O Athletico-PR deu mais um sinal de evolução coletiva na vitória por 2 a 0 sobre o Vitória, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Se no início da temporada a equipe dependia quase exclusivamente dos gols de Kevin Viveros, agora o cenário começa a mudar. Contra o time baiano, os protagonistas foram João Cruz e Dudu, dois meio-campistas formados no CT do Caju.
Após a partida, o técnico Odair Hellmann explicou que essa transformação não aconteceu por acaso. Segundo o treinador, o Furacão precisou adaptar seu modelo de jogo porque os adversários mudaram a forma de marcar a equipe ao longo da temporada.

Athletico-PR precisou criar novas alternativas
Odair revelou que, no início do ano, os adversários pressionavam a saída de bola do Athletico-PR e deixavam espaços nas costas da defesa. Com a boa campanha do Furacão, esse comportamento mudou.
Agora, as equipes têm recuado suas linhas, protegido mais a profundidade e dificultado as jogadas para Viveros.
“A gente trabalha, melhorou muito e precisa continuar porque os adversários estão mudando a forma de nos marcar. Os adversários no início do campeonato nos pressionavam alto, deixavam mais as costas, deixavam mais liberdade. Agora os adversários já estão baixando um pouquinho mais o bloco e já estão botando um jogador a mais para defender profundidade.”
Diante desse cenário, o treinador passou a trabalhar novas movimentações para aproximar os jogadores do setor ofensivo e aumentar a participação dos meias nas jogadas de ataque do Athletico-PR.
Gol de João Cruz nasceu de jogada treinada
O primeiro gol contra o Vitória simbolizou exatamente essa evolução. A jogada começou com o goleiro Santos, passou pela defesa, avançou pelo lado direito com Gilberto, Jadson e Leozinho, até encontrar João Cruz, que finalizou da entrada da área para abrir o placar.
Segundo Odair, esse movimento foi repetido diversas vezes no treinamento realizado na véspera da partida.
“Então nós temos que criar alternativas com os jogadores que a gente tem à disposição no grupo, para que a gente tenha uma progressão também através desse jogo associativo de pontas, balançando para o lado da bola, fazendo movimento para o lado contrário e para esse jogo foi muito trabalhado, foi muito treinado.”
O treinador admitiu que ver a jogada acontecendo exatamente como foi planejada é uma das maiores satisfações para uma comissão técnica.
“Ontem a gente trabalhou os movimentos e quando encaixa, é aquele orgulho que você tem, felicidade que você tem. Porque você trabalha tanto, pensa tanto, estuda tanto e às vezes as coisas no campo de jogo não acontecem.”

Mais jogadores chegam ao ataque e dividem a responsabilidade
Além do golaço de João Cruz, o segundo gol também mostrou um Athletico-PR menos dependente de Viveros para finalizar em gol.
A jogada começou com Kerwin Vargas, que fez um lançamento em profundidade para o centroavante colombiano. Após o desvio da defesa, Viveros recuperou a posse e encontrou Dudu, que apareceu livre para ampliar o placar.
O lance evidencia uma mudança importante no time de Odair Hellmann. Em vez de esperar que Viveros resolva sozinho, o Athletico-PR passou a colocar mais jogadores próximos ao camisa 9, aumentando as opções de passe e de finalização.
Essa evolução coletiva ajuda a explicar o bom momento do Furacão. Com diferentes atletas chegando ao ataque e participando das jogadas decisivas, a equipe se torna menos previsível e mais difícil de ser marcada, justamente o objetivo buscado por Odair desde a retomada da temporada após a Copa do Mundo.
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