A falta de um cartola

Nos falta uma cartola de verdade.

Um cartola que nos surpreenda com grandes jogadores que não tínhamos ouvido falar, como os colombianos Valencia e Ferreira (em seus tempos áureos); mas que também nos decepcione com contratações (um tanto quanto duvidosas) do caquético goleiro Montoya ou do perna-de-pau Lobatón.

Nos falta um comandante que tenha a galhardia que brigar contra tudo e contra todos: CBF, FPF, arbitragem, televisão, etc., buscando dar maior destaque ao rubro-negro; mas levando a teimosia ao extremo que nos prejudicou em vários momentos.

Também não temos mais quem nos proteja dos abusos do futebol, dos salários exorbitantes, das custosas contratações, tendo sempre como alternativa a busca por revelações, por novidades que podem vir a dar certo ou não (como bem sabemos).

Nos falta um cartola que nos engane, que crie um mundo de desilusão, onde tudo corre tranquilo. Que temos a melhor estrutura do mundo, garotos nas categorias de base sempre prontos a despontarem, muito dinheiro em caixa e um superávit invejável. E que não precisamos nunca nos desesperar com o fantasma da Segundona.

E ainda, não temos mais um cartola que, para criar esta ilusão, guarde tudo em sua caixa preta, de onde pode sair grandes soluções ou lastimosas perdas.

O que nos sobrou? Uma administração transparente, conciliadora e participativa, mas inexperiente, inócua e, o pior de tudo, previsível.

Nos falta um cartola de verdade (embora não tenha certeza que queira um)!