É difícil, quando se está de cabeça quente, seguir um raciocínio lógico e coerente sobre o tema ao qual a pessoa se prontifica a escrever, mas vamos lá.
O que dizer, amigos? O que escrever de diferente? Qual palavra de alento usar, qual frase proferir para tentar acalmar a imensa torcida atleticana depois do que estamos testemunhando?
É difícil. Se não consigo sequer enxergar o túnel como querer ver luz no final dele?
A história do Clube Atlético Paranaense está novamente sendo reescrita. Pena que dessa vez seja uma história que não nos dá orgulho nenhum.
Em 1995, começamos uma história dentro do Clube. Uma história que seria de grandes e inéditas alegrias. Uma história de orgulho e felicidade. Uma história que nos faria ser um clube a ser batido, temido. Com representatividade e respeito finalmente alcançados. Metas antes nunca imaginadas.
Para nossa surpresa e tristeza essa breve história terminou em 2005. Durou apenas 10 anos. Foram 10 anos maravilhosos! Que fizeram os torcedores do Clube acreditarem que vôos mais altos poderiam ser atingidos. Que mais inéditas alegrias poderiam ser conquistadas.
Teriam esses 10 anos feito parte de um universo paralelo? Teriam eles mesmo existidos?
Para aquele torcedor menos desinformado, aquele torcedor esporádico, de ocasião, diria, olhando para esse Clube Atlético Paranaense de 2005 pra cá, que esses 10 anos jamais existiram e que foram delírios de torcedores apaixonados e irracionais.
Mas a verdade é que eles existiram sim! Fomos respeitados e até temidos. Surgiram as chamadas ‘místicas da caveira e da Baixada’, surgiram os destaques em noticiários nacionais e internacionais, surgiram as viradas históricas, as revelações, as rivalidades nacionais e internacionais. O River Plate veio jogar aqui! Jogamos e vencemos o River lá! Quem iria imaginar isso? Enfim, por 10 anos surgiu o tão almejado respeito.
O que nos restou desse período de títulos e respeito? O que sobrou para nós torcedores de arquibancada hoje, sócios de um Clube que se perdeu e que vem, a passos largos caminhando para uma extinção?
Hoje nos resta apenas a vergonha, o descaso, a ingratidão, as intrigas, decepções, as mentiras, a opacidade nas informações, a passividade, a incoerência.
Hoje nos conformamos em ver o Clube ser presidido por falsos atleticanos. Pessoas dúbias que só rezam e se ajoelham para o deus dinheiro. Que alugam o clube, que dizem amém a maldita imprensa que sempre nos odiou; que toma cafezinhos no meio da tarde com comissões de arbitragem para implorar que não nos prejudiquem; que não conseguem um patrocinador mesmo dizendo que existem diversas empresas interessadas em nos patrocinar; que aceita migalhas de patrocinadores apenas para jogos contra equipes grandes; que nos diminuiu e pôs tudo antes feito por água abaixo.
O que estamos presenciando de anos para cá? O que vemos de luz e alento? Qual palavra podemos dizer aos mais novos, aos nossos filhos?
Como pode um clube atingir um patamar de excelência em pouco tempo e conseguir, em um tempo menor ainda despencar de uma maneira vertiginosamente humilhante e vergonhosa?
O que dizer de um treinador de futebol que menospreza o próprio clube que o paga? que o coloca no patamar de clubes sabidamente inferiores? Que diz para quem bom entendedor é que iremos sim brigar para não cair novamente e que esse é o único objetivo do clube? Que não quer e não almeja nada de mais pois seu gordo contra cheque estará pontualmente em sua mão todo dia 5?
O que dizer de um treinador de futebol, funcionário do clube que diz a todos que manda e desmanda, que é maior que o próprio clube, que instiga brigas desnecessárias entre torcedores para que esses debatam que é maior e quem é melhor para a vida do clube?
O que dizer de uma presidência que assiste a tudo isso passivamente? Que permite que absurdos sejam ditos a todo instante envolvendo a instituição da qual teriam dever moral de defender?
Como alentar o torcedor que ano após ano vê jogadores de nenhuma qualidade, mercenários, em final de carreira, boêmios, machucados, eternas promessas vestirem a camisa que simboliza sua paixão?
Hoje sequer temos o direito de nos revoltar! Temos que ouvir dirigentes dizerem que é normal o que acontece.
Hoje nos transformamos em cordeirinhos que saem da antes temida Arena da Baixada cabisbaixos após vergonhosas derrotas e humilhantes apresentações sem sequer ter direito de reclamar e xingar! Pois hoje somos torcedores de primeiro mundo e torcedores de primeiro mundo são civilizados e não dizem palavras feias…
Porém nos esquecemos que torcedores de primeiro mundo possuem time de primeiro mundo! Possuem, no mínimo, uma equipe que honra as cores que representam.
Hoje gritamos raça aos jogadores quando a palavra certa seria vergonha, seria qualidade, seria honra.
Não meus amigos. Não consigo encontrar tal palavra. Talvez minha tristeza em presenciar tudo o que vejo e escuto não me deixe outra alternativa senão a de não conseguir encontrar uma palavra que acalme e dê esperança a nossa imensa torcida.
Peço desculpas aos mais otimistas, mas hoje não vejo solução, não vejo alternativas, não vejo desejo e não vejo vontade nas pessoas que teoricamente teriam poder em mudar essa situação.
Hoje, por mais atleticano que possa ser não vejo solução para meu Clube Atlético Paranaense.
Porém faço aqui um pedido: que aqueles que podem e querem me desmintam e me devolvam a alegria e a satisfação de ver uma clube orgulhoso e temido.
Isso não é um sonho. Já fomos assim. Nos façam acreditar novamente.
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