Montagem do time pelo biotipo do jogador

Biotipo é o tipo físico que uma pessoa tem. De acordo com ele, a genética de cada pessoa influencia se ela será um pouco mais cheia ou gorda, se será alta ou baixa, se terá pernas curtas ou compridas, se terá um corpo atlético ou não.

A rigor, é claro que a ninguém é dado escolher antecipadamente o biotipo que deseja ter, salvo no caso das decantadas clonagens.

Mesmo assim, não é o ‘clonado’ quem escolhe o biotipo que vai ter, mas quem decidiu fazer a clonagem.

Na ‘montagem’ de um time ou mesmo de todo um elenco de jogadores de futebol, portanto, é perfeitamente possível que alguém determine antecipadamente quais serão as características físicas dos atletas que predominantemente deverão compor o grupo.

O famoso Internacional, então tricampeão brasileiro, foi um time montado a partir do biotipo de seus jogadores: altos, fortes, combativos e, o tanto quanto possível, técnicos.

O Flamengo, durante muito tempo, privilegiou, com raras exceções, o tipo físico magro,longilíneo e rápido, à exceção dos jogadores que compunham a sua defesa.

O Santos Futebol Clube, principalmente nos últimos anos, também está dando nítida preferência aos atletas leves, moreninhos, nem tão longilíneos, mas rápidos e técnicos -nem tanto no seu setor defensivo-.

Outro Clube que recentemente acordou para a necessidade de se fazer essa opção foi o Coritiba: é só olhar para as figuras do Marco Aurélio, Leandro Donizete, Rafinha, Eltinho, Willian, Davi, Anderson Aquino, todos com o mesmo biotipo: pequenos, rápidos, com boa musculatura e boa técnica.

Até pelo êxito que todos esses sobreditos Clubes alcançaram em seus propósitos, não há como negar que a montagem de um elenco segundo essa diretriz mestra é mesmo ‘uma grande sacada’, senão uma absoluta necessidade para se conseguir unidade/padrão de eficiência.

O Atlético Paranaense ainda não se apercebeu disso; é só olhar para a heterogeneidade de biotipos que compõem nosso elenco (v., v. g., Gabriel, Madson, Lucas, Guerrón, Nieto, Paulo Baier, Rafael Santos…). Não estou aqui a dizer que não sejam eles bons jogadores, mas sim de que fisicamente não têm nada em comum uns com os outros.

A rapidez e a agilidade de um Madson, por exemplo, não encontra ressonância num Alê ou num Baier -este, talvez, mais por ser veterano- e por aí vai…

Parece lógico afirmar, assim, que, caso você resolva montar uma boa máquina, para que ela seja o mais precisa possível e trabalhe de maneira mais uniforme e sem grandes solavancos será necessário que você utilize engrenagens parecidas em tamanho e qualidade.

Outra constatação que inevitavelmente se faz é a de que, com relação a jogadores de futebol, quer queiramos ou não, os mais exitosos sempre foram e ainda são os pequeninos (v. Garrincha,Tostão, Zico, Romário, Maradona,Messi -aliás, o maior jogador de todos os tempos, Pelé, também não era nenhum gigante…-).

O grande ‘segredo’ desses Clubes que antes mencionei, como se vê, antes de mais nada, é priorizar um biotipo na formação de suas equipes, nada mais do que isso; simples assim.

Conclui-se, assim, que o Atlético, antes de definir a sua filosofia de jogo, tem que definir o biotipo predominante de seus atletas: se mais para Gabriel, se mais para Rafael Santos, ou se mais para Madson.

Depois, é jogar –com boa técnica, vontade e seriedade, coisas que raramente vemos em nossos atletas atuais-.

Unidade na heterogeneidade é utopia.