Juarez Villela Filho, não te conheço e poucas vezes li suas colunas.
Mas, meus parabéns por cada letra e cada vírgula de seu texto “O último que apague a luz”.
Já escrevi, aqui neste espaço, que devemos muito ao M.C.P.. Porém, a cada dia que essa dinastia se perpetua cresce também a dívida dele para conosco. Dívida impagável, que começa a se sobrepor a todos os seus créditos: M.C.P. transformou nosso caldeirão em um freezer. Arrancou-nos a alma. Estuprou nossos sentimentos. Assassinou nossa vibração.
Não falo isso em função do momento tecnicamente ruim desse time (e bota ruim nisso), pois isso a cada dia menos me toca. Minha revolta com as derrotas já nem é mais a mesma. Até ele mesmo, num lapso recuo da sua arrogância se deixou convencer na questão da bateria: Porém, M.C.P., isso foi apenas uma atenuante para seu crime hediondo de sufocar a mais vibrante torcida com ingressos caríssimos e um esquartejamento da alma agora segmentada e manipulada por suas paredes de vidro. Hoje, M.C.P., meu grito está sufocado, e quando vou ao estádio sinto um grande vazio…Do outro lado dos vidros vejo apenas gestos mudos…Silêncio de inocentes.
Você perdeu a oportunidade histórica de nosso caldeirão explodir em todo jogo. Para você vale mais um torcedor de R$ 30,00 do que dois de R$ 15,00 gritando fervorosamente mas não consumindo nos fast foods, porque o único dinheiro que lhes resta é do V.T. de volta. Como você explica M.C.P., que num estádio fétido em ruínas os Coxas de Segunda Divisão nos ganham em média de público? Mas, quer saber M.C.P., divirta-se e lucre cada vez mais, cada dia mais. Afinal, esse Atlético é seu e não é nosso.
Mas não se iluda, você não construiu tudo sozinho. Eu te ajudei. E quem sou eu? Um simples torcedor que acreditei em você. E que em cada canto dessa cidade estufava o peito orgulhoso de você e daquilo que estávamos fazendo juntos. Eu não me importava sentar nas escadas e tapar os defeitos do “mais moderno da América latina” perante tudo e todos, afinal essa era nossa parceria. Mas até isso passa, hoje não somos sombra pra os “engenhões” que estão surgindo…
E hoje tenho menosprezo por você e pela obra de sua mente capitalista. Você me enganou. Você me usou. Mas eu ainda verei seu fim, quando a alma rebelde atleticana acordar que devemos honrar os que fazem da TORCIDA O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM CLUBE.
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