Quando a demissão de Antônio Lopes foi anunciada, confesso, tive a sensação de que, senão tudo, quase tudo estava acabado. Tive a sensação de que de uma vez por todas nossa diretoria tinha perdido o rumo, e ao mesmo tempo vi o Coritiba se fortalecer na caminhada pelo título do Campeonato Paranaense. Não que eu não confiasse em Leandro Niehues, profissional jovem e altamente capacitado. Mas, maior que a minha confiança em Leandro era a certeza de que o nosso problema não era o Delegado, e sim a grande carência técnica apresentada pela equipe atleticana.
Pois bem. Na vitória e no comportamento do Atlético frente ao Sampaio Corrêa, alguns fatos evidenciam o meu equívoco em não acreditar que melhoraríamos muita coisa com Leandro assumindo o posto de Lopes. Ainda estamos algo distanciados do que pode se considerar aceitável para uma equipe que aspira desempenhar um bom papel no Brasileirão. Mas até o mais amargo e pessimista rubro-negro há de concordar com este que vos escreve: a maionese, que parecia ter desandado de vez, aos pouquinhos vai tomando corpo e consistência novamente.
No Atletiba, Lopes optou pela escalação de três volantes, na expectativa de congestionar o meio-campo e nisso dificultar as subidas de Marcos Aurélio e Leandro Donizete, que pareciam ser as peças mais ameaçadoras do time verde àquela partida. Porém, o que se viu foi Alan Bahia, Chico e Valencia baterem cabeça, sem qualquer tipo de organização ou eficiência, além de terem tomado um baile da meia-cancha coxa. Leandro, por sua vez, agora volta com Chico para a zaga, e mantém somente Valencia na função de volante. E como num passe de mágica, através desta singela alteração, o novo coach atleticano parece ter encontrado um dos parafusos que virão a acertar a engrenagem da equipe.
Agora Chico não parece mais perdido em campo. Pelo contrário. Dá total segurança para o setor defensivo do Atlético e permite que Márcio Azevedo apóie as jogadas de ataque sem que no contra-ataque do adversário seja aquele Deus nos acuda visto outrora no lado esquerdo da nossa retaguarda. Ao mesmo tempo, Valencia não precisa mais se desdobrar para marcar no meio e ainda cobrir as laterais, permitindo assim uma eficácia ainda maior de sua parte. Pelo lado direito, o esquema funciona da mesma maneira. Até mesmo o contestado Raul começa a acusar certa evolução, que, no entanto, ainda não é suficiente para desmentir que é justamente a lateral-direita a posição que necessita com maior urgência de um reforço.
Pingos nos is:
– Por mais conturbado que seja o momento vivido pelos lados do Parque Antártica, o Palmeiras, nosso próximo adversário na Copa do Brasil, exigirá muita aplicação e respeito de nossa parte. Até porque, se dermos uma breve olhada na tabela do certame, veremos que no caminho até as semi-finais é justamente este o adversário de maior renome e qualidade que poderemos enfrentar. Mas, ao ser sorteado para a Baixada o jogo de volta, já começamos muito bem o confronto contra o Porco.
– Na semana passada o site de um famoso provedor de internet divulgou os 5 maiores tabus da atualidade, no futebol brasileiro. O fato de não vencermos os alfaces do Perpétuo Socorro desde 2008, nos rendeu a quinta posição na lista, sendo que no texto se destaca que da última vez que o Furacão venceu o rival, Fidel Castro ainda comandava Cuba. Numa resposta de mesmo nível e temática, eu só tenho a dizer que da última vez que o Furacão jogou a segunda divisão Bill Clinton comandava os Estados Unidos, o Euro ainda não existia, FHC dava as cartas no Brasil e o Bangu ainda era um time respeitado. Pensando bem, esqueçam essa do Bangu.
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