um time vencedor) e que quer dolosamente nos derrubar à série B, está condenada!

Torcida.
Inocente.
Apoia o time. Começou com 2 mil sócios. O Atlético nos pediu 10 mil para termos um time vencedor. Demos 12 mil. Depois, só com 20 mil seria suficiente para conquistar o mundo. Demos ao Atlético 20 mil. Fomos chamados de falácia. O Atlético nos prometeu títulos, o melhor ataque do Brasil. Conquistamos, ano após ano, a marcante ‘melhor campanha contra o rebaixamento nas últimas 10 rodadas do Brasileirão’. Pouco. Quase nada. Realmente nada!
A diretoria foi quem manteve o Antonio Lopes. Ela o mandou embora. Ela colocou Niheues. Ela o mentém agora. Não quis pagar uns trocados a mais para ter alguém com competência de verdade no banco, pagou pouco por um técnico desconhecido que fez o que todos os outros desconhecidos e meia-bocas fizeram: nada! A torcida continuou fiel.
A diretoria vendeu grandes jogadores e trouxe, ninguém! A diretoria que não quer pagar ‘X’ para ter um bom jogador porque precisa manter as finanças em dia, acaba pagando 2X ou 3X no meio do ano por uma meia dúzia de algo ‘um pouco melhor que pernas de pau’ pra consertar o coreto, se salva e aposta nessa mesma meia dúzia ‘um pouco melhor que pernas de pau’ para vencer no ano seguinte. A torcida continuou fiel.
A diretoria que se quer demonstra vontade de ter a Copa em sua casa. A torcida continuou fiel.
A torcida seguiu o conselho de JFK: ‘nunca perguntou o que o Atlético podia fazer por ela. Sempre fez algo, muito, tudo e mais um pouco pelo Atlético’. Agora está isenta de pena caso se desassocie, caso não vá mais à Arena, caso pare de torcer fervorosamente enquanto o Atlético não lhe oferecer nada em troca, senão sofrimento.

*Inocentes (em latu e strictu sensu) que somos, continuaremos torcendo. Mas precisamos exigir mudanças urgentes do gandula ao presidente. Do jeito que tá, não dá mais.